Declaração rejeitando as proscrições eleitorais na Bolívia (Evo Morales), no Equador (Rafael Correa) e a interferência nas futuras eleições venezuelanas.

 Declaração rejeitando as proscrições eleitorais na Bolívia (Evo Morales), no Equador (Rafael Correa) e a interferência nas futuras eleições venezuelanas.

Do Grupo de Trabalho da CLACSO "Crítica Jurídica e Conflitos Sociopolíticos"Manifestamos nossa rejeição às medidas tomadas contra Evo Morales na Bolívia e Rafael Correa no Equador pelos tribunais de seus respectivos países, que desqualificam suas candidaturas para as próximas eleições.


No caso de Rafael Correa, cujos direitos políticos foram cassados ​​pelos tribunais equatorianos, sua candidatura à vice-presidência foi vinculada à candidatura presidencial de Andrés Arauz nas eleições de 7 de fevereiro. Em uma decisão expedita que levou apenas dezessete dias, quando o processo normalmente leva meses, o Tribunal de Cassação concluiu a guerra jurídica e a perseguição contra o ex-presidente e outros ex-membros da Revolução Cidadã. O governo equatoriano de Lenin Moreno está mais uma vez usando a perseguição para justificar suas políticas neoliberais, que representam um retorno a um passado que o país havia superado.

Evo Morales, por sua vez, concorria ao cargo de senador pelo departamento de Cochabamba, mas o Tribunal Constitucional anulou sua candidatura, alegando que ele não possuía dois anos de residência na Bolívia antes da eleição, nem endereço registrado no país. Trata-se claramente de uma manobra prescritiva contra o ex-presidente, que sofreu um golpe de Estado em novembro passado, o qual o obrigou a buscar asilo político no exterior. Esse golpe racista possibilitou uma violenta repressão contra o povo boliviano, que foi às ruas exigir a restauração da democracia, gravemente abalada desde que a OEA, sob a liderança de Luis Almagro, deu sinal verde ao processo golpista.


Não existe democracia com proscrições; portanto, exigimos que as autoridades judiciais e políticas da Bolívia e do Equador respeitem a soberania popular, para que a vontade do povo seja o que determine seus representantes por meio do voto. Esses processos demonstram como o poder concentrado e as elites utilizam a lei, o Estado e as instituições para eliminar movimentos políticos populares, progressistas ou de esquerda na América Latina.


Finalmente, rejeitamos o bloqueio genocida e o cerco persistente contra a República Bolivariana da Venezuela, que se prepara — apesar das dificuldades — para cumprir o mandato constitucional de realizar eleições parlamentares em dezembro próximo, sob contínuas ameaças estrangeiras de desrespeitar o legítimo direito do povo de decidir, impondo números maleáveis ​​aos interesses imperialistas.

10 setembro 2020
Grupo de Trabalho CLACSO
Crítica jurídica e conflitos sociopolíticos

Esta declaração expressa a posição dos Grupos de Trabalho da CLACSO. Crítica jurídica e conflitos sociopolíticos e não necessariamente a dos centros e instituições que compõem a rede internacional da CLACSO, seu Comitê Diretivo ou seu Secretariado Executivo.