Cultura e políticas culturais

 Cultura e políticas culturais

El Grupo de Trabalho da CLACSO sobre Cultura e Políticas Culturais É composto por 54 pesquisadores representando nove países da América Latina e iniciou a colaboração em janeiro de 2023.

O problema que aborda

As duas últimas décadas do século XX na América Latina foram marcadas por diversas conjunturas políticas e deixaram para trás cenários caracterizados por ditaduras com formas implícitas de violência. Atualmente, esses cenários foram transformados em decorrência das lutas democráticas daquele período, embora ainda persistam disputas políticas permeadas por violência explícita e simbólica.

No início deste século, uma onda de governos de esquerda emergiu em países como Venezuela, Argentina, Chile, Brasil, Uruguai, Bolívia, Paraguai e Equador. Esses governos caracterizaram-se por políticas sociais inclusivas, políticas externas mais independentes, políticas de integração e cooperação regional e políticas econômicas que diferiam das anteriores, baseadas em uma abordagem desenvolvimentista e apresentando ambiguidades em relação ao neoliberalismo. 

Na terceira década do século XXI, a região parece estar em turbulência. O novo cenário resultou em vitórias eleitorais para governos de esquerda no México, Argentina, Bolívia, Peru, Chile e Colômbia. Manifestações populares na Colômbia, Equador e Chile obtiveram alguns êxitos, como a proposta de Assembleia Constituinte no Chile e a derrota do governo de extrema-direita no Brasil. 

Atualmente, o contexto global paralisado pela pandemia criou uma nova onda de situações complexas que afetaram as condições econômicas, sociais, ambientais, políticas e culturais. Isso fomentou a expansão da desigualdade e a ascensão de governos autoritários em todo o mundo. Além disso, as lutas dos povos indígenas, afrodescendentes, mulheres e comunidades LGBTQIA+ tornaram-se novamente relevantes. 

Os avanços sociotecnológicos, a expansão das redes, as culturas digitais e a inteligência artificial geraram novas formas de conflito e um cenário global mais complexo. Em resposta, a revisão e atualização das políticas culturais em nossa região apresenta desafios significativos e suscita novas questões teóricas que nos permitirão aprender com as experiências passadas e promover uma maior integração transversal das políticas públicas, garantindo que sejam compatíveis com a necessidade de manter uma cultura política democrática.

Perguntas

Para analisar a complexidade das políticas culturais na América Latina, devemos começar por compreender o estado atual dessas políticas. Como ponto de partida, propusemos algumas questões que podem orientar a reflexão e o trabalho deste grupo. 

  • Foram desenvolvidas novas políticas culturais ou não?
  • Em que medida elas diferiram das políticas anteriores?
  • Há alguma característica em comum entre eles?
  • Foi configurado um modelo alternativo de políticas culturais?
  • Quem foram os principais atores nas políticas culturais?
  • Qual é o seu lugar no conjunto de políticas governamentais?
  • Quais são os impactos das políticas culturais implementadas?
  • Houve alguma troca de informações relevante na área de políticas culturais?
  • Como eles abordaram questões como etnia, raça, gênero e outras?

Alguns dos principais objetivos da GT 

Para abordar esses desafios teóricos e reflexivos, definimos os seguintes objetivos: 

  • Ampliar o intercâmbio entre acadêmicos e pesquisadores de políticas culturais na América Latina. 
  • Investigar as políticas culturais específicas desenvolvidas em diferentes países da América Latina. 
  • Ampliar os relacionamentos existentes com organizações científicas e culturais; gestores e produtores culturais; agentes, coletivos e produtores culturais; redes e comunidades culturais; e os responsáveis ​​pelas políticas culturais públicas, sejam elas estatais ou não. 
  • Consolidar e expandir as relações com redes e organizações de cooperação acadêmica e cultural. 

Os processos e resultados deste trabalho serão incorporados a diversos projetos colaborativos. Entre eles, destacam-se a criação de uma Rede Latino-Americana de Estudos e Pesquisas em Políticas Culturais, a organização de seminários e a produção acadêmica de textos e trabalhos que permitirão comparar as diferentes experiências dos países da região, etc.

coordenada

Eduardo Nivón Bolán
Divisão de Ciências Sociais e Humanas
Universidade Autônoma Metropolitana – Unidade Iztapalapa
México
[email protected]

Susana Dominzain
Faculdade de Ciências Humanas e da Educação
Universidade da República
Uruguai
[email protected]

Antonio Albino Canelas Rubim
Centro de Estudos Multidisciplinares em Cultura
Universidade Federal da Bahia
Brasil
[email protected]