Contra a perseguição política promovida pelo governo de Nayib Bukele
Do Grupo de Trabalho da CLACSO sobre Violência na América Central Gostaríamos de expressar nossa profunda preocupação com a escalada autoritária do governo de Nayib Bukele em El Salvador.
Após mais de três anos desde a declaração do estado de emergência sob o pretexto de combater gangues, temos visto como ele tem sido usado como instrumento de perseguição política contra jornalistas da oposição, líderes sociais e defensores dos direitos humanos, enquanto o acesso a documentos e dados oficiais se torna cada vez mais difícil.
Os casos mais recentes são as prisões de Ruth López, Atilio Montalvo, Fidel Zavala e Alejandro Henríquez. Esses não são incidentes isolados, mas sim parte de uma política sistemática que criminaliza e prende opositores políticos, ativistas sociais, líderes comunitários e organizações da sociedade civil que se manifestam contra as violações dos direitos humanos e a perda de seus meios de subsistência sob o estado de emergência.
A isso se soma a recente aprovação, pela Assembleia Legislativa, da "Lei dos Agentes Estrangeiros", que penaliza o trabalho e as doações recebidas por organizações da sociedade civil.
Com base em nosso trabalho como cientistas sociais:
Afirmamos que o autoritarismo e a perseguição política não são o caminho para desarmar a violência e construir a tão esperada paz para o povo salvadorenho.
Exigimos a libertação imediata das pessoas que foram presas arbitrariamente, simplesmente por serem líderes na luta pelos direitos humanos.
Nos solidarizamos com as famílias, entes queridos e trabalhadores de organizações da sociedade civil que estão sofrendo perseguição governamental.
26 de maio de 2025
Grupos de Trabalho da CLACSO
Violência na América Central
Esta declaração expressa a posição do referido Grupo de Trabalho e não necessariamente a dos centros e instituições que compõem a rede internacional CLACSO, seu Comitê Diretivo ou seu Secretariado Executivo.
