Declaração das comunidades rurais, camponesas e indígenas de Honduras 

 Declaração das comunidades rurais, camponesas e indígenas de Honduras 

Nós, os membros de Grupo de Trabalho CLACSO: Estudos Críticos sobre Desenvolvimento Rural Perante a comunidade nacional e internacional, condenamos as violações dos direitos humanos e o desrespeito ao devido processo legal dos 8 ambientalistas de Guapinol que estão detidos na prisão de segurança máxima em Honduras.

Desde o golpe de 2009, as comunidades camponesas e indígenas em Honduras têm sofrido constante repressão e criminalização por parte do governo, das forças militares e paramilitares.

A violência e a criminalização contra defensores dos direitos humanos e defensores do bem comum são patrocinadas por empresários, latifundiários, militares e tribunais de justiça.

Desde 2014, comunidades e organizações de direitos humanos e defesa dos bens comuns resistem à abertura de uma mina de óxido de ferro, que afetaria os rios Guapinol e San Pedro e o Parque Nacional Carlos Escaleros, na Montaña el Botadero, em Tocoa, Colón, Honduras. Em agosto de 2018, teve início o “Acampamento Guapinol em Defesa da Água e da Vida”, que tem sido alvo de constante repressão policial e militar, culminando em um violento despejo em outubro do mesmo ano, após 88 dias de ocupação.

Expressamos nossa profunda preocupação com a grave criminalização dos defensores desses rios. Atualmente, o Estado hondurenho mantém sete defensores do Rio Guapinol presos em uma penitenciária de segurança máxima e um na penitenciária de La Ceiba. Há também diversos processos em aberto contra indivíduos que participaram desse movimento.

Expressamos nossa solidariedade à nossa colega Irma Lemuz Amaya, membro do Grupo de Trabalho de Estudos Críticos sobre Desenvolvimento Rural da CLACSO, que, como defensora dos direitos humanos e do bem comum, tem sofrido constantes ataques e ameaças à sua vida e à vida de seus entes queridos. Irma se junta à longa lista de mulheres e homens em Honduras que vivem no exílio devido a essas constantes ameaças à sua vida.

Denunciamos as ameaças contra nossa camarada Irma não como um incidente isolado, mas sim como uma prática sistemática de assédio, perseguição e violência contra aqueles que se opõem a projetos extrativistas de morte e pilhagem. Por essa razão, unimo-nos às vozes que denunciam os constantes ataques contra mulheres defensoras da terra e do território.

 Setembro 2019
Grupo de Trabalho CLACSO
Estudos críticos sobre o desenvolvimento rural

Esta declaração expressa a posição dos membros do Grupo de Trabalho sobre Estudos Críticos do Desenvolvimento Rural e não necessariamente a dos centros e instituições que compõem a rede internacional CLACSO, seu Comitê Diretivo ou seu Secretariado Executivo.