CLACSO presente na reunião “Reforma da avaliação da pesquisa”
El Conselho Latino-Americano de Ciências Sociais (CLACSO), por meio do Foro Latinoamericano sobre Avaliação Científica (FOLEC), participou no dia 2 de junho na reunião internacional “Reforma da avaliação da pesquisa: perspectivas regionais e diálogo global"(Reformando a Avaliação da Pesquisa: Perspectivas Regionais e Diálogo Global), realizada em Singapura e considerada um dos espaços mais relevantes para o intercâmbio internacional sobre o futuro da avaliação da pesquisa.
O encontro reuniu representantes de órgãos de financiamento, agências nacionais de ciência e tecnologia, universidades, associações acadêmicas e redes internacionais que atualmente lideram processos de reforma da avaliação científica em diferentes regiões do mundo. Entre os participantes, estavam representantes do Conselho Global de Pesquisa (GRC), da Coalizão para o Avanço da Avaliação da Pesquisa (CoARA), da Declaração sobre Avaliação da Pesquisa (DORA), fundações filantrópicas, agências de financiamento e organizações especializadas em política científica e ciência aberta.
O objetivo do encontro foi trocar experiências regionais, identificar desafios comuns e fortalecer a coordenação internacional de iniciativas que buscam transformar os sistemas de avaliação da pesquisa, historicamente focados em indicadores bibliométricos e métricas de impacto que têm sido cada vez mais questionados por amplos setores da comunidade científica global.

Em representação de CLASSO Ele participou Daniela Perrotta, coordenador de FOLEC, que apresentou os progressos promovidos pelo Fórum e compartilhou a perspectiva latino-americana e caribenha sobre os processos de avaliação científica.
Em seu discurso, Perrotta enfatizou que a América Latina e o Caribe têm uma história singular no desenvolvimento de alternativas aos modelos dominantes de avaliação e comunicação científica. Muito antes de a reforma da avaliação se tornar uma agenda global, a região já havia desenvolvido iniciativas pioneiras relacionadas ao acesso aberto não comercial, à bibliodiversidade, ao multilinguismo e à defesa do conhecimento como um bem público.

Nesse contexto, ele observou que o FOLEC foi criado em 2019 como uma iniciativa da CLACSO para canalizar e articular debates, preocupações e propostas já presentes em amplos setores das comunidades acadêmicas e científicas da região. Desde então, o Fórum se consolidou como um dos principais espaços de reflexão, capacitação e defesa da avaliação científica na América Latina e no Caribe.
A participação da CLACSO nesses diálogos internacionais decorre da convicção de que as discussões sobre avaliação científica não são meramente técnicas. Pelo contrário, envolvem decisões estratégicas sobre qual conhecimento é reconhecido, quais agendas de pesquisa são incentivadas, quais linguagens são legitimadas e quais contribuições são consideradas valiosas para as sociedades.
Dessa perspectiva, a CLACSO promove uma visão de avaliação científica baseada nos princípios de equidade, diversidade, relevância social e abertura do conhecimento. Esses princípios foram consagrados na Manifesto de Bogotá sobre Avaliação Científica, desenvolvido no âmbito da FOLEC, que propõe avançar em direção a sistemas de avaliação contextualizados e inclusivos, capazes de reconhecer a pluralidade de formas de produção e circulação de conhecimento.
A experiência do Escola Latino-Americana de Avaliação Científica, uma iniciativa de formação desenvolvida pela FOLEC para fortalecer as capacidades institucionais e contribuir para a formação de novas gerações de avaliadores comprometidos com abordagens responsáveis à avaliação da pesquisa.

A presença da CLACSO nesta reunião possibilitou destacar as contribuições da América Latina e do Caribe para um debate de crescente relevância internacional e fortalecer os laços de cooperação com organizações e iniciativas de outras regiões do mundo.
Num contexto global marcado por profundas transformações nos sistemas de ciência, tecnologia e inovação, o CLACSO reafirma o seu compromisso com a construção de modelos de avaliação que reconheçam a diversidade do conhecimento, fortaleçam a ciência como um bem público e contribuam para a democratização da produção e circulação do conhecimento em todo o mundo.
A participação nesses fóruns de alto nível é estratégica para garantir que as vozes, experiências e prioridades da América Latina e do Caribe sejam incluídas nas discussões globais sobre o futuro da ciência. Para a CLACSO, a reforma da avaliação científica representa uma oportunidade de avançar rumo a sistemas de conhecimento mais democráticos e pluralistas, comprometidos com os desafios que nossas sociedades enfrentam, e de incorporar ao debate internacional as contribuições que a região tem feito ao longo de décadas nas áreas de acesso aberto, bibliodiversidade, cooperação acadêmica e ciência voltada para o bem comum..