Ciclo de palestras abertas – Semeando o futuro: Juventude, territórios e agroecologia nos Andes
Organizado por: CLACSO e McKnight
Este ciclo de palestras abertas oferece um espaço para reflexão, troca de ideias e construção coletiva de conhecimento sobre os desafios e oportunidades enfrentados por jovens, comunidades rurais e territórios andinos no contexto das transformações socioambientais contemporâneas. Com base em experiências no Peru, Bolívia e Equador, explora as contribuições da agroecologia crítica para a sustentabilidade dos sistemas agroalimentares, a conservação da agrobiodiversidade, a defesa de territórios e o desenvolvimento de alternativas para as múltiplas crises que afetam as sociedades rurais.
As diversas sessões exploram o papel das universidades e dos processos educativos na formação de novas gerações comprometidas com seus territórios; as ferramentas metodológicas para o apoio a organizações de base; a validade e o potencial das práticas agroecológicas ancestrais dos povos andinos; e o papel de liderança da juventude nas lutas comunitárias pela soberania alimentar e justiça socioambiental.
A cátedra visa fomentar o diálogo entre o conhecimento acadêmico e o saber indígena e camponês, destacando experiências concretas de pesquisa, formação e ação coletiva que fortaleçam a transição agroecológica nos Andes. Convida também à reflexão sobre a construção de futuros sustentáveis a partir de uma perspectiva territorial, intercultural e participativa, reconhecendo os jovens como atores-chave na revitalização e defesa dos sistemas agroecológicos andinos.
Esta iniciativa se desenvolve no âmbito da Comunidade de Prática em Pesquisa e Formação em Sistemas Agroecológicos Andinos (CdP-IFSA Andes) do CLACSO, com o apoio da Fundação McKnight, um espaço de articulação entre universidades, centros de pesquisa, organizações sociais, comunidades indígenas e camponesas, com o objetivo de fortalecer redes de troca de conhecimentos e experiências que contribuam para a soberania alimentar, a justiça socioambiental e o fortalecimento de sujeitos coletivos que promovam a transição agroecológica na região andina.
Esta disciplina analisa os desafios enfrentados pelo ensino superior no contexto da perda acelerada da agrobiodiversidade e do aumento da competição global. Com base na experiência dos Andes peruanos, reflete sobre as limitações dos modelos universitários atuais em responder às necessidades dos territórios e comunidades locais, bem como sobre as lacunas existentes na valorização do conhecimento indígena, na formação científica crítica e na sustentabilidade ambiental.
O curso também abordará o potencial das novas universidades para impulsionar a inovação social e a reengenharia sociocultural por meio da integração transversal de uma abordagem agroecológica no ensino, na pesquisa e no engajamento comunitário. Serão discutidas estratégias para fortalecer o conhecimento local, promover a formação de pesquisadores indígenas e contribuir para o desenvolvimento sustentável a partir de uma perspectiva territorial e intercultural.
Participante:
Dani Vargas Huanca (Instituto de Pesquisa sobre Culturas Indígenas, Peru)
Bibliografia:
Huanca, DEV, Velásquez, Á. MV, Alejandra, M., & Gómez, F. (2024). Tecendo a sustentabilidade: desafios e oportunidades para a agrobiodiversidade no Peru. Conservação Colombiana, 29(2), 120–132. https://proaves.org/wp-content/uploads/2024/12/Art8_CC29_2-1.pdf
Londoño Londoño, M., Paccha Huamani, P., Segura Terrones, L., Vargas Huanca, D., Velásquez Velásquez, Á., & Paccha Rufasto, C. (2025). Desafios na transição do ensino secundário para o universitário nos Andes do Peru. Educação e Cidade, (49). https://doi.org/10.36737/01230425.3388
Vargas Huanca, DE e Huanca Quispe, J. (2021) Sistema de defesa da agrobiodiversidade contra geadas agrícolas em ecossistemas de montanha. Em K. Bidaseca & P. Vommaro. (Coords.), Agroecologia em sistemas andinos (pp. 137-165). Fundação McNknight e Clacso. https://biblioteca-repositorio.clacso.edu.ar/bitstream/CLACSO/24612/1/Agroecologia-sistemas-andinos.pdf
Huanca, DEV, Quispe, LA, Huanca, WV, Quispe, JH, & Huanca, RV (2020). Crise da educação rural e a construção de novas estratégias para a sustentabilidade ambiental em contextos pós-COVID-19. International Scientific Journal I+D+I 01, 1(1), 1–10. https://revciidi.org/ojs/index.php/ridi-01/article/view/5
Vargas-Huanca, D., Boada Junca, M., Araca Quispe, L., Vargas, W., & Vargas, R. (2016). Sustentabilidade dos modos ancestrais de produção agrícola no Peru: conservar ou substituir? Mundo Agrário, 17(35), 1-9. http://www.scielo.org.ar/pdf/magr/v17n35/v17n35a13.pdf
Huanca, Dani E. Vargas, Boada, Marti, Araca, Lenny, Vargas, Wilber e Vargas, Roger. (2015). Agrobiodiversidade e economia da quinoa (Chenopodium quinoa) nas comunidades aimarás da bacia do Titicaca. Idésia (Arica), 33(4), 81-87. https://dx.doi.org/10.4067/S0718-34292015000400011
A Pesquisa-Ação Participativa (PAP) na América Latina incorpora e descreve os processos de emancipação popular. É uma ferramenta que sustenta e recupera a memória histórica que moldou nossos territórios e enriqueceu nossa capacidade de imaginar e recriar novos horizontes, a partir das diversas identidades que se engajam em diálogo intergeracional e intercultural dentro de pedagogias/andragogias de libertação, em nossa cosmovisão e compromisso com a vida, diante da desapropriação e do deslocamento.
Nesta palestra, discutiremos como recriamos e adaptamos o uso da Pesquisa-Ação Participativa (PAP) para um processo de formação, articulação e pesquisa com Cozinhas Comunitárias nos bairros de Las Moras, em Huánuco, Peru.
Participantes:
Josué Erquinigo Zorrilla (Alsakuy Agroecológica – Peru)
Hospital Paulo Roberto Romano (Alsakuy Agroecológica – Peru)
Nori Verina Diaz Espinoza (Alsakuy Agroecológica – Peru)
Nicole Melissa Mejía Daza (Alsakuy Agroecológica – Peru)
Mel Becerra Lavado (Alsakuy Agroecológica – Peru)
Bibliografia:
Becerra, M. et al. (2025). Memórias de Diálogos no Vaso. Alsakuy Agroecológica. Disponível em: https://drive.google.com/file/d/13_FyvjmQAdJXcHJHhHut901R89tV3RVq/view?usp=drive_link
Becerra, M., Díaz, N. e Hospinal, P. (2025). Ferramentas para o diálogo no vaso. Alsakuy Agroecológica. Disponível em: https://drive.google.com/file/d/13_FyvjmQAdJXcHJHhHut901R89tV3RVq/view?usp=drive_link
Tse-Tung, Mao. (1968). Pequim. Sobre a prática. Editora de Línguas Estrangeiras, Pequim. Disponível em: https://www.marxists.org/espanol/mao/escritos/OP37s.html
Mendez, Ernesto et al. (2018). Agroecologia e Pesquisa-Ação Participativa (PAP): Princípios e Lições da América Central. Agroecologia, 13(1), 81-98. Disponível em: https://revistas.um.es/agroecologia/article/view/385691
ROSSET, Peter Michael, VAL, Valentín, BARBOSA, Lia Pinheiro e McCUNE, Nils (2021). Agroecologia e La Vía Campesina II. Escolas camponesas de agroecologia e a formação de um sujeito sócio-histórico e político. DESENVOLVIMENTO E MEIO AMBIENTE, 58, 531-550. Disponível em: https://doi.org/10.5380/DMA.V58I0.81357
Jara, Oscar. (2018). A sistematização das experiências: prática e teoria para outros mundos políticos. Bogotá. Centro Internacional de Educação e Desenvolvimento Humano – CINDE. Disponível em: https://www.unc.edu.ar/sites/default/files/La%20sistematizaci%C3%B3n%20de%20experiencias%20-%20Oscar%20Jara%20%28edicion%20colombiana%29.pdf
Nos Andes bolivianos, sistemas agroecológicos ancestrais como o sistema aynuqa ainda funcionam hoje. Essa prática cultural, social e econômica organiza o território de forma sustentável. Ela é praticada na província de Aroma, município de Colquencha, departamento de La Paz, Bolívia. Essa prática envolve a participação de toda a comunidade. O sistema aynuqa é uma forma de instituição respeitada e apoiada. As práticas culturais, sociais, econômicas, políticas e territoriais (conhecimentos locais, usos e costumes) em muitas comunidades rurais da Bolívia são pouco sistematizadas e estudadas. Essa falta de informação significa que as partes interessadas e os tomadores de decisão (técnicos, pesquisadores, políticos) não compreendem a configuração, as características e a organização da estruturação territorial dentro do ayllu.
A disciplina aborda, em primeiro lugar, a configuração e a dinâmica do espaço geográfico (mapas) do sistema aynuqa (gestão da terra) praticado pela comunidade de Micaya, no município de Colquencha. Em segundo lugar, analisa a situação socioeconômica das famílias da comunidade. E, por fim, examina a gestão da produção dentro do sistema aynuqa como uma forma de organização cultural, social, econômica e política praticada por essas comunidades.
Participantes:
Isaac Ivan Mamani Yujra (Pacha Saraya Yatiña, Bolívia)
Adela Quispe Perca (Pacha Saraya Yatiña, Bolívia)
Bibliografia:
Mazurek, H. 2009. Espaço e território: instrumentos metodológicos da pesquisa social. Marselha: IRD Éditions. Disponível em: https://horizon.documentation.ird.fr/exl-doc/pleins_textes/divers20-06/010038553.pdf
Martínez, C. (2001). Espaço e territórios: razão, paixão e imaginários. Disponível em: https://www.academia.edu/3192567/Espacio_y_territorios_raz%C3%B3n_pasi%C3%B3n_e_imaginarios
A aula começa destacando o potencial da agroecologia para transformar os sistemas alimentares e enfrentar a crise ecológica, enfatizando sua conexão com as lutas pela soberania alimentar lideradas por movimentos indígenas e camponeses. Ao fomentar maior autonomia camponesa, a agroecologia contribui para a recriação de territórios camponeses, a defesa de um ethos comunitário indígena e a construção de um sujeito político camponês agroecológico. Em seguida, apresenta uma visão geral das características do capitalismo agrário nos Andes equatorianos, seus impactos na agricultura camponesa e a proliferação de iniciativas agroecológicas camponesas como forma de resistência. A aula então apresenta um estudo de caso de uma luta emblemática para a construção de um território agroecológico camponês, liderada por famílias indígenas e camponesas da comunidade ancestral de San Isidro, na província de Cotopaxi, Equador. Por fim, aborda o papel dos jovens nas lutas comunitárias pela agroecologia e os desafios que enfrentam.
Participantes
Fernando Larrea (Universidade Andina Simón Bolívar, Equador)
Sammia Quisintuña (Fundação SWISSAID Equador)
Edwin Chancusig (Universidade Técnica de Cotopaxi, Equador)
Bibliografia
Altieri, Miguel e Toledo, Víctor (2010). A revolução agroecológica na América Latina: resgatando a natureza, garantindo a soberania alimentar e empoderando o camponês. Bogotá: ILSA. Disponível em: https://www.biblioteca.clacso.edu.ar/Colombia/ilsa/20130711054327/5.pdf
Rosset, Peter e Martínez Torres, María Elena (2016). Agroecologia, território, recampesantização e movimentos sociais. Estudios Sociales. Revista de pesquisa científica, 25 (47), 275-299. Disponível em: https://www.ciad.mx/estudiosociales/index.php/es/article/view/318/204
Rosset, Peter, et al. (2021). Agroecologia e La Vía Campesina II. Escolas camponesas de agroecologia e a formação de um sujeito sócio-histórico e político. Desenvolvimento e Meio Ambiente, 58, Seção Especial – Territorialização da agroecologia, 531-550. Disponível em: https://revistas.ufpr.br/made/article/view/81357/45186