Autonomias, cinema e reexistências: teoria da práxis, genealogias e estética na descolonização das metodologias

 Autonomias, cinema e reexistências: teoria da práxis, genealogias e estética na descolonização das metodologias


Seminário 2035

CoordenaçãoPatricia Botero-Gómez e Xochitl Leyva Solano (GT Corpos, Territórios e Resistências), em colaboração com coletivos de professores e pesquisadores com ênfase em crítica cinematográfica latino-americana, curadores e cineastas comunitários participantes dos encontros do GT em processos de pesquisa colaborativa e das seguintes ações coletivas existentes e das quais fazemos parte integrante: Projeto de Cineastas Indígenas da Fronteira Sul (PVIFS), Grupo Autonomias, Cinema e Reexistências, Rede Transnacional Outros Saberes (RETOS); Centro de Estudos Independentes Color Tierra e Tecido de Coletivos - Universidade da Terra, em Manizales-Caldas e no sudoeste da Colômbia.

Início: 03/09/2020 | Inscrição: 20/04/2020 a 02/09/2020

Carga horária: 12 semanas – 90 horas.


Este seminário busca descolonizar a perspectiva, reconfigurando imaginários coletivos, consciências e inconscientes por meio do estudo do cinema latino-americano e da construção de propostas documentais vinculadas a processos de pesquisa baseados em ações coletivas, resistências e reexistências. 

 O objetivo deste seminário é compartilhar experiências de figuração e reconfiguração de narrativas audiovisuais a partir da perspectiva da psicanálise crítica, do pós-marxismo e das práticas teóricas decoloniais. 

 Uma das formas mais sutis de recolonização consiste nas guerras de informação e contrainformação e nas maneiras como elas se vinculam ao capitalismo midiático dominante, que mascara a realidade da desapropriação sob a premissa do encantamento, e em formas sutis de racismo, patriarcado e recolonização de imaginários. Nesse sentido, a análise e a produção de curtas e longas-metragens documentários constituem uma ferramenta de informação e transformação que justifica uma crítica da crítica, ao nos fazer ver, ouvir, sentir, viver e ser a partir da posição enunciativa de pessoas, povos e comunidades em reexistência.  

 Consequentemente, uma das experiências de tornar visíveis mundos e realidades autônomas e de transformação parte enfaticamente das novas estruturas audiovisuais e digitais, que constituem um campo de conhecimento incontornável para as ciências sociais, a fim de tornar visíveis, audíveis, palpáveis ​​e transformáveis ​​as realidades socioterritoriais que relacionam a vida dos povos, as subjetividades e as comunidades em resistências que exercem passos de autonomias incooptáveis ​​e que circulam em saberes, práticas, filosofias e teorias escritas e inscritas.

 A estética e a poética visual, o testemunho e a narrativa dão conta dos múltiplos significados de ser poliglota, ou seja, de ativar múltiplas linguagens e formas complementares de expressão, diferentemente da exclusividade logocêntrica inerente ao próprio paradoxo que caracteriza a fábula cinematográfica. O cinema pode abordar a realidade como um problema e experimentar mais livremente a interação variável entre ação e vida” (Rancière, 29). Dessa forma, a imagem que silencia e fala, a palavra que gera imagens e enigmas, novas propostas e abordagens em cena possibilitam recontar uma realidade a partir do ponto de vista dos diretamente envolvidos, suas lutas, encontros fortuitos, dramas e propostas para mundos e realidades pluriversais. 

 Circulam versões da realidade baseadas em testemunhos relidos a partir da realidade do presente, do passado e da criação de novos dispositivos de esperança para descolonizar futuros possíveis. Dessa forma, trilogias de pesquisa realizadas com comunidades, atores de carne e osso, criam novas esperanças e alternativas para descolonizar os tempos, refutando versões que narram o presente, o passado e o futuro, a fim de reinventá-los em cada contexto imediato, a partir da simplicidade da história do cotidiano.

 O efeito bumerangue produzido no presente, previsto pelos teóricos do risco desde o final do século XX, permite-nos recontar o colapso, não apenas a consciência da catástrofe, mas também as alternativas de transformação que se tematizam como alternativas à globalização, ao decrescimento, às autonomias alimentares, aos autogovernos, às lutas suscitadas pelos surtos de movimentos sociais e povos em reconvivência em Abya Yala.

 

  • Cinema, Autonomias e Reexistências: Apostas numa Genealogia Decolonial a partir do Cinema e da Psicanálise Crítica
  • Autonomias Agro-Eco-Visuais e Vida Digna. 
  • Cinema, autonomia e ancestralidade do programa Luuçx Leçxkwe
  • Memórias de Fogo: a ancestralidade como força narrativa
  • Cinema e resistência contra o racismo e os feminicídios: tecendo a diáspora afro-abya yala
  • Desafios, tensões e possibilidades na construção de representações a partir de uma perspectiva feminista, antirracista, interseccional e intercultural.
  • Lutas agroecoespirituais, autonomias e territorialidades digitais e o cinema latino-americano.
  • Infâncias e migrações
  • Criação de um espaço autônomo para o cinema independente crítico e alternativo. Experiências em análise fílmica e diversidade.
  • Da imaginação ao poder: mobilização audiovisual entre estudantes latino-americanos por meio do cinema, o audiovisual como resistência e transgressão.
  • BOTERO, Patricia. “Psicologia política e crítica a partir de uma perspectiva decolonial e resistências autônomas. Passos, vozes e teorias socioterritoriais em movimentos.” In Álvaro Díaz
  • GÓMEZ e Omar BRAVO. Psicologia Política e Processos de Paz na Colômbia. Cali, Associação Colombiana de Faculdades de Psicologia e Editora da Universidade Icesi, 2019, pp. 49-84.
  • BOTERO, P. e MORA, A. “Comunidades em resistência e reexistência: uma contribuição para os processos de comunicação popular”. In: Germán Muñoz (Org.). Revisitando a Comunicação Popular: Ensaios para compreendê-la como um cenário estratégico de resistência social e reexistência política. Bogotá, Uniminuto, 2018, pp. 135-192.
  • CERTEAU, Michel de. História e Psicanálise. Entre a Ciência e a Ficção. Cidade do México, Universidade Iberoamericana, 2007.
  • DELEUZE, Gilles. Conversas. Valência, Pré-textos. 1995-2006.
  • DELEUZE, Gilles. Ensaios críticos e clínicos. Minneapolis, University of Minnesota. 1997.
  • FAJARDO, Andrea. Sarayaku e as TIC: uma luta pela autodeterminação territorial. Dissertação de Mestrado. Quito, FLACSO, 2016.
  • HOLLOWAY, John. “Pensamento crítico diante da hidra capitalista”. Em La Jornada, 15 de maio de 2015.
  • KÖHLER, Axel e Xochitl LEYVA (eds.). Vídeo Indígena em Movimento e Resistência. Buenos Aires e San Cristóbal de Las Casas, CLACSO, Cesmeca-UNICACH, Cooperativa Editorial RETOS,
  • Edições Maldonado, 2020.
  • LEÓN, O. (coord.). “Democratizando a palavra. Movimentos convergentes na comunicação.” América Latina em Movimento, Lima, ALAI. 2013
  • LEYVA, Xochitl e Axel KÖHLER. “Pinceladas de Chiapas sobre o Estado, o vídeo indígena, as insurgências e a contrainsurgência”. In Santiago Bastos e María Teresa Sierra (orgs.). Estado e povos indígenas no México: a disputa por justiça e direitos. Cidade do México, CIESAS, 2017. pp. 296-320.
  • LEYVA, Xochitl e Rosalba ICAZA (coord.). Em Tempos de Morte: Corpos, Rebeliões, Resistências. Buenos Aires, San Cristóbal de Las Casas, Haia. CLACSO, Cooperativa Editorial Retos, ISS/EUR, 2019, Volume IV.
  • OZU, Yasujiro. A Poética do Cotidiano. Escritos sobre Cinema. Espanha, Gallo Nero, 2017.
    Tecido de Coletivos, Movimentos e Povos e compiladores BOTERO, Patrícia; ALVES, Rita; LEYVA, Xochitl e ITATÍ PALERMO, Alicia. Gerações em movimento e movimentos geracionais. Villamaría, Caldas-Colômbia, São Paulo-Brasil, Buenos Aires, San Cristóbal de las Casas, CLACSO, Color Tierra, Cooperativa Editorial Retos, 2019. Volume V.
  • JAQUES, Rancière. A Fábula Cinematográfica. Buenos Aires, El Cuenco de Plata, 2001-2018.

Se você tiver algum vínculo com um Centro Associado da CLACSO:

  • Pagamento único: USD 95 (inclui custos de emissão e envio do certificado digital).
Se você possui algum vínculo com uma Rede ou Instituição Associada à CLACSO:
  • Pagamento único: USD 140 (inclui custos de emissão e envio do certificado digital).
 Caso você NÃO tenha vínculo com um Centro Associado da CLACSO:
  • Pagamento único ANTES de 25/08/2020: USD 150 (inclui custos de emissão e envio do certificado digital).
  • Pagamento único: USD 190 (inclui custos de emissão e envio do certificado digital).

Perguntas frequentes

Os requisitos básicos para participar de um seminário são:

  • Disponibilidade de pelo menos 4 horas por semana para se dedicar ao curso do seminário.
  • Acesso à Internet.
  • Domínio adequado das ferramentas de comunicação e informática.
  • Proficiência no idioma em que o curso será ministrado. Os idiomas oficiais são o espanhol e o português.
Os seminários têm duração de 12 semanas, além da conclusão de um projeto final. Um total de 120 horas de dedicação será creditado.
O curso é composto por doze aulas, cada uma acompanhada de leituras obrigatórias, leituras complementares, fóruns de discussão e atividades de aprendizagem propostas pela equipe docente, além de entregas parciais e um projeto final. O curso é ministrado online e de forma assíncrona. Alguns instrutores podem propor atividades síncronas. Nesses casos, a data e o horário serão combinados previamente entre a equipe docente e os alunos para garantir a participação de todos. Para aprovação no seminário, os alunos devem participar de pelo menos 80% dos fóruns de discussão e atividades propostas pelos instrutores, concluir todas as entregas parciais programadas e ser aprovados no projeto final.

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Os métodos de pagamento possíveis são cartão de crédito, transferência bancária e depósito bancário.