Curso online: Fotografia, poder e contrapoder na América Latina
COORDENAÇÃO: Cora Gamarnik (FSOC-Universidade de Buenos Aires/ CONICET, Argentina)
EQUIPE DE PROFESSORES:
- Cora Gamarnik (FSOC-Universidade de Buenos Aires/ CONICET, Argentina)
- Ana Mauad (Universidade Federal Fluminense, Brasil)
- Alberto del Castillo (Instituto de Pesquisa Dr. José María Luis Mora, México)
Home: 28 / 05 / 2026 | Registo: 07/04/2026 al 27/05/2026
Modalidade: Virtual com aulas ao vivo e materiais exclusivos
Carga horária: 50 horas
Duração: Mensagem 1
O curso visa abordar a fotografia e seu poder comunicativo, considerando as imagens não como "obras" acabadas, mas como parte de processos sociais e históricos: processos de produção, circulação e recepção que condicionam o que uma fotografia pode dizer, a quem ela alcança e quais efeitos produz no mundo.
Cada imagem envolve decisões — sobre enquadramento, iluminação, edição e publicação — que são permeadas por dinâmicas de poder. Quem tem a câmera, quem decide o que é publicado e o que é suprimido, quem pode ser representado e quem permanece invisível.
Para tanto, analisaremos fotografias encontradas em diversos meios de comunicação: jornais, revistas, livros, cartazes, murais e redes sociais. Cada meio impõe suas próprias condições de leitura e circulação. Estamos particularmente interessados em traçar a evolução das imagens: como uma fotografia tirada em um momento específico pode ser reapropriada, reinterpretada ou silenciada ao longo do tempo.
Nessa perspectiva, abordaremos a relação entre fotografia, história, comunicação e poder na América Latina. Estudaremos tanto a construção de imagens oficiais — aquelas utilizadas por quem detém o poder para se legitimar e construir consenso — quanto os usos sociais da fotografia como ferramenta de resistência, denúncia e contra-hegemonia.
A imagem pode servir ao poder, mas também pode se voltar contra ele.
Desde suas origens, a fotografia tem sido associada a projetos de controle e classificação social: os Estados a utilizaram para documentar, monitorar e construir identidades nacionais; a mídia a empregou para estabelecer versões legitimadas de conflitos sociais; setores dominantes a transformaram em um instrumento de visibilidade seletiva, onde certos corpos, espaços e experiências eram incluídos no enquadramento, enquanto outros eram deliberadamente excluídos. Compreender a fotografia, portanto, implica também compreender seus silêncios e ausências.
Mas a história da fotografia na América Latina não é apenas a história do poder que ela retrata. É também a história daqueles que se apropriaram da câmera para produzir outras imagens: fotografias de greves e manifestações, retratos de comunidades silenciadas, registros da repressão estatal, imagens que circularam clandestinamente ou sobreviveram como evidência e memória. A fotografia tem sido, em nossa região, um campo de luta simbólica constante.
Essa perspectiva exige que consideremos a imagem fotográfica em sua totalidade: não apenas como um objeto visual, mas também como um processo social. Uma fotografia é o resultado de decisões técnicas e estéticas, mas também das condições materiais de produção, das relações entre fotógrafos, mídia e instituições, e dos contextos políticos que possibilitam certos enquadramentos e proíbem outros.
As imagens fotográficas não são meros registros da realidade: são construções que condensam relações de poder, disputas sobre representação e lutas por visibilidade. No contexto latino-americano, a fotografia tem historicamente operado como um campo de tensão entre aqueles que detêm o poder de mostrar e aqueles que lutam para serem vistos em seus próprios termos.
OBJETIVO GERAL
Fornecer ferramentas teóricas e metodológicas para a análise sócio-histórica da fotografia, com ênfase especial em sua dimensão política e seu papel na construção de hegemonias e contra-hegemonias na América Latina.
OBJETIVOS ESPECÍFICOS
Que os alunos:
● Identificar as principais abordagens teóricas e metodológicas para a análise de imagens, incorporando ferramentas da semiologia visual, da história visual e dos estudos da comunicação.
● Reflita sobre os modos de produção, circulação e recepção de fotografias em diferentes momentos históricos.
● Destacar diversas experiências em que se observa o potencial das imagens como parte da construção de hegemonias e contra-hegemonias.
● Estudar as fotografias inscritas em diversos meios de comunicação (jornais, revistas, livros, blogs, redes sociais, paredes) e suas implicações comunicacionais, políticas, sociais e históricas.
- CLASSE 1: Ferramentas metodológicas para análise de imagens
Professora Cora Gamarnik
Modalidade: síncrona
Resumo conceitual da aula: Elementos da análise de imagens. Princípios básicos da semiótica visual. Abordagens sócio-históricas da fotografia. Imagens. Ícones. Como observamos uma fotografia? Quais operações intelectuais empregamos ao analisar uma imagem? - AULA 2: Fotografia, mídia, redes e poder.
Professora Cora Gamarnik
Modalidade: síncrona
Síntese conceitual da disciplina: Regimes de visibilidade. Intersecção entre história da mídia, imagens e história política. Experiências visuais e lutas de poder. Usos de imagens oficiais, construção de imagens como contrapoder. - AULA 3: Fotografia e ação social
Professora Cora Gamarnik
Modalidade: síncrona
Resumo conceitual da aula: O poder da fotografia. Imagens, mídia, conflitos sociais. O poder da fotografia para promover mudanças sociais e seu potencial para expor problemas com impacto visível. Em que condições uma fotografia consegue comover, mobilizar, denunciar ou transformar? Quando, por outro lado, esse mesmo poder é diluído, neutralizado ou cooptado pela lógica do espetáculo e do consumo? Mídias sociais como um novo regime de visibilidade e a superabundância visual contemporânea. - AULA 4: Ativismo Visual
Professora Cora Gamarnik
Modalidade: síncrona
Resumo conceitual da disciplina: A fotografia como instrumento político. A fotografia em ações de arte-ativismo. Fotografia e protestos sociais. A dimensão visual no espaço público. Práticas fotográficas que não apenas documentam o protesto social, mas também participam ativamente dele. Imagens e intervenção social. - CLASSE 5: Brasil
Professora Ana Mauad
Modo: síncrono / assíncrono
Síntese conceitual da disciplina: Fotografia, história e política no Brasil. Usos públicos de imagens fotográficas no Brasil republicano. Foto-ícones e a construção da memória histórica. Estudo de caso: imagem, morte e protesto social durante a ditadura no Brasil. Fotografia e movimentos sociais no Brasil contemporâneo. - CLASSE 6: México
Professor Alberto Del Castillo
Modo: síncrono / assíncrono
Resumo conceitual da disciplina: Fotografia e Poder no México. Imagens da Revolução Mexicana e seu uso político na construção do Estado-nação. Fotografia de imprensa, censura e liberdade de expressão. Fotografia nos movimentos sociais: de 68 até o presente. Imagens, memória e justiça no México contemporâneo.
O curso será ministrado online, combinando componentes síncronos e assíncronos. Ao longo de um mês, serão oferecidas seis aulas: quatro sessões ao vivo com o instrutor (síncronas) e duas sessões gravadas, disponíveis para visualização assíncrona.
As aulas ao vivo serão realizadas nos seguintes dias. Terça-feira às 18h ARG por meio da plataforma Zoom, que permitirá a interação direta entre os participantes. Além disso, os alunos terão acesso a materiais exclusivos, disponíveis na sala de aula virtual, que complementarão o conteúdo abordado em cada sessão.
A avaliação final consistirá em um questionário online individual, que será condição necessária para a aprovação no curso.
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Inscrições antecipadas (até 05/05) |
Inscrições gerais (6 a 21 de maio) |
Inscrição sem desconto |
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Centro de Membros Plenos ou Associados |
100 USD |
USD 150 |
200 USD |
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Sem link |
150 USD |
USD 225 |
300 USD |
Consultas: [email protected]