Condenamos veementemente o golpe criminoso na Bolívia!
Diante do avanço do golpe de Estado na Bolívia, que dez dias depois deixou mais de 50 mortos, centenas de feridos e mais de mil detidos, o Grupo de Trabalho da CLACSO, Crise e Economia Mundial, repudia a repressão e a violação da Constituição da Bolívia.
O golpe em nome do racismo e do fundamentalismo pentecostal, liderado pela polícia, pelos militares e pela velha oligarquia e instigado pelo imperialismo ianque, demonstra que o ovo da serpente fascista permanece aninhado nos esgotos e emerge violentamente, por todos os meios, para deter o avanço da luta popular e, em particular, na Bolívia, contra os povos indígenas.
Diante do progresso econômico e social alcançado pelo governo democrático, popular e anti-imperialista do presidente Evo Morales e do vice-presidente Álvaro García Linera, decorrente da restauração da dignidade indígena por meio do reconhecimento constitucional da identidade plurinacional do país, os antigos poderes de facto orquestraram um golpe para reverter a recuperação de recursos naturais estratégicos para a nação (gás e lítio). Vale lembrar que o governo Evo Morales nacionalizou os setores de gás, água, produção de eletricidade e mineração, o que possibilitou um crescimento econômico sem precedentes no país, muito superior à média regional.
O território boliviano abriga uma das maiores reservas de lítio, um mineral usado na fabricação de baterias para celulares, carros elétricos, drones e outros dispositivos elétricos.
O governo Morales assinou recentemente um acordo multimilionário com a China para explorar lítio e lançou um carro elétrico fabricado na Bolívia, o "Quantum". Isso colocou em alerta as empresas de mineração americanas e canadenses, que também disputam a exploração da jazida de lítio.
O imperialismo estadunidense está tentando retomar o controle dos "recursos naturais" da América Latina — ou seja, saqueando nossos bens comuns — no contexto da guerra comercial com a China e da crise econômica capitalista global que se arrasta desde 2008. Nessa disputa geopolítica, Trump está aumentando a presença do Pentágono na região e fortalecendo os laços com as forças armadas locais para impor os interesses econômicos das corporações multinacionais em nossos países.
Repudiamos e rejeitamos também a servilidade de Luis Almagro, presidente da OEA, esse antigo ministério colonial do imperialismo ianque, que se omite em condenar o golpe e a repressão na Bolívia, e que não só violou a soberania dos nossos povos, principalmente da Venezuela, como também tentou invocar o Tratado Interamericano de Assistência Recíproca (TIAR) para invadir militarmente a Venezuela, e reconheceu os autoproclamados presidentes, os ilegítimos, ontem na Venezuela e hoje na Bolívia. Exigimos a sua renúncia.
Nos solidarizamos com o povo boliviano em resistência e com a luta de nossos irmãos no Haiti, Chile e Equador.
Conclamamos a todos a intensificar a solidariedade com a luta e a resistência dos povos da Bolívia e de nossa América.
Condenação total do golpe criminoso!
Viva a luta popular da nossa América!
novembro 2019
Declaração do Grupo de Trabalho da CLACSO
Crise e economia global