Capitaloceno, Neoextrativismo e Cosmopolítica em Territórios Latino-Americanos
Seminário 2507
Coordenação: Salvador Schavelzon (Universidade Federal de São Paulo – UNIFESP, Brasil) e Ana Carolina Alfinito (Fundação Getúlio Vargas – FGV, Brasil)
Início: 26/03/2025 | Inscrição: 10/12/2024 a 25/03/2025
Carga horária: 10 semanas – 90 horas.
O curso visa explorar as relações entre o conceito de Capitaloceno e as novas e profundas formas de extrativismo na América Latina, propondo uma investigação sobre os horizontes políticos e cosmopolíticos das lutas que defendem os territórios de vida contra o avanço do extrativismo.
O programa está organizado em três partes: a primeira será dedicada à apresentação da literatura e dos debates em torno de diagnósticos contemporâneos como o Antropoceno e o Capitaloceno, discutindo sua relação com o neoextrativismo e os conflitos territoriais na América Latina. Abordaremos conceitos de diversas áreas, com foco em antropologia, direito e ciências sociais, incluindo perspectivas da América Latina e do marxismo. A segunda parte se concentrará no desenvolvimento, em conjunto com os alunos, de um mapa dos conflitos decorrentes da resistência ao avanço do extrativismo nos territórios, explorando suas dimensões e variações, e atentando para como essas lutas entrelaçam o humano e o mais-que-humano na ação política e nos mundos que buscam moldar. A terceira e última parte se concentrará em uma discussão crítica de alguns dos caminhos propostos nos níveis local, nacional e global para enfrentar a crise ecológica de nosso tempo. O curso consistirá em aulas síncronas, aulas assíncronas e conversas com convidados.
Nas últimas décadas, acadêmicos, movimentos sociais e governos têm demonstrado crescente preocupação com a deterioração das condições de vida na Terra, incluindo a poluição progressiva dos recursos hídricos, a perda massiva de biodiversidade e a destruição de territórios. Desde a década de 1990, a ciência climática tem apontado para mudanças de longo prazo nos padrões de temperatura e clima causadas pelas emissões antropogênicas de gases de efeito estufa. Mais recentemente, cientistas da Terra argumentam que a humanidade se tornou uma força geológica, desencadeando mudanças estruturais na constituição da Terra de tal forma que o período de relativa estabilidade no qual as civilizações humanas puderam se desenvolver — o Holoceno — já foi encurtado pelo surgimento de uma nova época geológica, chamada Antropoceno.
Embora esses diagnósticos tenham gerado debates importantes na ciência e na sociedade, as formas dominantes de descrever as crises socioecológicas contemporâneas frequentemente ignoram a pluralidade de maneiras coletivas de perceber, vivenciar e lidar com essas crises. Ignoram que não existe uma única crise, mas várias, e que estas são parte inerente do sistema global de produção capitalista. A urgência criada pelo anúncio da provável catástrofe climática acelerou ainda mais o ritmo e reduziu o alcance verdadeiramente político — ou melhor, cosmopolítico — dessas crises e das transformações que elas exigem. Silenciou também vozes e experiências específicas, bem como propostas políticas que questionam as práticas e premissas constitutivas da modernidade, como as noções de progresso, civilização e desenvolvimento.
Este curso visa recuperar e discutir experiências e perspectivas latino-americanas sobre as crises socioecológicas atuais. Em diálogo com os debates internacionais sobre mudanças climáticas e o Antropoceno, buscamos explorar e discutir experiências e epistemologias indígenas, feministas, camponesas e periféricas que abordam os diversos "fins do mundo" que emergiram nos últimos séculos, bem como as abordagens que diferentes atores políticos têm proposto para enfrentar os desafios ecológicos de nosso tempo.
Nesse contexto, torna-se especialmente importante discutir experiências e projetos coletivos que emergem de territórios, como aqueles relacionados à autonomia e autodeterminação, à plurinacionalidade e à criação de espaço para o que Marisol de la Cadena chama de "incomum": aquelas formas de existir, de construir o mundo e de fazer política que escapam à operação moderna de conquista e separação entre natureza e cultura. O que essas experiências, epistemologias e modos de existir têm a ver com os debates e agendas globais sobre o Antropoceno e as mudanças climáticas? Como podem contribuir para qualificar, expandir e transformar esses debates? Exploramos essas questões a partir de experiências concretas de resistência e das ecologias decoloniais de Abya Yala.
OBJETIVO GERAL
Para capacitar os alunos a desenvolver habilidades de leitura crítica e a capacidade de se engajarem em debates contemporâneos essenciais que abordam as dimensões e manifestações das crises socioecológicas que caracterizam nossa época, buscamos conectar essas discussões aos processos políticos em curso na América Latina. Para tanto, examinaremos os debates fundamentais, os conflitos sociais e as lutas onde a natureza, a relação entre sociedade e meio ambiente e os modelos de desenvolvimento emergem e se confrontam com as definições convencionais de política liberal.
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1 Part: Leituras sobre o Antropoceno, Capitaloceno, Neoextrativismo e Alianças Globais e Assembleias Multiespécies da Nave Gaia.
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2 Part: Mapeamento dos conflitos territoriais na América Latina.
- 3 Part: Discussão de alternativas, problemas e soluções dentro do capitalismo.
ALFINITO, AC, SCHAVELZON, S., & MUNDURUKU, AK (2024). O direito cosmopolítico Munduruku como prática jurídica frente ao Antropoceno. Revista Direito E Práxis, 15(3), 1–37. Recuperado de https://www.e-publicacoes.uerj.br/revistaceaju/article/view/83710
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Desconto para pagamento único até 19/03 |
Em um único pagamento após 19/03 |
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CM Plenos |
85 USD |
150 USD |
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CM Associates |
85 USD |
150 USD |
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Sem link |
105 USD |
190 USD |
Perguntas frequentes
Os requisitos básicos para participar de um seminário são:
- Disponibilidade de pelo menos 4 horas por semana para se dedicar ao curso do seminário.
- Acesso à Internet.
- Domínio adequado das ferramentas de comunicação e informática.
- Proficiência no idioma em que o curso será ministrado. Os idiomas oficiais são o espanhol e o português.
Os seminários têm duração de 10 semanas, além da conclusão de um projeto final. Um total de 90 horas de dedicação será creditado.
O curso é composto por doze aulas, cada uma acompanhada de bibliografia obrigatória, bibliografia complementar, fóruns de discussão e atividades de formação propostas pela equipe docente, trabalhos parciais e um projeto final.
O curso é online e assíncrono. Alguns instrutores podem propor atividades síncronas. Nesses casos, a data e o horário serão combinados previamente entre a equipe docente e os alunos para garantir a participação de todos.
Para ser aprovado no seminário, você deve participar de pelo menos 80% dos fóruns de discussão e atividades propostas pelos professores, ter concluído as entregas parciais programadas e ser aprovado no trabalho final.
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