Declaração condenando a brutal escalada da repressão estatal ordenada pelo presidente chileno Sebastián Piñera.

 Declaração condenando a brutal escalada da repressão estatal ordenada pelo presidente chileno Sebastián Piñera.

O que estamos testemunhando no Chile não é uma guerra, mas sim um levante popular, legítimo e massivo.

Expressamos nossa condenação à brutal escalada da repressão estatal ordenada pelo presidente chileno Sebastián Piñera por meio da declaração de estado de emergência e da militarização das principais cidades do país. O que testemunhamos no Chile não é uma guerra, como alega o governo, mas uma legítima e massiva revolta popular, um retumbante "basta" às atrozes políticas excludentes do neoliberalismo.

Alegar situações de guerra ou a existência de "inimigos poderosos" nada mais é do que um subterfúgio para tentar legitimar a repressão desenfreada, no mais puro estilo Pinochet, que já causou mais de 18 mortes, dezenas de mulheres estupradas pelas forças da "ordem", centenas de feridos e mais de mil detidos.

Os povos do Chile, Argentina, Equador, Nicarágua, Honduras e México estão, cada um à sua maneira, enfrentando os abusos deste sistema predatório e assassino que não pode mais ser sustentado a não ser por meio de balas, gás lacrimogêneo e mentiras. Cada um, a seu tempo, prevalecerá porque está do lado da justiça em suas reivindicações.

Com a coragem da desobediência civil, os chilenos de hoje desafiam a arrogância dos poderosos nas ruas. Nos solidarizamos com sua luta e suas reivindicações, convictos de que o neoliberalismo cairá.

Outubro 2019
Grupo de Trabalho CLACSO
Memórias coletivas e práticas de resistência