Palestra aberta: Não há transição agroecológica sem organização territorial: Lições do plano de pesquisa participativa da mesa-redonda agroalimentar argentina

 Palestra aberta: Não há transição agroecológica sem organização territorial: Lições do plano de pesquisa participativa da mesa-redonda agroalimentar argentina

Este curso tem como objetivo sistematizar e disseminar a experiência de Plano Territorial para Pesquisa Participativa e Ação Política da Mesa Redonda Agroalimentar Argentina (MAA), desenvolvido no âmbito da Iniciativa IPA-Global do Fundo de Agroecologia (2024-2026).

Ao longo de quatro módulos, será abordado o processo de construção de um sujeito político coletivo, que articula o Movimento Nacional Indígena Camponês – Somos Tierra (MNCI-ST), a União dos Trabalhadores Rurais (UTT), a Federação das Cooperativas Federadas (FECOFE), a Federação das Organizações Nucleadas de Agricultura Familiar (FONAF) e as Bases Federadas, entre outras organizações e movimentos camponeses de base.

A cadeira revive a tradição latino-americana de Pesquisa-Ação Participativa (PAP) e o Diálogo do Conhecimento, conforme desenvolvido por Orlando Fals Borda e Paulo Freire, e o aplica à análise crítica dos sistemas agroalimentares, à disputa pela terra e pela água e à construção de alternativas agroecológicas a partir de movimentos populares.

O valor acadêmico dessa experiência reside no fato de que Este não é um "estudo de caso" externo.A MAA tem estado na vanguarda de um processo participativo de pesquisa-ação, no qual as comunidades definiram as questões, coletaram os dados, validaram as descobertas e utilizaram o conhecimento para influenciar as políticas públicas. Esta cátedra, portanto, não só... ensina sobre agroecologia camponesa, mas funciona através do mail a sistematização realizada pelos próprios sujeitos da mudança.


Conteúdo:

  • Contexto do extrativismo agrícola na Argentina: concentração de terras, agronegócio e crise alimentar.
  • Nascimento da Mesa Redonda Agroalimentar Argentina (9 de junho de 2021, fazenda recuperada em Lavalle, Mendoza).
  • O MAA como sujeito político: organizações fundadoras (UTT, MNCI-ST, FECOFE) e aquelas que aderiram (FONAF, Bases Federadas).
  • As 9 leis do "Programa Agrícola para Alimentação", com ênfase na Lei de Acesso à Terra e na Lei de Arrendamento Rural.
  • Conflitos por terra, água e bens comuns na Argentina contemporânea.

Questões orientadoras para a aula:

  • O que significa que 1% das fazendas controlam 36% das terras?
  • Como se constrói um sujeito político que contesta a definição de "campo"?
  • Qual a relação entre a concentração de terras e a crise alimentar?

Leituras sugeridas:

  • MAA (2023). Manual de Operação do SPG para Certificação Agroecológica Popular (Introdução e contexto).
  • Página 12 (2023). Cobertura da Caravana ao Congresso (arquivo de jornais).


Conteúdo:

  • Dimensões da agroecologia: produtiva, ecológica, social, cultural e política.
  • As 5 etapas da transição agroecológica segundo o CEFIC:
    1. Eficiência na utilização de insumos
    2. Substituição de insumos externos
    3. Redesenho do agroecossistema
    4. Conexão direta entre produtores e consumidores.
    5. Organização, associação e cooperativismo
  • Os 6 princípios agroecológicos para o planejamento de sistemas agrícolas: reciclagem, diversificação, conservação do solo, interações biológicas, manejo ecológico de pragas e bases culturais.
  • Da monocultura aos sistemas diversificados: exemplos concretos de fazendas em transição.

Questões orientadoras para a aula:

  • Por que a agroecologia não pode ser reduzida a "produzir sem pesticidas"?
  • Quais são as principais barreiras à transição (acesso à terra, dívida, desconfiança)?
  • Qual o papel da formação camponesa na transição?

Leituras sugeridas:

  • CEFIC (2022). Manual para a transição agroecológica (Seção de etapas e princípios).


Conteúdo:

  • O que é um Sistema Participativo de Garantia e por que ele representa um desafio para a certificação comercial?
  • A Certificação Agroecológica Popular (CAP) do MAA: estrutura operacional (Comissão Local, Comissão Nacional), instrumentos (Guia de Campo, Contrato Moral, Selo Agroecológico).
  • Circuitos de marketing curtos: feiras, sacolas, Public Food Company (EPA), marca de erva-mate "Soberana".
  • A ligação rural-urbana: consumidores organizados e compras públicas.
  • SPG como instrumento de defesa política: disputa sobre o reconhecimento oficial.

Questões orientadoras para a aula:

  • Quem certifica o que comemos: uma empresa ou a comunidade?
  • Como construir confiança sem intermediários?
  • Quais são os desafios que o SPG enfrenta em um contexto de desmantelamento do Estado?

Leituras sugeridas:

  • MAA (2023). Manual de Operação do SPG para Certificação Agroecológica Popular (seções: operação, instrumentos, funções).
  • Tempo Rural (2024-2025). Suplementos do jornal Tiempo Argentino (seleção: feiras e marketing).


Conteúdo:

  • Educação popular e formação camponesa: experiência da Cátedra Aberta CLACSO-MNCI-ST.
  • CEFIC e a pedagogia da alternância (tempo escolar – tempo comunitário).
  • Horário rural como dispositivo popular de comunicação: suplemento do jornal Tiempo Argentino, cobertura de lutas, construção de narrativas alternativas.
  • Como a experiência territorial se traduz em políticas públicas: do Caravanazo ao Congresso, passando pelas 9 leis do Programa Agrário.
  • Alianças estratégicas: CLACSO, INTA, CONICET, CELS, universidades nacionais.

Questões orientadoras para a aula:

  • Como se constrói uma narrativa contra-hegemônica sobre "o campo"?
  • Qual o papel da formação e da comunicação na defesa de causas políticas?
  • Como articular movimentos sociais e o meio acadêmico sem cair no extrativismo?

Leituras sugeridas:

  • Tempo Rural (2024-2025). Suplementos do jornal Tiempo Argentino (seleção: impacto político e cobertura legislativa).
  • Coletivo Situações (2002). «Sobre o método». Em Hipótese 891.