Declaração por ocasião do segundo aniversário do assassinato de Marielle Franco
¡Marielle presente como uma mulher-semente!
Ela germina e se multiplica em centenas de milhares de líderes femininas ao redor do mundo.

Dois anos após o assassinato de Marielle Franco, vereadora negra, feminista e socióloga, continuamos sua luta por justiça social e pela restauração da dignidade das pessoas e comunidades mais vulneráveis. Sua voz se ergueu das favelas e não foi, e não será, silenciada.
Assassinada brutalmente durante a Década Internacional dos Afrodescendentes, Marielle se destaca como uma "mulher-semente", germinando e multiplicando-se em centenas de milhares de outras líderes em todo o mundo. Seu assassinato no Rio de Janeiro foi um renovado chamado à ação para mulheres afrodescendentes em todo o planeta.
Desde 2018, estamos unidos em ações que ajudam a promover maior visibilidade para a situação das mulheres afrodescendentes na América Latina e no Caribe. Em sua homenagem, foi criado o Seminário Internacional sobre Feminismos Negros (Havana, 2018 e 2019), reunindo ativistas, estudantes, acadêmicos e líderes de políticas públicas de diferentes países. Este Seminário é um dos espaços emergentes para a luta antirracista, onde o debate sobre a emancipação e a politização afrofeminista é central para forjar, sobre novas bases, a conexão entre a academia e o movimento afrodescendente. Marielle também foi um símbolo da necessidade dessa conexão e do caminho para alcançá-la.
Todos nós que atuamos como promotores da justiça acreditamos que esses eventos nos ensinam sobre outras gramáticas do confronto afro-diaspórico.
As organizações e entidades abaixo assinam este manifesto contra todas as formas de injustiça social, com nossos pensamentos e corações voltados para a luta contra o racismo e o patriarcado. Sabemos que quando uma mulher age, ela transforma toda a sociedade.
Ainda aguardamos respostas dos órgãos responsáveis por investigar o crime contra todas as mulheres, enquanto promovem outras tecnologias comunitárias. Mas a história de Marielle se repete.
Os feminicídios de mulheres e de mulheres líderes de movimentos sociais estão em ascensão. Nossa AméricaNa luta contra o racismo, pelos direitos dos povos indígenas, contra o ecogenocídio e a pobreza, entre muitos outros males que assolam nossas comunidades, dizer "basta" não basta; o que é decisivo é a ação política.
Março 2020
Grupos de Trabalho da CLACSO
Afrodescendentes e propostas contra-hegemônicas
Epistemologias do Sul
Anticapitalismos e sociabilidade emergente
Outros signatários
Programa Sul-Sul (CLACSO)
Cadeira Nelson Mandela (Cuba)
Rede Carioca de Etnoeducadores Negros (Brasil)
Associação de Pesquisadores Negros da América Latina e do Caribe
Escola Internacional de Pós-Graduação Além da Década para Pessoas de Descendência Africana (CLACSO/CIPS)
Grupo Xangó (Argentina)
Programa de Pesquisa e Extensão da UNIAFRO sobre Afrodescendentes e Culturas Afrodiaspóricas (IDAES/UNSAM)
Programa de Estudos Feministas sobre Pós-Colonialidade, Fronteiras e Pensamento Transfronteiriço (IDAES/UNSAM)
Encontro de Mulheres Afro-Latino-Americanas - TEMA (Argentina)
Museu Afro-Mexicano Petra Morgan (México)
Rede de Feminismos Descoloniais do Sul
Cátedra de Sociologia e Estudos Pós-Coloniais, Faculdade de Ciências Sociais, Universidade de Buenos Aires (Argentina)
