Declaração sobre a pandemia do coronavírus na América Latina e a situação da pobreza na região.

 Declaração sobre a pandemia do coronavírus na América Latina e a situação da pobreza na região.

Diante da pandemia da COVID-19, mais conhecida como Coronavírus, que impacta a saúde global com mais de 300,000 infecções e 13,000 mortes até 20 de março de 2020, medidas para prevenir o contágio foram amplamente divulgadas. Nesse contexto, destacamos duas medidas essenciais: “lavar as mãos” e “ficar em casa”. O grupo de trabalho “Sensibilidades, Subjetividades e Pobreza” enfatiza a importância da prevenção e da adesão a essas medidas. 

No entanto, consideramos necessário salientar que, na América Latina, ambas as medidas devem ser contextualizadas dentro de um cenário estrutural de desigualdade e exclusão social.

Nesse sentido, é importante lembrar que a América Latina enfrenta um déficit significativo no acesso à água potável e ao saneamento básico. A maioria dos países da região está longe de alcançar o acesso universal, e essa situação é agravada pela deterioração da qualidade das águas subterrâneas, consequência do manejo inadequado de esgoto e do uso de pesticidas. Essa situação é ainda mais crítica entre as populações de baixa renda, impactando desproporcionalmente crianças, mulheres e comunidades indígenas. Segundo dados da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL), em 2018, 490 milhões de pessoas (69% da população da América Latina) não tinham acesso a saneamento básico. 

Gostaríamos também de chamar a atenção para o déficit habitacional na América Latina, onde apenas 60% das famílias da região possuem moradia adequada, 22% vivem em cômodos que necessitam de reformas e 18% precisam de uma casa nova, segundo dados publicados pela XVI Assembleia Geral de Ministros e Altas Autoridades da América Latina e do Caribe em 2007. 

Isso evidencia o problema, pois as famílias vivem em casas que carecem de saneamento adequado, têm fornecimento de eletricidade irregular (ou inexistente), são construídas com materiais de baixa qualidade que não oferecem qualquer tipo de segurança e vivem em condições de superlotação, em situação de indigência ou nas ruas.

Tudo isso expõe uma certa falha nas políticas públicas, que está se tornando cada vez mais evidente e urgente de ser abordada hoje em dia.

Abril de 2020
Grupo de Trabalho CLACSO
Sensibilidades, subjetividades e pobreza

Esta declaração expressa a posição do Grupo de Trabalho sobre Sensibilidades, Subjetividades e Pobreza e não necessariamente a dos centros e instituições que compõem a rede internacional da CLACSO, seu Comitê Diretivo ou seu Secretariado Executivo.