"#CLACSO2025 é um espaço fundamental para a construção de alternativas futuras em nossa região"
Transcrição da coluna de Karina Batthyány
Em InfoCLACSO – 7 de maio de 2025
Estamos a um mês do início da Assembleia mais importante da CLACSO, um fórum institucional político e acadêmico realizado a cada três anos. Nela, serão debatidas as principais áreas de atuação para os próximos três anos, bem como as conquistas do período de 2022-2025, em uma América Latina e Caribe que atravessa momentos críticos, encruzilhadas e grandes dilemas.
Na próxima Assembleia Geral Ordinária, que ocorrerá nos dias 7 e 8 de junho de 2025 em Bogotá, Colômbia, serão discutidas as áreas temáticas definidas na #CLACSO2025 e, além disso, será realizada a eleição da pessoa que liderará nossa rede no período de 2025 a 2028.
Antes disso, no dia 14 de maio, teremos o segundo debate entre Pablo Vommaro, Isabel Piper e Alhena Caicedo Fernández, que concorrem à direção executiva da #CLACSO2025. Nos dias 7 e 8 de junho, realizaremos nossa sessão da Assembleia e, a partir do dia 9, inauguraremos a X Conferência Latino-Americana e Caribenha de Ciências Sociais, “Horizontes e Transformações para a Igualdade: Democracias, Resistência, Comunidades, Direitos e Paz”, na Universidade Nacional da Colômbia e na Ágora de Bogotá.
– No âmbito do processo de paz e da atual presidência que está fazendo a diferença na região, qual a importância de realizar esta conferência em Bogotá, Colômbia?
– Quando tomamos a decisão, juntamente com nossos Centros Membros, de propor a Colômbia como possível sede da nossa Conferência #CLACSO2025, um dos fatores determinantes foi o seu processo político com a chegada, pela primeira vez, de um governo progressista e os desafios que isso implicou em 2022.
Escolhemos a Colômbia dentro de um contexto de questões cruciais para toda a região, como democracia, paz e direitos humanos, que assumem um caráter muito particular naquele país. Também foi discutido que 2025 marcaria o centenário de Orlando Fals Borda, intelectual colombiano, latino-americano e caribenho que influenciou todos nós que buscamos formação em ciências sociais e cujo pensamento permanece inegavelmente relevante hoje.
– Sabemos que haverá muitas atividades: painéis, fóruns e sessões de apresentação… Quando os materiais estarão disponíveis no site da CLACSO?
– Podemos adiantar alguns detalhes e dizer que a programação em desenvolvimento estará disponível em breve. Peço a paciência de todos, pois estamos falando de um grande número de atividades acadêmicas, já que recebemos mais de 4.000 inscrições, além dos mais de 40 fóruns que realizaremos, bem como centenas de painéis e workshops.
Como se tudo isso não bastasse, teremos uma Feira do Livro de Ciências Sociais, Humanas e Artes, um Festival de Cinema e outras atividades culturais e artísticas paralelas à nossa Conferência. E, claro, assim como na #CLACSO2022 no México, realizaremos Diálogos com Mestres focados em temas-chave para a região e as ciências sociais.
A CLACSO tem trabalhado sistematicamente em seu projeto Plataformas para o Diálogo Social (PDS), mas também em outras atividades que o Conselho realiza em toda a região da América Latina e do Caribe.
Teremos uma interessante série de diálogos: um centrado no tema “Feminismos na Chave da Memória e da Luta na América Latina e no Caribe”, com três palestrantes de alto nível: Dora Barrancos, Mara Viveros e Gladys Tzul Tzul. Outro diálogo abordará “A Virada Conservadora da Extrema Direita como Projeto Político e Cultural”, com Marga Ferré, Gerardo Caetano e Gabriela Montaño.
Em relação às questões ambientais, teremos dois diálogos principais: o primeiro, “A América Latina diante da crise climática, pactos ecossociais e alternativas na perspectiva do bem viver”, com Maristella Svampa, Tatiana Roa e Enrique Leff. O segundo, “Ecologias políticas do Sul, mudanças climáticas e alternativas de desenvolvimento na América Latina e no Caribe”, com Arturo Escobar, Denisse Roca-Servat e Joan Martinez-Alier.
Em seguida, na sessão sobre “Migração e Deslocamento Humano sob uma Perspectiva Latino-Americana e Caribenha”, teremos Gioconda Herrera, Silvia Giorguli e Rebeca Peralta. Outro tema fundamental que não poderia ser omitido e que é central para a América Latina e o Caribe é a desigualdade e a pobreza, que serão abordadas em “Um Panorama das Desigualdades: Desafios e Horizontes no Sul Global”, com Laís Abramo, Rodrigo Arim e Anita Bear.
Na sessão sobre “Movimentos Sociais do Sul Global: Alternativas e Desafios”, teremos Geoffrey Pleyers e Manuela D'Ávila. No diálogo “Transformações do Trabalho no Capitalismo Digital: Entre a Precariedade e a Resistência”, teremos Juan Carlos Celis Ospina, Marcio Pochmann e Nora Goren.
Victor Moncayo, Guadalupe Valencia e Ricardo Moreno discutirão “A educação como bem comum e direito humano: alternativas, conflitos e desafios”. Silvia Federici, Laura Pautassi e eu debateremos “O cuidado sob uma perspectiva feminista: tensões, reconhecimentos e transformações”.
No que diz respeito ao tema “Racismo e Antirracismo Hoje: Disputa, Reconhecimento e Reparações”, teremos Claudia Miranda, Francia Márquez e Federico Pita. O diálogo “Geopolítica do Sul: América Latina e Caribe na Encruzilhada Global” contará com a participação de Mónica Bruckmann, John Saxe Fernández e Breno Bringel.
Teremos também um diálogo sobre “Inteligência artificial, ciências sociais e pensamento crítico” com Joan Subirats, Ana Laura Rivoir e Flavia Acosta; um diálogo sobre “Políticas para a igualdade, gênero, justiça e mudança social” com Carlos Rosero, Citlalli Hernández e Ada Colau; e um diálogo sobre ciência aberta, avaliação e o trabalho da FOLEC, “Avaliação científica em disputa: propostas da América Latina e do Caribe”, com Juan Piovani, Ismael Ràfols e Elea Giménez.
E, por fim, teremos o diálogo “Democracia, direitos humanos e paz: fundamentos para a convivência no século XXI”, que contará com a presença de Álvaro García Linera, Víctor Moncayo e a presidente das Mães da Praça de Maio, Carmen Arias.
– Estamos num momento em que a centralidade dos movimentos sociais é muito alta, não só na Colômbia, mas em toda a América Latina. Em alguns lugares, o avanço da direita tenta restringir direitos arduamente conquistados, mas em outros, movimentos progressistas estão obtendo avanços significativos, e os movimentos sociais estão definindo a agenda a partir das ruas. Qual a importância dos movimentos sociais e de sua participação ativa em nossa Conferência #CLACSO2025?
– A CLACSO não existe sem os movimentos sociais. A conexão entre conhecimento, movimentos sociais e aqueles que atuam na área de políticas públicas é o que nos define como instituição. Os movimentos sociais participarão ativamente de todos os eventos da #CLACSO2025.
Além disso, sabemos que dois prêmios CLACSO para movimentos sociais serão entregues durante a abertura do nosso evento. A 10ª Conferência Latino-Americana e Caribenha de Ciências Sociais é um fórum fundamental para a construção de futuros alternativos em nossa região. É também um momento para celebrar a CLACSO como organização, uma rede que fomenta o pensamento crítico e reconhece o trabalho das ciências sociais, humanas e artísticas, que atualmente são alvo de ataques e desvalorização em alguns países.
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