Declaração em apoio à revolta do povo boliviano: BOLÍVIA, NÓS VEMOS VOCÊS

 Declaração em apoio à revolta do povo boliviano: BOLÍVIA, NÓS VEMOS VOCÊS

Do Grupo de Trabalho da CLACSO sobre Feminismos, Resistência e Emancipação Declaramos nosso apoio à revolta do povo boliviano.

Hoje, a frase “Eles não nos derrotaram”, tantas vezes proferida por nossa camarada Taty Almeida, recentemente falecida, presidente das Mães da Praça de Maio e figura proeminente na luta contra a impunidade, nos comove profundamente, pois é um chamado à resistência e à esperança. Reconhecemos com emoção essa frase personificada na força organizacional do povo, dos camponeses, dos trabalhadores e das comunidades indígenas que a Bolívia demonstra, um país que há mais de um mês trava uma luta constante contra as políticas opressivas da direita internacional.

O que começou como uma marcha indígena e camponesa na região leste do país, que resultou na revogação da Lei 1720 — uma lei que colocava em risco suas terras ao favorecer grandes interesses bancários e do agronegócio — transformou-se em um levante popular, indígena e camponês contra o governo de Rodrigo Paz Delgado e suas políticas de privatização, extrativismo e subserviência colonial aos Estados Unidos. A luta do povo boliviano não é apenas contra um governante, mas contra um modelo econômico de direita que pretende que os mais vulneráveis ​​paguem pela crise enquanto os privilegiados continuam a acumular e concentrar capital; contra um
Este regime político está também a desmantelar o Estado Plurinacional, a criminalizar os protestos e a colocar os interesses dos Estados Unidos acima dos interesses do país; e é também uma revolta pela dignidade contra as tentativas de restaurar e legitimar expressões racistas que ignoram e negam o valor da vida indígena e camponesa.

O governo de Rodrigo Paz respondeu desacreditando e disseminando desinformação sobre essa luta através da grande mídia, incitando o ódio racista e dando carta branca ao uso brutal da força estatal contra os mobilizados. Também decretou um Estado de Emergência que limita as garantias constitucionais, um ato que condenamos. As ações de Paz são apoiadas pelos governos invasores dos Estados Unidos e de Israel, responsáveis ​​por múltiplos genocídios. Mas a Bolívia não se renderá; a Bolívia já venceu, e nós vemos isso.

Observamos e apoiamos a luta exemplar da Bolívia a partir dos diversos países em que vivemos, que também tentam resistir ao ataque da direita e às suas políticas cruéis. Vemos a Bolívia com a convicção de que a organização popular, camponesa, indígena, operária e, sobretudo, feminina, representa uma esperança fundamental para alcançarmos as sociedades emancipadas com que sonhamos. Vemos a Bolívia com a certeza de que "eles não nos derrotaram".

20 de junho de 2026
Grupo de Trabalho da CLACSO sobre Feminismos, Resistência e Emancipação


Este texto expressa a posição dos Grupos de Trabalho mencionados e não necessariamente a dos centros e instituições que compõem a rede internacional CLACSO, seu Comitê Diretivo ou seu Secretariado Executivo.