Considerando a situação no Chile
Desde sexta-feira, 18 de outubro de 2019, o Chile vivencia uma onda de protestos sociais contra o modelo econômico neoliberal vigente. O país se insurgiu devido à crescente frustração com a privatização dos serviços públicos e como forma de protesto contra aqueles que priorizaram o lucro com água, eletricidade, transporte, educação, esportes e outros serviços essenciais em detrimento da melhoria da vida das pessoas.
Esses eventos seguem outros já conhecidos em outros países do continente, resultantes de decisões repressivas e da violência extrema vivenciada na Argentina, Equador, Colômbia, Peru e Brasil, e do atual plebiscito no Uruguai, que tende à militarização da segurança e à deterioração dos direitos humanos.
Nesse contexto, o Grupo de Trabalho da CLACSO sobre “Esporte, Políticas Públicas e Sociedade” convoca à reflexão e à autocrítica por parte dos tomadores de decisão política. Lembramos que o passado recente da América Latina é marcado por alianças político-militares utilizadas para reprimir e punir trabalhadores, estudantes e setores marginalizados da sociedade, e alertamos que, se continuarmos a ceder espaços da vida civil aos militares, continuaremos a vivenciar violações de direitos fundamentais. Até o momento, o discurso do governo chileno tem se concentrado em enfatizar os distúrbios e confrontos ocorridos.
O número de mortos já está aumentando, o número de feridos também, e até o momento não há clareza quanto às mudanças que o povo exige. Por essa razão, defendemos que o desenvolvimento de nossos países deve ser pacífico e baseado em acordos regionais que visem a melhoria das condições de vida civil. Isso inclui a livre circulação e associação de pessoas, o fim das injustiças e a melhoria estrutural do trabalho, do lazer, da saúde, da educação e da vida em geral. Sabemos que os próximos dias serão difíceis para o povo chileno e para toda a América Latina. No entanto, estamos convencidos de que as mudanças exigidas são justas e necessárias para transformar em direitos o que por muitos anos tem sido privilégio de poucos. Nós, habitantes deste continente, exigimos uma mudança na forma de governar; pedimos que o foco seja nas pessoas e não nos negócios. Para tanto, colocamos à disposição as sociedades científicas que nos unem, para colaborar e estar cientes do que acontece no Chile e em nossos países.
Outubro 2019
Grupo de Trabalho CLACSO
Esporte, políticas públicas e sociedade