Rejeição da interferência das forças armadas e de segurança na resolução de conflitos em sistemas democráticos.
El Grupo de Trabalho da CLACSO sobre a Economia Política da Informação, Comunicação e Cultura Condenamos o golpe de Estado na Bolívia que forçou a renúncia do presidente Evo Morales Ayma e do vice-presidente Álvaro García Linera. Rejeitamos a interferência das Forças Armadas e das forças de segurança na resolução de conflitos em sistemas democráticos.
O violento golpe cívico-militar e policial perpetrado contra o Estado Plurinacional da Bolívia e a brutalidade das forças de segurança contra as pessoas que se manifestam e exercem seu direito de protestar nas ruas de diferentes cidades bolivianas resultaram, até o momento, em dezenas de mortes, centenas de feridos, maus-tratos e ultrajes de todos os tipos, expulsão de jornalistas estrangeiros, censura midiática e, em geral, uma situação de extrema violação dos direitos humanos dos cidadãos bolivianos.
Este golpe foi justificado com argumentos frágeis, como supostas irregularidades no processo eleitoral. O valor de verdade absoluta atribuído por alguns ao relatório de auditoria da OEA, que analisa os processos relacionados à eleição presidencial e à contagem de votos, obscurece, oculta e opta por esquecer a dinâmica de poder orquestrada por essa organização e pelo governo dos Estados Unidos, cuja interferência na região historicamente buscou impor modelos econômicos e políticos que subjugam nossos países.
Neste momento histórico, essa força geopolítica abrasiva tem buscado manter espaços de poder que desafiem os modelos de uma Economia Política neoliberal e despótica, propondo modelos alternativos de redistribuição, bem-estar, reivindicação de identidades originais, construção de cidadanias com base em novas agendas e novas mídias que produzam informações socialmente necessárias para a construção diária de democracias inclusivas.
Nesse contexto, o Grupo de Trabalho EPICC destaca a urgência de pôr fim a essa escalada de violência, restaurar a ordem constitucional e permitir a resolução de conflitos por meios pacíficos, algo que já está sob a responsabilidade do governo constitucional eleito, cujo mandato legal foi interrompido.
novembro 2019
Grupo de Trabalho CLACSO
Economia política da informação, comunicação e cultura