Curso online: Cooperação sob pressão

 Curso online: Cooperação sob pressão


COORDENAÇÃO
Damaris Ruiz e Claudia Caselli (Acápacá)

CORPO DOCENTE
Pablo Vommaro | Dâmaris Ruiz | Asier Hernando | Mariam Ikermawi | Rosa María Cañete | Rafael Henríquez García | Maria Cristina Perceval | Ana Silvia Monzón | Maria Josefa Macz | Luciana Peker | Renata Oliveira | Carlos Bedoya

Home: 14/10/2025

Registo: 14/08/2025 al 13/10/2025


Cada vez menos países e comunidades vivem em democracias plenas. Os espaços para a sociedade civil estão diminuindo a um ritmo alarmante. Nós, organizações sociais, estamos na linha de frente desse declínio e somos nós que mais precisamos de apoio imediato e decisivo. No entanto, quando mais precisamos de nós, a cooperação internacional paralisa: torna-se lenta, presa à sua própria burocracia, paralisada por análises de risco, receios institucionais e estruturas administrativas incapazes de adaptação. Muitas vezes, simplesmente não sabe — ou não quer — como responder.
Entretanto, o mundo está redirecionando recursos para a guerra e o armamento, e a cooperação está perdendo força, terreno e significado. Não há tempo a perder: se a solidariedade internacional não reagir agora, corre o risco de ser tarde demais.
A erosão do espaço cívico avança implacavelmente em todo o mundo. As respostas institucionais não só são insuficientes, como muitas vezes optam por ignorar o problema, normalizando a violência, a impunidade e a negligência. Mesmo no âmbito da cooperação internacional, as retiradas precipitadas de situações críticas são comuns, com pouca ou nenhuma busca por alternativas éticas para permanecer ao lado daqueles que resistem.
Diante desse vazio ético e político, este curso surge como uma resposta urgente, contextualizada e coletiva. É uma proposta que nasce de organizações sociais que, mesmo sob repressão, optam por defender a vida, a dignidade e a organização de base. Porque a retração não é uma opção: o desafio é acompanhar, resistir e construir esperança, mesmo nos contextos mais hostis.

Este curso destina-se a indivíduos, organizações e instituições ligadas à cooperação internacional que procuram atuar com maior coerência ética e política face ao fechamento do espaço cívico e à repressão da sociedade civil em diferentes regiões do mundo.
É especialmente projetado para:

  • Doadores, fundações filantrópicas e agências de cooperação internacional que desejam rever seus planos de ação em contextos de alto conflito.
  • ONGs internacionais e redes transnacionais que apoiam processos sociais e buscam alternativas a deslocamentos forçados ou contextos de risco.
  • Equipes técnicas, gestores de programas e tomadores de decisão em instituições de cooperação que desejam fortalecer sua capacidade de resposta a crises políticas e paralisações democráticas.
  • Organizações aliadas, consultores e pesquisadores interessados ​​em abordagens de cooperação crítica, feminista, antirracista e decolonial.

Não é necessária experiência prévia específica, mas é essencial ter disposição para questionar modelos convencionais, ouvir organizações sociais e se comprometer com formas de cooperação mais ousadas, úteis e sustentáveis.

O principal objetivo deste curso é repensar a cooperação internacional em contextos marcados por violência estrutural, repressão política, criminalização de defensores dos direitos humanos e exclusão sistemática de povos.
Não se trata apenas de resistir, mas de tornar a cooperação útil, duradoura e acompanhada de significado ético e político.
Com uma abordagem crítica, feminista, antirracista e decolonial, este curso propõe pensar e conceber estratégias viáveis ​​para que a cooperação internacional não se renda à crueldade, mas a confronte com solidariedade radical, imaginação política e corresponsabilidade.

Este curso não é apenas um espaço de aprendizagem, mas um compromisso político para repensar e transformar a cooperação internacional em contextos de repressão e fechamento do espaço cívico. Portanto, sua metodologia baseia-se em princípios de horizontalidade, corresponsabilidade, produção coletiva e cuidado ético.

Abordagem metodológica

  •  Pedagogia crítica e situada: Partimos das experiências reais daqueles que participam, especialmente do Sul, reconhecendo seu conhecimento como uma fonte legítima de saber.
  • Facilitação em vez de ensino: Os professores não estão lá para "ensinar" a partir de uma posição de autoridade técnica, mas sim para Facilitar o diálogo político, ético e estratégico. a partir de suas experiências.
  • Espaços mistos: Iremos combinar sessões síncronas (virtuais) com espaços assíncronos para reflexão, escrita e sistematização compartilhada.
  • Abordagem do workshop: A interação permanente, o uso de perguntas abertas, exercícios coletivos e práticas de escrita colaborativa serão incentivados.
  • Diálogos inter-regionais e diálogos entre experiências situadas: Pessoas de diferentes origens (Nicarágua, Guatemala, El Salvador, etc.) serão convidadas a compartilhar suas experiências de vida, não teorias.
  • Mapeamento coletivo de resistências e estratégias: Ao longo do curso, será construído um mapeamento de aprendizados, tensões e propostas, que alimentará a sistematização final.
  • Sistematização progressiva: Cada sessão deixará registros escritos ou visuais (frases-chave, propostas, histórias), que serão recuperados ao final.

Sessão 1: Nomeando o que dói: Webinar introdutório

Professores: Pablo Vommaro, Mariam Ikermawi e Damaris Ruiz (facilitado por Asier Hernando Malax-Echevarria)

Esta primeira sessão inicia o curso com uma introdução que visa enquadrar criticamente os temas centrais que serão desenvolvidos ao longo do programa. Recorrendo a diversas leituras e perspectivas territoriais, a sessão analisa padrões globais de repressão e a ascensão do autoritarismo, bem como as múltiplas formas como a ação coletiva é restringida em contextos cada vez mais fechados. A sessão oferece uma visão geral introdutória a partir de perspectivas pluralistas e geopoliticamente situadas.

Sessão 2: Crueldade e repressão como um quadro global

Professora: Rosa María Cañete 

Este curso aprofunda a compreensão da crueldade e da repressão estrutural como fenômenos sistêmicos que afetam corpos, territórios e organizações, particularmente na América Latina e no Caribe. Analisa como esses padrões moldam o fechamento do espaço cívico, a criminalização da sociedade civil e a consolidação de sistemas autoritários, racistas e patriarcais. Além disso, reflete sobre as estratégias repressivas globais e os dilemas éticos e políticos que a cooperação internacional enfrenta nesses contextos.

Sessão 3: Cooperação ética diante de regimes repressivos

Professor: Rafael Henríquez García e Nicarágua Nunca Mais

Esta sessão analisa criticamente o papel da cooperação em contextos de fechamento total do espaço cívico, repressão e criminalização. Aborda os dilemas éticos enfrentados pelas ONGs diante da instrumentalização e normalização do autoritarismo. Os riscos reais para as organizações internacionais são examinados, e compromissos mínimos, como coerência política e acompanhamento, são discutidos para sustentar uma cooperação que não abandone aqueles que resistem. Além disso, a sessão aprofunda a experiência de uma organização nicaraguense que, apesar do fechamento e da criminalização, conseguiu manter laços ativos com redes de cooperação internacional e alianças transnacionais.

Sessão 4: Causando impacto em meio ao cerco: estratégias políticas a partir da cooperação

Professores: María Cristina Perceval

Este curso centra-se em como as organizações de cooperação internacional podem exercer influência política a partir do Norte Global sem comprometer a segurança dos seus aliados em contextos repressivos. Através de estratégias éticas e métodos de trabalho específicos ao contexto, explora ferramentas para o envolvimento com regimes autoritários sem recorrer a abordagens paternalistas ou de substituição. Promove a reflexão crítica sobre possíveis formas de defesa de direitos a partir de ambientes seguros, permitindo a ação com uma visão a curto, médio e longo prazo.

Sessão 5: Resistências que sustentam a vida: defendendo o espaço cívico a partir dos territórios

Professoras: Ana Silvia Monzón e María Josefa Macz

Esta sessão destaca estratégias de resistência territorial contra a criminalização e o controle estatal. Enfatiza o conhecimento local e as práticas organizacionais que sustentam o tecido comunitário e os espaços de ação coletiva sem depender de estruturas impostas pela cooperação internacional. Por meio de exemplos concretos de resistência, a sessão examina o papel das ONGs nesses contextos, explorando quando oferecer apoio, quando se retirar e quando permanecer em silêncio para proteger.

Sessão 6: Feminismos em resistência: sustentando a vida em tempos de repressão

Professoras: Damaris Ruiz e Luciana Peker

Esta disciplina aborda como os movimentos e organizações feministas respondem a contextos repressivos por meio de estratégias coletivas, territoriais e éticas. Analisa as maneiras pelas quais gênero, etnia, classe e território se entrelaçam dentro de sistemas repressivos e como os feminismos sustentam a vida, confrontam o poder e organizam a resistência. Além disso, examina o papel da cooperação internacional no apoio a essas lutas, evitando abordagens extrativistas, instrumentalizadoras ou despolitizadas.

Sessão 7: Futuros para uma cooperação que não abandona

Professores: Renata Oliveira e Carlos Bedoya

Esta sessão de encerramento propõe uma reflexão sobre o papel transformador que a cooperação internacional deve assumir diante da ascensão do autoritarismo e da redução do espaço cívico. São explorados modelos alternativos de acompanhamento baseados no compromisso ético e no cuidado. Com base na aprendizagem compartilhada, os participantes vislumbram como construir uma cooperação transformadora, comprometida e não extrativista, politicamente alinhada às lutas por uma vida digna. São identificadas lições fundamentais, juntamente com caminhos para a criação de uma agenda comum rumo a uma cooperação que não abandone seu povo.

 

América Latina, Caribe, África ou Ásia

190 USD

Europa, EUA, Canadá ou Oceania

220 USD

 
 
Em todos os casos, o pagamento pode ser feito por cartão de crédito, depósito ou transferência bancária.
 
*Os residentes da Argentina pagarão o equivalente em pesos argentinos de acordo com a taxa de câmbio oficial do Banco de la Nación Argentina (BNA) no dia do pagamento.
 
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Consultas: [email protected]