Palestra aberta: O direito à educação e ao trabalho em empresas recuperadas e organizações sociais na América Latina
Esta palestra aberta Apresenta e analisa diferentes processos históricos, conceitos-chave e ações coletivas relacionadas ao direito ao trabalho e à educação, realizadas por... Movimento Nacional de Empresas Recuperadas da Argentina (MNER-A) e suas propostas de integração com as experiências latino-americanas. As empresas recuperadas por trabalhadores representam uma das expressões mais dinâmicas do movimento social na região e são compostas, em grande parte, por uma fusão de cooperativas do mundo do trabalho com grupos de ensino e pesquisa de universidades públicas. Somente na Argentina, elas constituem mais de 400 fábricas administradas por trabalhadores, com exemplos significativos no Brasil, Uruguai e México, entre outros países. Desde sua origem, em 1998, elas defendem o trabalho como um direito fundamental, sob o lema "ocupar, produzir, resistir", além de construir uma cultura e uma educação alternativas. Portanto, a reivindicação do direito à educação por meio da criação de escolas de ensino médio comunitárias para jovens e trabalhadores adultos tornou-se uma de suas maiores reivindicações e conquistas nessa área.
A articulação mútua entre as experiências latino-americanas se reflete em importantes encontros de empresas recuperadas por trabalhadores (2005 e 2009), bem como nas articulações e influências mútuas realizadas com diversas organizações sociais e trabalhistas da região, fortalecendo e compartilhando influências que perduram até hoje. As perspectivas freireana e falsbordiana de educação popular e pesquisa-ação participativa, respectivamente, tornaram-se referenciais para as articulações realizadas pelas empresas recuperadas por trabalhadores em conjunto com grupos de professores e pesquisadores. Seu objetivo, segundo os representantes das fábricas, é “construir coletivamente ações para organizar e lutar pelo direito à educação pública e popular, bem como se tornar protagonista na formação de trabalhadores a partir de posições cooperativas, solidárias e emancipatórias” (MNER, 2005).
Sessão 1: Empresas recuperadas pelos trabalhadores, o direito à educação e ao trabalho na América Latina
Eles coordenam e participam:
- Marina Ampudia (RIOSAL-MNER-UBA, Argentina),
- Erica Bellini (MNER-RIOSAL-UNR, Argentina);
- Flavio Chedid (Núcleo Interdisciplinar de Desenvolvimento Social (NIDO), Brasil);
- Eduardo Murua (MNER, Argentina)
Nesta primeira sessão, desenvolveremos ideias-chave relacionadas ao “Direito à educação e ao trabalho em organizações sociais na América Latina: empresas recuperadas pelos trabalhadores”. Para tanto, examinaremos estudos sobre “contextos históricos, conceitos-chave e experiências alternativas ao capitalismo neoliberal”. Destacaremos ideias relevantes para esse processo, como “autogestão, assembleias e controle social pelos trabalhadores, e educação popular” (Svampa, 2010).
Para concluir esta primeira apresentação, consideramos necessário identificar a projeção regional dessas experiências, identificando as influências e articulações latino-americanas, especialmente refletidas em encontros regionais, como o “1º encontro de empresas recuperadas da América Latina (2005)”; o “2º encontro de empresas recuperadas da América Latina (2009)” e, finalmente, o panorama atual desses movimentos sociais (2025).
Para refletir
Qual o contexto histórico das empresas recuperadas pelos trabalhadores na América Latina? Quais diferenças podem ser observadas entre os modelos cooperativos e outras formas de gestão operária? Como e por que algumas empresas propuseram garantir o direito à educação para suas comunidades? Qual o papel da autogestão e do controle operário nesse processo cooperativo e produtivo?
Bibliografia sugerida
- Chedid Henriques, Flávio et al (2013). Empresas recuperadas por trabalhadores não brasileirosPublicação Multifocal: https://www.academia.edu/35276212/Empresas_recuperadas_por_trabalhadores_no_Brasil
- Santos Araujo, Fernanda et al (2019). Dialética da autogestão em empresas recuperadas por trabalhadores no Brasil, Ed. Lutas anticapital, Marília –SP. https://base.socioeco.org/docs/2019_araujo_dialeticaautogestaoert_12mar_final.pdf
- Bustos, Gisela (2021). Ocupar, resistir e produzir direitos. Ed. Ciccus: https://www.ciccus.org.ar/wp-content/uploads/2022/02/Empresas-Recuperadas-de-Argentinas-Libro-digital.pdf
- Ampudia, Marina e Elisalde, Roberto (2020)“Trabalhadores, jovens e educação de adultos na Argentina. Estratégias pedagógicas populares no mundo do trabalho.” In Inés Pérez Wilke, Marina Ampudia; Alfonso Torres Carrillo e Diego Cabezas (orgs.) A produção popular do conhecimento. Chaves latino-americanas. Edições Riosal: https://biblioteca-repositorio.clacso.edu.ar/bitstream/CLACSO/169773/1/La-produccion-popular-del-saber.pdf
MúsicaFernando Dunan
Sessão 2: Empresas recuperadas pelos trabalhadores e escolas secundárias geridas pela comunidade. Influências latino-americanas.
Eles coordenam:
- Laura Fiorillo (UBA-MNER-RIOSAL);
- Mike Ceriani de Oliveira Gomes (UNESP-Brasil-RIOSAL)
- Roberto Elisalde (UBA-MNER-RIOSAL).
Participar:
- Banesa Estigarribia (Escola Secundária Popular EITEC, Argentina);
- Marcelo López (EITEC, Argentina, empresa recuperada);
- Facundo Bramuel (Mastercheese, Argentina, empresa recuperada);
- Ellen Felicio dos Santos (UNESP, Brasil)
Neste segundo encontro, analisaremos as estratégias que deram origem à criação de escolas público-populares no âmbito dos movimentos sociais latino-americanos desde o final do século XX, especialmente após 2000, em empresas recuperadas por trabalhadores. Entendemos que esse processo foi marcado por uma redefinição conceitual e experiencial da educação popular, a partir da experiência de Paulo Freire e sua equipe na Secretaria de Educação do Estado de São Paulo (PT) (1989-91) e da criação, em grande parte da região, de instituições educacionais (escolas, liceus, universidades interculturais) que desafiavam e/ou se articulavam com o setor público. A influência regional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e o desenvolvimento de numerosas escolas populares também foram fundamentais nesse contexto.
Nesta sessão, também ouviremos depoimentos significativos e valiosos. Por um lado, de professores e pesquisadores da UNESP-Brasil, falando sobre o valor e a influência regional do campo educacional do MST; e, por outro lado, depoimentos e experiências de professores de escolas de ensino médio comunitárias e de trabalhadores de empresas recuperadas por operários na Argentina.
Para refletir
Como se desenvolveu a conexão entre movimentos sociais/empresas recuperadas por trabalhadores e escolas populares na América Latina? Por que as escolas populares de ensino médio são consideradas escolas público-populares por seus participantes? Como e por que elas foram influenciadas pelas experiências educacionais do MST no Brasil?
Bibliografia sugerida
- Ampudia, Marina e Elisalde, Roberto (2015). “Escolas de Ensino Médio Populares na Argentina: movimento pedagógico, cartografia social e educação popular” Revista PolifoníasUniversidade Nacional de Luján, Ano IV, nº 7: https://ri.unlu.edu.ar/xmlui/bitstream/handle/rediunlu/2232/7%20-%20Ampudia.pdf?sequence=1&isAllowed=y
- Moñino, Ignacio (2022). “O movimento popular do ensino médio e sua interpelação na EDJA: conquistas, situação atual e perspectivas”, em Revista Meeting of Knowledge, No. 10, Publicado por Ediciones de la FFyL (UBA): http://revistas.filo.uba.ar/index.php/encuentrodesaberes/article/viewFile/3925/2620
- Dal Ri, Neusa Maria e Giraldez Vieitez, Candido (2010). “Gestão democrática nas escolas públicas: uma experiência educativa da MST” Revista Portuguesa de Educação, vol. 23, não. 55-80 Universidade do Minho Braga, Portugal: https://www.redalyc.org/pdf/374/37417089004.pdf
- Vídeo A EITEC recuperou uma empresa metalúrgica e uma escola secundária popular. (2023) https://youtu.be/vuHh_Tt9qi4?si=CtJ0htaVXeOuHywH
MúsicaFernando Dunan
Sessão 3 – Espaço Social, Cartografia Social, Pesquisa Participativa e Educação Popular: A Experiência Colombiana
Eles coordenam e participam:
- Marina Ampudia (RIOSAL-MNER-UBA Argentina)
- Milagros Molina (RIOSAL-UNCUYO, Argentina)
- Zulma Toro (Escola Fals Borda - RIOSAL, Colômbia)
Neste terceiro encontro, apresentamos um quadro conceitual e prático que foi e continua sendo relevante para a construção de experiências de educação popular em empresas recuperadas por trabalhadores. Exploramos o espaço social, as territorialidades, a cartografia social e a educação popular na construção de escolas para jovens e adultos (EDJA), abordando também temas como o uso de ferramentas cartográficas como processo de produção e circulação de conhecimento coletivo, fundamentado na participação ativa de movimentos sociais no mapeamento coletivo. A escola e a fábrica são vistas como espaços de resistência e construção de novas territorialidades, onde a educação popular e a pesquisa participativa se apresentam como campos de práxis. A pesquisa é entendida como uma prática política, especialmente a pesquisa-ação participativa, campo defendido na Colômbia por Orlando Fals Borda.
Para refletir
Como o mapeamento social e a educação popular se interligam na criação de escolas de ensino médio geridas pela comunidade para jovens e adultos? Como uma fábrica recuperada por trabalhadores pode se tornar uma "sala de aula viva"? Como as territorialidades são construídas nos processos de autogestão?
Bibliografia sugerida
- Torres Carrillo, Alfonso (2022). Contribuição do pensamento de Freire para as metodologias participativasCLACSO TV: https://www.youtube.com/watch?v=FmjDUPbAzrw
- Mancano Fernández, Bernardo (2005). Movimentos socioterritoriais e movimentos socioespaciais: Contribuição teórica para uma leitura geográfica dos movimentos sociais. https://biblioteca.clacso.edu.ar/clacso/osal/20110312111042/34MFernandes.pdf
- Guzmán, Nataly e Triana, Diana (2019). “Julieta Paredes, Tecendo Feminismo Comunitário”Revista de Ciência Política, v. 14, nº 28. https://dialnet.unirioja.es/descarga/articulo/7126935.pdfJulieta_Paredes_hilando_el_feminismo_comunitario
- Pautasso, María Ludmila e Pautasso, María José (2014). “Reinterpretando a Cartografia: Políticas de Escala e Cartografia Social. Mapeamento Coletivo no Liceu Popular Paulo Freire para Jovens e Adultos.” XI Congresso Argentino de Antropologia SocialRosário, 2014. https://www.aacademica.org/000-081/138
- “Orlando Fals Borda, Pesquisa-Ação Participativa”, Vídeo da Universidade Pedagógica Nacional:https://www.youtube.com/watch?v=op6qVGOGinU&t=1011s
MúsicaFernando Dunan
Sessão 4: Estado, direito ao trabalho e direito à educação.
Eles coordenam:
- Marina Ampudia (RIOSAL-MNER/Educação-UBA, Argentina);
- Maria Angélica Guzmán Hernández (SNTE em Luta; RIOSAL, México);
- Erica Bellini (MNER/Educação-RIOSAL, Argentina);
- Roberto Elisalde (RIOSAL-MNER/Educação-UBA, Argentina)
Participar:
- Plácido Peñarrieta (Cooperativa Chilavert-MNER, Argentina);
- Martin Acri (UBA-PIMSEP-RIOSAL, Argentina);
- Nacho Moñino (Escola Popular Chilavert-UBA-RIOSAL, Argentina)
A relação entre políticas públicas e movimentos sociais foi e continua sendo parte constitutiva do processo histórico apresentado, em alguns casos promovendo e atendendo às demandas desses grupos e, em outros, expressando conflitos e queixas não atendidas. Portanto, nesta sessão, nos concentraremos na análise de um item relevante para o nosso curso: Estado, direito à educação, empresas recuperadas pelos trabalhadores, organizações sociais/sindicais e suas relações com as políticas públicas na América Latina.Apresentaremos um panorama atual dos debates, conflitos e articulações existentes, de acordo com os diferentes contextos e estágios políticos e culturais da região. Dentro dessa estrutura temática, consideramos pertinente analisar e caracterizar os aspectos que vinculam o Estado à luta pelo direito ao trabalho e à educação, às empresas recuperadas pelos trabalhadores e a outros movimentos sociais influentes, especialmente em suas relações e ações com as universidades públicas, por exemplo, no âmbito do que se conhece como "alcance crítico latino-americano".
Como síntese do tema central do curso "O Direito ao Trabalho e à Educação nos Movimentos Sociais", destacaremos o caso das escolas de ensino médio comunitárias em empresas recuperadas por trabalhadores, enfatizando as relações entre universidades, fábricas, escolas comunitárias e o Estado. Dessa forma, apresentaremos e descreveremos a rede de conexões entre programas, organizações e territórios regionais, com foco no Programa Latino-Americano de Pesquisa, Ensino e Articulação Social: "Movimentos Sociais e Educação Popular na América Latina" (PIMSEP), sediado na Universidade de Buenos Aires e força motriz da Rede RIOSAL, associada à CLACSO. A partir dessa perspectiva, poderemos explorar, de forma abrangente, a experiência dos movimentos sociais e da educação popular na América Latina, atentando para as contribuições e ações realizadas por empresas recuperadas por trabalhadores e sua luta pelo direito à educação popular e à recuperação autogerida do trabalho.
Para refletir
Como você caracterizaria a relação entre movimentos sociais e políticas públicas? Qual foi o caso das empresas recuperadas por trabalhadores e sua luta em defesa do direito ao trabalho e à educação? Quais conexões existem entre a experiência argentina e o restante da América Latina por meio da Rede RIOSAL/CLACSO, das empresas recuperadas por trabalhadores e das organizações sociais e trabalhistas?
Bibliografia sugerida
- Humberto Tommasino (2021). “Extensão crítica, bancária ou de base: modelos de extensão universitária baseados no pensamento de Paulo Freire” em Revista Meeting of Knowledge Nº 10, Publicado por Ediciones de la FFyL-UBA. (UBA): http://revistas.filo.uba.ar/index.php/encuentrodesaberes/article/view/3927/2622
- Roberto Elisalde (2022).Paulo Freire: Do Ministério da Educação às Escolas Públicas Populares da América Latina (1989-2020). Revista de Pedagogia e Conhecimento Nº 56, Universidade Pedagógica Nacional, Faculdade de Educação, Bogotá, Colômbia.
https://revistas.upn.edu.co/index.php/PYS/article/view/13086/10470 - PIMSEP: Programa de Pesquisa e Ensino: Movimentos Sociais e Educação Popular (FFyL-UBA): https://seube.filo.uba.ar/programa-movimientos-sociales-y-educaci%C3%B3n-popular-pimsep-riosal
MúsicaFernando Dunan
Kit de difusão

