Declaração rejeitando os graves acontecimentos no Equador.

 Declaração rejeitando os graves acontecimentos no Equador.

Camaradas latino-americanos, uma semana após o levante popular no Equador, é possível tirar algumas conclusões:

1. Uma luta histórica está sendo travada não apenas contra o Fundo Monetário Internacional e o neoliberalismo, mas também contra o colonialismo e a oligarquia equatoriana.

2. O governo de Lenin Moreno não imaginava que, com suas medidas econômicas regressivas para cumprir as exigências do Fundo Monetário Internacional (FMI), estaria despertando um vulcão adormecido.

3. As narrativas utilizadas pelo governo Moreno não conseguiram deslegitimar a resistência popular; do discurso de que se tratava apenas de uma greve devido ao desmantelamento do subsídio à gasolina, passou-se a afirmar que era uma minoria vândala influenciada por alguns agentes estrangeiros.

4. A capacidade organizacional e de resiliência das organizações indígenas fez com que elas se tornassem um dos principais atores nos dias de resistência popular, ao lado de estudantes e trabalhadores.

5. Os atores garantidores do neoliberalismo acolheram em seu seio um governo que se recusa a negociar e que demonstrou sua fragilidade institucional ao recorrer à violência policial e militar.

É neste ponto que queremos aprofundar a questão, porque o governo tem usado diferentes formas de violência contra as pessoas que resistem, desde um discurso que criminaliza a resistência até o uso indiscriminado da força, que não respeita idade ou grupo étnico, chegando ao ponto de limitar direitos básicos como a resistência e a mobilidade.

Repudiamos atos violentos cometidos pela polícia e pelos militares, tais como:

Ataques contra jornalistas https://actualidad.rt.com/actualidad/329797-equipo-rt-victima-represion-policial-ecuador

Ataques com gás lacrimogêneo contra hospitais e universidades, espancamentos de manifestantes, alguns dos quais ficaram inconscientes, https://www.facebook.com/conaie.org/videos/1146881552168296/

O uso de ambulâncias como transporte para suprimentos repressivos https://www.facebook.com/prensanuestroamericano/videos/760166961109918/

Conclamamos urgentemente nossos camaradas na América Latina a denunciarem a violência, a opressão e a repressão, a tornarem visível a luta de nossos povos, estudantes e trabalhadores, a se comprometerem ativamente a serem porta-vozes da luta por mais democracia e a garantirem que nossas metodologias tenham uma direção clara: pela liberdade de nossos povos.

Outubro 2019
Grupo de Trabalho CLACSO
Processos e metodologias participativas

Esta declaração expressa a posição do Grupo de Trabalho sobre Processos e Metodologias Participativas e não necessariamente a dos centros e instituições que compõem a rede internacional CLACSO, seu Comitê Diretivo ou seu Secretariado Executivo.