Declaração para o Dia Internacional do Trabalhador
A comemoração do Dia Internacional do Trabalhador encontra toda a humanidade numa situação particularmente dolorosa e difícil. A pandemia da COVID-19 e os confinamentos trouxeram as desigualdades à tona de uma forma vívida e radical, e também revelaram a vulnerabilidade e a precariedade do modelo civilizacional hegemônico.
Eles também destacaram a vulnerabilidade e a falta de proteção, não apenas em termos de saúde, vivenciadas por grandes segmentos da população, incapazes de se sustentar. A paralisação da grande maioria das atividades está gerando uma forte redução no emprego e afetando de forma muito mais severa os trabalhadores do setor informal, que representam cerca de metade da força de trabalho em nossa região.
A vida social voltou a concentrar-se nas unidades domésticas e familiares, onde se desenvolvem as tarefas de cuidado e reprodução, bem como o trabalho e a educação. O cuidado com a vida torna-se visível em toda a sua complexidade e significado, revelando a extensão das contribuições das mulheres para a vida social, mas também todas as desigualdades reproduzidas pela divisão socio-sexual do trabalho e pela negligência social em relação à manutenção da vida.
A maioria dos trabalhadores dos setores da saúde, alimentação, agricultura comunitária, cuidados com idosos e limpeza são mulheres, e elas estão atualmente na linha de frente desta grande crise global. Elas merecem tanto reconhecimento emocional quanto apoio essencial, compartilhado e concreto na forma de proteção e suporte irrestritos ao emprego.
Como ativistas feministas, acadêmicas e intelectuais que promovem “Colocar a vida no centro da política.“Propomos, de forma muito concreta, uma economia para a vida, sem concessões, baseada na solidariedade e no cuidado, e que se expressa urgentemente em medidas concretas e inadiáveis.”
* Renda mínima para subsistência: para sustentar as famílias com o necessário para o dia a dia e ajudar a eliminar a ansiedade decorrente da precariedade. É também um reconhecimento da necessidade de garantir a subsistência.
*Geração de infraestrutura e serviços básicos para a população que não os possui, situação evidenciada e agravada pela emergência sanitária.
Ações concretas para combater a violência contra as mulheres, que aumentou durante o confinamento.
O dia 1º de maio representa a luta pela dignidade e justiça social. Hoje, vivenciamos esta data em meio a uma crise de proporções gigantescas, mas também passamos por um momento crucial e urgente para promover uma transformação completa rumo a uma nova civilização com pilares mais fortes e robustos de responsabilidade compartilhada e solidariedade, sustentados pela defesa do bem comum, de uma vida digna e pela socialização de uma compreensão ampla da economia do cuidado.
30 de abril
Grupo de Trabalho CLACSO
Feminismos, resistência e emancipação
Esta declaração expressa a posição do Grupo de Trabalho sobre Feminismos, Resistências e Emancipação e não necessariamente a dos centros e instituições que compõem a rede internacional da CLACSO, seu Comitê Diretivo ou seu Secretariado Executivo.

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