Declaração no âmbito do Mês da História das Mulheres
Em março, mês em que se comemora o "Dia Internacional da Mulher", as pesquisadoras que compõem o Grupo de Trabalho da CLACSO sobre Sensibilidades, Subjetividades e PobrezaDesejamos refletir sobre a desigualdade enfrentada pelas mulheres latino-americanas no âmbito do sistema capitalista e colonial. A necessidade de respeitar as diferenças a partir de uma perspectiva interseccional de direitos torna-se crucial, especialmente considerando os altos índices de violência de gênero contra as mulheres.
Esta data serve como um convite para recordar as diversas desvantagens que as mulheres enfrentam e enfrentaram historicamente: a entrada no mercado de trabalho em condições piores do que as dos homens; a feminização da pobreza e a dependência desproporcional de programas criados para combatê-la; e a distribuição desigual do trabalho doméstico não remunerado. Diante dessas realidades, e acompanhadas por mobilizações e lutas coletivas, refletir sobre essas questões a partir da perspectiva da sensibilidade feminina é uma tentativa de tornar visível como, apesar da crescente conscientização sobre esses problemas e desigualdades, os papéis e posições tradicionais atribuídos aos gêneros permanecem praticamente inalterados.
A incorporação das mulheres no mercado de trabalho fora de casa cresceu de forma constante desde o início do século XX e intensificou-se a partir da década de 70. Isso representou uma prioridade para a produção do século XX, pois permitiu o aumento da força de trabalho assalariada a baixo custo. Contudo, ainda hoje, o trabalho feminino permanece mais intimamente ligado à insegurança laboral, caracterizado por maior informalidade, jornadas de trabalho reduzidas e alta concentração em setores de serviços específicos, como o cuidado com idosos.
Essas situações fazem deste universo um lugar de profunda dor; devemos refletir e agir diante da crescente desigualdade e da falta de respeito pelas diferenças.
Março 2020
Grupo de trabalho
Sensibilidades, subjetividades e pobreza
