Declaração do Grupo de Trabalho da CLACSO sobre Energia e Desenvolvimento Sustentável a respeito do ataque militar dos Estados Unidos contra a Venezuela.
A intervenção militar dos Estados Unidos contra a Venezuela, realizada nas primeiras horas de 3 de janeiro, constitui uma grave violação do direito internacional, da Carta das Nações Unidas e dos princípios elementares da soberania, da não intervenção e da autodeterminação dos povos.
Do Grupo de Trabalho da CLACSO sobre Energia e Desenvolvimento Sustentável Repudiamos essa escalada da guerra e denunciamos as motivações políticas por trás dela. Declarações públicas de autoridades estadunidenses justificaram explicitamente a intervenção como um meio de “garantir a estabilidade” e, sobretudo, de controlar recursos energéticos estratégicos: “Buscamos nos cercar de bons vizinhos e produzir petróleo para muitos países”. Esta é mais uma atualização da Doutrina Monroe: não se invocam mais supostas missões civilizadoras, mas sim a intenção declarada de subordinar territórios e povos aos Estados Unidos.
As necessidades de segurança e a acumulação de capital estão hoje centradas no petróleo.
Como comunidade acadêmica comprometida com uma transição energética justa, alertamos também para a mensagem profundamente regressiva que essa agressão transmite: no contexto de uma crise climática global, os combustíveis fósseis, e o petróleo em particular, estão sendo mais uma vez usados como justificativa para intervenção, militarização e desapropriação. Essa lógica bloqueia caminhos soberanos para a transformação produtiva e energética e normaliza a ideia de que a força militar pode ser um instrumento legítimo para remodelar governos e economias.
Reafirmamos que as soluções para as disputas políticas e sociais devem ser estritamente pacíficas, democráticas e decididas pelo próprio povo, sem ameaças ou interferência externa. Portanto, apelamos aos governos da região, às organizações e movimentos sociais e à comunidade acadêmica internacional para que condenem o ataque, exijam a cessação imediata de todas as ações militares e promovam uma solução diplomática baseada no pleno respeito ao direito internacional.
Grupo de Trabalho da CLACSO sobre Energia e Desenvolvimento Sustentável
3 de janeiro de 2026
Este texto expressa a posição do referido Grupo de Trabalho e não necessariamente a dos centros e instituições que compõem a rede internacional CLACSO, seu Comitê Diretivo ou seu Secretariado Executivo.
