Conferência Internacional sobre Reforma Agrária e Desenvolvimento Rural

La II Conferência Internacional sobre Reforma Agrária e Desenvolvimento Rural (ICARRD+20) O evento ocorreu em Cartagena das Índias, de 24 a 28 de fevereiro, precedido por um Encontro Acadêmico do 20 ao 23 para fevereiro.
La Conferência Acadêmica Internacional “Pela Terra, pela Vida e pela Sociedade” De sexta-feira, 20 de fevereiro, a segunda-feira, 23 de fevereiro, na Universidade de Cartagena, co-organizado por CLASSO, foi um dos espaços preliminares que precederam o Segunda Conferência Internacional sobre Reforma Agrária e Desenvolvimento Rural (ICARRD + 20), Organizado pelo Governo da Colômbia com o apoio do Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) e a co-organização de Governo do Brasil, dado que o Conselho Latino-Americano de Ciências Sociais (CLACSO) Ela faz parte da comissão organizadora, de comunicação e metodológica da Conferência.

CONFERÊNCIA ACADÊMICA INTERNACIONAL “TERRA, VIDA E SOCIEDADE”
20 a 23 de fevereiro
Participação da CLACSO:
-Sábado, 21 de fevereiro
• Álvaro AcevedoPainel: “Apropriação de terras e recursos, a guerra contra as drogas e conflitos violentos”
-Sábado, 21 de fevereiro
Carlos VacafloresPainel: “Política de recursos naturais no contexto da água, da crise climática e da biodiversidade”
-Domingo, 22 de fevereiro
Lia PinheiroPainel: “Geopolítica, imperialismo, cooperação Sul-Sul e caminhos alternativos”
-Domingo, 22 de fevereiro
Pablo VommaroPainel de fechamento

Pablo Vommaro com a Ministra do Meio Ambiente da Colômbia, Irene Vélez Torres (acima)
e com a Ministra da Agricultura e Desenvolvimento Rural da Colômbia, Martha Carvajalino. (baixa)

DOCUMENTO FINAL DA CONFERÊNCIA ACADÊMICA
Ato de abertura



Painéis e atividades





Painel de fechamento



Na sua intervenção, Pablo Vommaro considerou que “Na CLACSO, adotamos uma abordagem para a reforma agrária que se afasta de uma perspectiva agrocêntrica e de um foco limitado no acesso à terra. Propomos conceber a reforma agrária a partir de uma perspectiva abrangente que, partindo dos bens comuns e públicos, integre ecossistemas, água, cuidado com a vida, processos comunitários, territórios, sistemas alimentares resilientes e direitos coletivos. Nesse sentido, enfatizamos a importância dos espaços comunitários, territórios, florestas e cursos d'água como atores-chave nos processos de reforma agrária. Consideramos essencial incorporar uma abordagem interseccional que leve em conta gênero, etnia/raça, classe e território, bem como uma dimensão geracional, reconhecendo o papel dos jovens com participação igualitária.”
“Uma questão importante que nos permitirá avançar neste processo.” -contínuo- Trata-se de como proteger e preservar as conquistas e os processos que construímos diante do avanço de políticas regressivas. Nesse sentido, a autonomia é uma ferramenta para alcançar esse objetivo, assim como as reparações históricas (uma R que precisam ser incorporadas) são fundamentais para que as reformas agrárias também constituam processos de justiça. Apoiamos a abordagem baseada em justiças multidimensionais (de gênero e diversidade, racial, climática, territorial, fiscal, epistêmica e até algorítmica), reparações históricas e soberanias (soberania alimentar, entre outras).
Então ele acrescentou: Com base nisso, a CLACSO propõe as seguintes estratégias para dar seguimento aos acontecimentos da Conferência Acadêmica Internacional, do Fórum Social e do ICARRD + 20, visando o próximo ICCARD e além:
– A articulação entre espaços acadêmicos críticos e transformadores e organizações sociais deve se traduzir em trabalho com governos e em políticas públicas bem fundamentadas, com protagonismo social e uma perspectiva de longo prazo.
– Apelamos aos governos para que trabalhem em conjunto a fim de garantir os direitos territoriais coletivos dos povos indígenas, afrodescendentes, negros e afro-diaspóricos, das comunidades pesqueiras, pastoris e agrícolas, e para assegurar o princípio da não regressão dos direitos coletivos e territoriais adquiridos.
– Solicitamos também aos governos que incorporem as reformas agrárias nas agendas das organizações multilaterais do sistema das Nações Unidas, especialmente a FAO e seus comitês, para garantir a transparência, o respeito aos direitos, às instituições democráticas e para promover a participação das comunidades e dos povos que são sujeitos de direitos originários na resolução de conflitos.
– Apelamos à criação, no âmbito da Conferência Acadêmica Internacional, do Fórum Social e do ICARRD + 20, dos mecanismos e processos institucionais necessários para garantir o acompanhamento dos acordos resultantes desses três espaços, de modo que o próximo ICCARD seja uma expressão do progresso que alcançarmos nos próximos dois anos para restabelecer um espaço de monitoramento e defesa com participação multissetorial.
– Por fim, apelamos aos Estados para que desenvolvam nas suas políticas nacionais processos de reforma agrária que restaurem, reconheçam e respeitem os direitos coletivos e territoriais dos povos e das nações em relação aos direitos para terra e da terra. Isso nos permitirá articular as decisões tomadas na Conferência Acadêmica, no Fórum Social e no ICARRD + 20 com a agenda da COP30, para sustentar abordagens transversais, multidimensionais e multissetoriais e avançar na construção de uma comunidade de futuro compartilhado e novos mundos com justiça, democracia e igualdade como alternativa à crise civilizacional e climática.”
“Eles podem contar com a CLACSO para assumir e implementar esses compromissos.” concluído.

ICARRD+20
24 a 28 de fevereiro
O objetivo do encontro foi atualizar a agenda internacional sobre governança da terra, com foco na questão da Reforma Agrária, no acesso equitativo à terra e na justiça social e climática, sob a perspectiva da Agroecologia.
Representantes de países, organizações sociais, comunidades indígenas, agricultores, setor privado, academia e entidades multilaterais participaram da comemoração do 20º aniversário da primeira conferência, realizada em 2006 em Porto Alegre, Brasil.

Terra, vida e futuro: rumo ao ICARRD
No âmbito do processo preparatório para a Segunda Conferência Internacional sobre Reforma Agrária e Desenvolvimento Rural (ICARRD+20), o webinar “Terra, vida e futuro: rumo ao ICARRD”, concebido como um espaço para diálogo estratégico e de alto nível entre instituições públicas, academia e movimentos sociais em torno de uma questão central e urgente: as reformas agrárias para o século XXI.
Áreas temáticas do ICARRD+20
Reforma Agrária e Sistemas Alimentares Sustentáveis: Esta seção aborda o papel central da reforma agrária na construção de sistemas alimentares justos, resilientes e ambientalmente sustentáveis. Explorará como uma distribuição equitativa da terra é fundamental para transformar o mundo rural, promovendo práticas que combatem a degradação ambiental e garantem a produção de alimentos a longo prazo.
- Combate à Fome e Governança Alimentar Global: Este tema aborda a interseção crucial entre posse da terra, fome e pobreza. Analisará como a segurança e a soberania alimentar, juntamente com o direito humano à alimentação, devem ser pilares das estruturas de governança global, vinculando diretamente a reforma agrária à erradicação da fome.
- Gestores de Terras e Ação Coletiva: Este tema centra-se no papel fundamental das comunidades rurais, indígenas e camponesas como detentoras de direitos e guardiãs dos ecossistemas. As discussões irão explorar como fortalecer a sua ação coletiva para a restauração do solo e da biodiversidade, reconhecendo o seu conhecimento tradicional e a sua gestão da terra.
- Justiça de Gênero no Acesso à Terra: Este ponto destaca a necessidade de garantir os direitos das mulheres à terra e à propriedade como elemento central da reforma agrária. Inclui o empoderamento econômico, o acesso a recursos produtivos e a justiça de gênero para assegurar que as mulheres sejam tanto beneficiárias quanto líderes efetivas do desenvolvimento rural.
Governança Integrada da Terra e Políticas Convergentes: Esta abordagem propõe expandir a agenda de governança da terra para além da distribuição, integrando políticas-chave como ação climática, restauração de ecossistemas, regulamentação do comércio e investimento, tributação, financiamento, digitalização, seguridade social e direitos trabalhistas. O objetivo é proteger os solos agrícolas por meio de uma abordagem multissetorial.
- Mecanismos Internacionais para a Posse Equitativa da Terra: Esta seção avalia o papel das instituições globais (como a FAO e o Comitê de Segurança Alimentar Mundial – CSA) e outros mecanismos de governança na promoção da posse equitativa da terra e do desenvolvimento rural sustentável. Analisará como esses órgãos podem apoiar e monitorar os compromissos internacionais com a reforma agrária.
A Primeira Conferência Internacional sobre Reforma Agrária e Desenvolvimento Rural, realizada pela FAO no Brasil em 2006, marcou um ponto de virada global ao posicionar o acesso equitativo à terra como condição essencial para o combate à fome, a redução da pobreza rural e o fortalecimento da paz. Sua Declaração Final impulsionou compromissos internacionais que, posteriormente, levaram a marcos importantes, como a Declaração das Nações Unidas sobre os Direitos dos Povos Indígenas, as Diretrizes Voluntárias sobre Governança da Terra adotadas em 2012 e o reconhecimento do acesso à terra na Agenda 2030. A conferência também promoveu maior proteção aos camponeses, aos povos indígenas e às mulheres rurais contra a desigualdade e a exclusão histórica.
Em outubro de 2024, o Comitê de Segurança Alimentar Mundial aceitou a proposta da Colômbia para sediar a Conferência Internacional sobre Reforma Agrária e Desenvolvimento Rural (ICARRD+20). Posteriormente, o Conselho da FAO ratificou essa decisão em sua 176ª sessão, em dezembro de 2024, conferindo plena legitimidade internacional a esse processo.
Assim, a ICARRD+20, vinte anos após a histórica Conferência de Porto Alegre (2006), reúne governos, organizações internacionais, povos indígenas, camponeses, afrodescendentes, mulheres rurais e jovens de mais de 100 países. Esta conferência relança a agenda internacional sobre acesso equitativo à terra, reforma agrária e desenvolvimento rural sustentável.