"Quantos colegas que sofreram as piores torturas não puderam se manifestar?"

 "Quantos colegas que sofreram as piores torturas não puderam se manifestar?"

Como parte das atividades promovidas pela CLACSO para comemorar o 50º aniversário do golpe de Estado de 27 de junho de 1973 no Uruguai, ele conversou com o CLACSO.tv. Fernando pereiraO presidente da Frente Ampla, ao recordar as vítimas daquele período sombrio em seu país, perguntou: "No Uruguai, quantos camaradas que viveram as piores torturas não puderam se expressar?"

Ele também relembrou seus primeiros passos no ativismo social e político: “A resistência à ditadura está entre as melhores da história uruguaia, e a luta, a dedicação e as vidas dos ativistas sociais e políticos também estão entre as melhores do Uruguai. E a transição da ditadura foi uma grande aventura. Eu tinha 16 anos e sabia o que estava fazendo, e fui à manifestação de 1983 convencido de que ela marcava o início do fim da ditadura. Ouvi com emoção os discursos dos sindicalistas; parecia-me que aquele era o caminho a seguir. Eram dezenas de milhares… E então, uma série de ações sociais muito fortes e militantes pôs fim àquela ditadura. Mas aquela ditadura, sem dúvida, deixou sua marca em muitas gerações, e é por isso que a necessidade de verdade, memória, justiça e do 'Nunca Mais' ao terrorismo de Estado é tão importante.”

Entrevistado por Gustavo Lema


50 anos após o golpe no Uruguai


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