Curso sobre a mensuração da violência de gênero contra as mulheres e do feminicídio.
O Conselho Latino-Americano de Ciências Sociais (CLACSO), a Divisão de Assuntos de Gênero da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL), o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) e o Programa Regional da Iniciativa Spotlight para a América Latina concederão o prêmio. 120 bolsas para executar o curso sobre a mensuração da violência de gênero contra mulheres e de feminicídio-feminicídio.
COORDENAÇÃO ACADÊMICA: Alejandra Valdés (Divisão de Assuntos de Gênero, Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe, CEPAL).
Início: 06/04/2022 | Postulações: 23/02/2022 a 15/03/2022
A CLACSO, a CEPAL, o PNUD e o Programa Regional Spotlight concederão 120 bolsas Aos funcionários públicos de instituições estatais e organizações da sociedade civil, responsáveis pela produção de informações socioestatísticas sobre violência contra a mulher e feminicídio.
As bolsas de estudo cobrem 100% do custo das mensalidades.
Requisitos de aplicação:
- Os participantes serão selecionados por uma comissão de avaliação nomeada pelas organizações organizadoras.
- As candidaturas serão submetidas através do site da CLACSO.
- Os candidatos devem:
- Preencha seus dados pessoais
- Para comprovar seu vínculo institucional como funcionários públicos e/ou profissionais dedicados ao tema.
- As bolsas de estudo disponíveis serão atribuídas respeitando a diversidade regional e a igualdade de género.
- Um Comitê Acadêmico analisará as candidaturas e concederá as bolsas de estudo; a decisão é irrecorrível. Os resultados serão divulgados pela CLACSO.
- Este edital de convocação de candidaturas permanecerá aberto. até 15 de março.
A violência de gênero contra as mulheres é uma violação fundamental dos direitos humanos e um grande obstáculo ao desenvolvimento na América Latina e no Caribe. Ela viola e restringe o gozo dos direitos e liberdades fundamentais das mulheres, com graves consequências para a saúde, as oportunidades econômicas, os direitos e o bem-estar de 30% a 70% das mulheres na região. Suas consequências não apenas afetam profundamente a vida das mulheres vítimas, mas também ameaçam a estabilidade, a segurança e o bem-estar de suas famílias e comunidades. Há mais de três décadas, esse flagelo é uma das questões mais prementes na agenda internacional e regional de direitos humanos.
O desafio de mensurar a prevalência e a incidência da violência de gênero contra as mulheres tem sido uma preocupação dos instrumentos internacionais. Na América Latina, a Declaração sobre a Eliminação da Violência contra as Mulheres (1993), a Declaração e Plataforma de Ação de Pequim (1995), a Convenção sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação contra a Mulher (CEDAW), a Convenção de Belém do Pará, a Agenda Regional de Gênero e a Agenda 2030 estabeleceram que os esforços para acabar com a violência contra as mulheres devem ser acompanhados por estatísticas rigorosas e confiáveis.
O dever de diligência dos Estados, consagrado na CEDAW, obriga-os a adotar todas as medidas adequadas para prevenir, investigar, processar, punir e reparar atos ou omissões de atores não estatais que resultem em violência de gênero contra as mulheres. Isso obriga os atores estatais a investigar e registrar os diversos serviços prestados pelo Estado às vítimas e sobreviventes e, consequentemente, a produzir e divulgar dados estatísticos derivados dos esforços estatais na prevenção, apoio, reparação e proteção das vítimas, bem como dos processos judiciais. Juntamente com a implementação de estratégias para acabar com a violência de gênero contra as mulheres, esses esforços devem ser acompanhados por estatísticas confiáveis sobre as diversas manifestações, características, causas e consequências da violência de gênero vivenciada pelas mulheres em todos os seus diversos contextos e situações.
A análise acumulada dos processos de mensuração e investigação da violência de gênero contra as mulheres foi construída graças ao consenso de atores internacionais, estatais, acadêmicos e da sociedade civil, o que permitiu avançar no fortalecimento de um campo analítico socioestatístico de grande importância para as ciências sociais e suas implicações em diferentes áreas do conhecimento.
Para compreender os processos de mensuração da violência de gênero contra as mulheres, com base em pesquisas, registros administrativos e estatísticas produzidas por órgãos estatais em países da América Latina, bem como as ferramentas para comparação regional. Os participantes também aprenderão sobre os mecanismos de monitoramento e produção de dados sobre violência contra as mulheres gerados por organizações da sociedade civil.
A proposta deste curso consiste em gerar um espaço virtual de formação, com aulas expositivas e fóruns de discussão, ministrados por profissionais e acadêmicos com vasta experiência na formulação e análise de políticas públicas e na mensuração da violência de gênero contra as mulheres em países da América Latina e do Caribe.
- Compreender o quadro regulamentar internacional e regional sobre a violência de género contra as mulheres, em particular os mandatos e recomendações sobre a medição da sua prevalência e incidência.
- Descrever o quadro analítico para a produção de informações sobre violência de gênero contra mulheres e os parâmetros éticos necessários para a coleta e disseminação de informações a partir de uma perspectiva de igualdade de gênero e interseccionalidade.
- Identificar as principais fontes e procedimentos para medir a violência de gênero contra as mulheres.
- Conhecer os resultados dos inquéritos nacionais sobre violência contra as mulheres e os módulos dos inquéritos específicos sobre violência contra as mulheres desenvolvidos no âmbito dos inquéritos demográficos e de saúde.
- Desenvolver capacidades para gerar estatísticas a partir de registros administrativos e sua utilidade na contabilização das respostas estatais e civis à violência feminicida.
- Levar em consideração as ferramentas para a comparabilidade internacional dos dados sobre feminicídio na região.
- Trocar conhecimentos e práticas sobre propostas e mecanismos de monitorização e produção de dados sobre violência de género contra as mulheres, elaborados por organizações da sociedade civil.
- Inquéritos que medem a prevalência da violência contra as mulheres: experiências regionais
- Fontes, procedimentos e desafios utilizados para medir a violência de gênero contra mulheres e meninas: Desafios metodológicos
- Monitoramento da Convenção de Belém do Pará. Indicadores do processo de conformidade.
- Registros administrativos sobre violência contra a mulher, padronização para a geração de estatísticas sobre violência contra a mulher em geral e sobre feminicídio.
- A qualidade da mensuração de feminicídio e mortes violentas por razões de gênero.
- Proposta de padronização. Registro Único de Feminicídio para a América Latina e o Caribe.
- Como podemos melhorar os dados sobre os assassinatos de mulheres e meninas?
- Sistemas de registro de violência contra a mulher: a experiência da Cidade do México
- Novas dimensões de análise na violência contra as mulheres, desaparecimentos, tráfico de pessoas e feminicídio. Desafios na coleta de informações.
- Os desafios da interseccionalidade na mensuração da violência extrema contra as mulheres.
- Medindo a violência contra mulheres e meninas durante a crise da COVID-19: antigos problemas de mensuração versus novas e urgentes respostas para a recuperação.
- O papel das organizações da sociedade civil e das organizações feministas e o desenvolvimento de capacidades para denunciar a violência contra as mulheres.
- Lições aprendidas e desafios na mensuração da violência de gênero contra as mulheres. Painel de síntese.
O curso será desenvolvido em 14 sessões conduzidas pela equipe docente.
No início de cada semana, os participantes terão acesso a um vídeo explicativo na sala de aula virtual do curso sobre o(s) tópico(s) a serem abordados durante a semana, bem como aos materiais de leitura obrigatórios e opcionais. Os participantes poderão revisar o material e participar das atividades propostas. Posteriormente, o instrutor de cada turma aprofundará os tópicos de cada sessão e dialogará com os participantes em uma reunião síncrona semanal.
Mais informação: [email protected]