Congresso sobre racismo e desigualdades estruturais

Nos dias 4 e 5 de junho, na sede da Universidade Metropolitana de Educação e Trabalho (UMET), será realizado o “Primeiro Congresso sobre Racismo e Desigualdades Estruturais“,” uma iniciativa organizada pelo Centro de Estudos sobre Racismo e Desigualdades da Universidade Metropolitana de Educação e Trabalho (UMET), com o apoio da CLACSO e da CITRA. Ao longo de dois dias, pesquisadores, ativistas e figuras de destaque de diversos países da América Latina e do Caribe debaterão um dos problemas mais persistentes da região: as formas como o racismo continua a estruturar as desigualdades no acesso a direitos, representação política, educação, justiça, trabalho e vida cotidiana.

O Congresso reúne mais de sessenta apresentações da Argentina, Brasil, Colômbia, Cuba, Chile, México, Venezuela, Guatemala, Peru e Equador, entre outros países. Ao longo dos diversos painéis, serão abordados temas como racismo institucional, violência estatal, migração, feminismos negros, saúde pública, memória, educação, produção cultural e experiências de organização política de afrodescendentes e indígenas.

A abertura está sendo gerenciada por Nicolau Trotta, Vice-presidente nacional e presidente do Conselho Acadêmico da UMET; Pablo Vommaro, Diretor Executivo da CLACSO; Fernando LópezSecretário de Pesquisa e Desenvolvimento da UMET; e Federico Pita Diretora do Centro de Estudos sobre Racismo e Desigualdades e coordenadora do Grupo de Trabalho da CLACSO "Antirracismo e Afrodescendentes no Sul Global".

UMET: Sarmiento 2037, Cidade Autônoma de Buenos Aires


Em seu discurso, Pablo Vommaro afirmou que “Na CLACSO, sabemos que as ciências sociais, humanas e artísticas da América Latina e do Caribe têm uma longa tradição de pensamento crítico comprometida com a compreensão e a transformação das desigualdades sociais multidimensionais. Mas também sabemos que as desigualdades raciais têm sido abordadas de forma insuficiente tanto nos círculos acadêmicos quanto nas políticas públicas. Portanto, agora mais do que nunca, é essencial fortalecer uma agenda de pesquisa, reflexão e ação que contribua para tornar visíveis e transformar as múltiplas formas que o racismo estrutural assume em nossas sociedades.”

O momento histórico que estamos vivendo atingiu um ponto de virada em 25 de março, quando a Assembleia Geral da ONU adotou uma resolução histórica declarando o tráfico transatlântico de escravos e a escravidão racializada como os crimes mais graves contra a humanidade. A iniciativa recebeu 123 votos a favor e foi rejeitada apenas pela Argentina, pelos Estados Unidos e por Israel.

A resolução, que busca fazer com que as nações assumam a responsabilidade histórica por regimes exploradores, possui 3 pontos-chave fortemente ligados a este Congresso:

Não-prescrição: O texto reafirma que os crimes relacionados a esse tráfico não prescrevem e constituem violações do direito internacional.

Justiça restaurativa: estabelece o debate internacional sobre reparações, incluindo pedidos formais de desculpas, compensação, reabilitação e restituição de bens culturais.

Reconhecimento de gênero: Denuncia a violência sexual e a reprodução forçada a que as mulheres escravizadas foram submetidas.

A resolução foi promovida pelo Gana e apoiada pela União Africana e pela Comunidade do Caribe (CARICOM).

Este Congresso nos convida precisamente a considerar o racismo não como um problema individual ou circunstancial, mas como uma dimensão histórica e estrutural que permeia as relações sociais, econômicas, culturais e políticas. Ele nos convoca a compreender como as desigualdades raciais se entrelaçam com outras formas de exclusão e como afetam persistentemente as condições de vida, o acesso a direitos e as oportunidades de milhões de afrodescendentes, negros e afro-diaspóricos na América Latina e no Caribe.

Nesse contexto, gostaria de destacar especialmente o trabalho que foi realizado por Grupo de Trabalho da CLACSO “Antirracismo e afrodescendentes no Sul Global”Este é um espaço que busca consolidar uma perspectiva crítica capaz de articular a produção de conhecimento, a defesa pública e o diálogo com os movimentos sociais. O Grupo de Trabalho se baseia em uma convicção fundamental: não é possível conceber democracia, igualdade e justiça social sem colocar a luta contra o racismo no centro e sem reconhecer as populações afrodescendentes como sujeitos políticos, históricos e epistêmicos fundamentais para a construção de sociedades mais justas.

Gostaria também de mencionar o Seminário virtual “Reparações históricas e desigualdades interligadas: rumo à justiça reparadora e às afro-reparações”que nós, da CLACSO, promovemos como um espaço de formação, debate e construção coletiva. O seminário busca contribuir para uma discussão cada vez mais necessária em nossa região: como pensar as reparações históricas não apenas como mecanismos compensatórios, mas como processos de profunda transformação orientados para a justiça racial, a democratização de nossas sociedades e o reconhecimento das lutas históricas dos povos afrodescendentes e da diáspora africana.

Encontramo-nos também num contexto regional e global particularmente desafiador. Assistimos à ascensão do discurso de ódio, das expressões racistas, de novas formas de exclusão e de projetos políticos que procuram negar ou minimizar as desigualdades existentes. Neste contexto, espaços como este Congresso adquirem uma importância estratégica. Porque a produção de conhecimento crítico, o fortalecimento do diálogo entre a academia e os movimentos sociais e a construção de agendas coletivas são tarefas fundamentais para o fortalecimento e a revitalização da democracia e a expansão dos direitos.

Na CLACSO, reafirmamos nosso compromisso com a construção de uma agenda antirracista transversal que contribua para desafiar as hierarquias históricas que ainda persistem em nossas instituições, nossos sistemas de conhecimento e nossas sociedades. Não basta simplesmente nos declararmos contra o racismo; o desafio é construir ativamente práticas, políticas e instituições antirracistas. concluído.


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Este é um espaço interdisciplinar para pesquisadores, ativistas e artistas, com o objetivo de fortalecer a análise crítica sobre as desigualdades, focando nas experiências afrodescendentes na América Latina e no Caribe e suas contribuições para a justiça social, a cultura e os direitos humanos.

A realização deste primeiro Congresso também reflete a consolidação de um campo de estudos que ganhou visibilidade nos últimos anos na Argentina e na América Latina. Diante de discursos que negam ou minimizam a existência do racismo, o evento oferece um espaço para produzir conhecimento, trocar experiências e fortalecer redes acadêmicas e políticas comprometidas com a transformação das desigualdades históricas que continuam a moldar nossas sociedades.


Áreas de foco:
• Racismo, políticas públicas e ação coletiva
• Desigualdade e racialização numa perspectiva histórica
• Feminismos negros e populares nas Américas e no Caribe
• Narrativas visuais, literárias e performáticas


Chamada aberta para:
• Apresentações de pesquisa (em andamento ou concluídas)
• Experiências de ativismo ou práticas culturais
• Propostas artísticas e audiovisuais


Organizado pela UMET, através do seu Centro de Estudos sobre Racismo e Desigualdades – CLACSO – DIAFAR (Diáspora Africana da Argentina) – CONICET e o Centro de Inovação dos Trabalhadores (CITRA). O encontro conta com a participação e o apoio do Grupo de Trabalho do CLACSO "Antirracismo e Afrodescendentes no Sul Global".