Declaração sobre as tentativas de golpe de Estado na Bolívia.
Do Grupo de Trabalho da CLACSO sobre Estudos Críticos do Desenvolvimento Rural Repudiamos as tentativas de um novo golpe de Estado na Bolívia, liderado pelo governador do departamento de Santa Cruz, Luis Fernando Camacho, pelo presidente do Comitê Cívico Pró-Santa Cruz, Rómulo Calvo, e pelo ex-presidente e protegido do ditador Hugo Banzer Suarez, Jorge Tuto Quiroga.
Nas últimas semanas, os atores mencionados empregaram as mesmas táticas utilizadas em 2019 para derrubar Evo Morales: convocaram forças paramilitares e grupos fascistas para bloquear as ruas de Santa Cruz sob o pretexto de antecipar as datas do censo nacional para 2023. No entanto, o motivo por trás dessas ações tem sido, e continua sendo, desestabilizar o país para que as oligarquias de Santa Cruz possam perseguir seus interesses privados. Nesse sentido, a atmosfera de terror gerada no departamento tem sido permeada por retórica e violência odiosas, sexistas, racistas e discriminatórias, o que pressionou cidadãos comuns, especialmente aqueles que dependem do comércio informal para sobreviver, a interromper suas atividades comerciais e de subsistência, exacerbando, assim, a desigualdade econômica na região.
Além disso, a violência, o ódio e o racismo promovidos pelo fascismo boliviano, representado por Camacho e Calvo, levaram grupos paramilitares a subjugar o povo indígena Ayoreo do município de Concepción, incendiando suas casas e agredindo mulheres e crianças. Ademais, em bloqueios de estradas, criminosos estupraram mulheres, ameaçaram a segurança de pessoas LGBTQ+ e assassinaram pessoas que tentavam chegar à cidade para trabalhar e sustentar suas famílias. Esses atos criminosos resultaram em quatro mortes e mais de 178 feridos no departamento de Santa Cruz.
Cabe mencionar que a violência gerada por esses grupos criminosos não se limita ao que foi dito acima, pois ontem, agentes do fascismo incendiaram a sede da Federação Unificada dos Sindicatos Camponeses de Santa Cruz, que abrigava mais de 66 pessoas no momento do ato criminoso, e saquearam as instalações do Centro Departamental de Trabalhadores.
Nesse sentido, o Grupo de Trabalho da CLACSO sobre Estudos Críticos do Desenvolvimento Rural condena a violência fascista e neonazista perpetrada pela direita boliviana contra as populações indígenas e camponesas do país e suas organizações, e contra as pessoas comuns que trabalham na economia informal para ganhar o pão de cada dia, especialmente mulheres e pessoas LGBTQ+. Saibam, irmãos e irmãs, que estamos com vocês, mesmo à distância, e lamentamos profundamente o que lhes foi feito. Nossos corações e pensamentos estão com vocês.
Por fim, aproveitamos esta oportunidade para instar o Estado boliviano a restaurar a integridade e a dignidade dos setores sociais bolivianos que sofreram os atos desumanos perpetrados por Camacho e pelo grupo de Calvo. Além disso, conclamamos todas as organizações sociais e acadêmicas da América Latina a se unirem a nós na denúncia desses atos, que representam uma ameaça ao povo da Bolívia e da região.
O fascismo não passará! Viva a abyayala! Viva a resistência popular!
14 novembro 2022
Grupo de Trabalho CLACSO
Estudos críticos sobre o desenvolvimento rural
Esta declaração expressa a posição de Grupo de Trabalho CLACSO: Estudos Críticos sobre Desenvolvimento Rural e não necessariamente a do Centros e instituições que compõem a rede internacional CLACSO, seu Comitê Diretivo ou seu Secretariado Executivo.
