Argentina: Por um plano de resgate para o CONICET
Os diretores dos institutos do Conselho Nacional de Pesquisa Científica e Técnica da Argentina (Conicet) reuniram-se na sexta-feira, 12 de abril, e no sábado, 13 de abril, na cidade de Córdoba.
Em uma declaração final, afirmaram que “o desenvolvimento científico e tecnológico representa o principal motor para o avanço produtivo e sociocultural do nosso país e para a promoção do crescente bem-estar da população. As instituições científicas argentinas, incluindo o CONICET, enfrentam atualmente uma profunda crise causada por uma política de desmantelamento, expressa em uma drástica redução do orçamento real destinado às instituições que compõem o sistema científico nacional e agravada pela deterioração do funcionamento institucional. Essa política é incompatível com a aspiração de uma Argentina integrada ao mundo desenvolvido.”
Para analisar o diagnóstico e um plano de resgate, a Rádio CLACSO consultou Mario Pecheny, pesquisador do CONICET no Instituto Germani, professor titular da Universidade de Buenos Aires e eleito membro do conselho do CONICET na área de ciências sociais.

Cientistas analisaram centenas de projetos de pesquisa paralisados por falta de financiamento. “Mais uma vez, testemunhamos a exclusão de jovens pesquisadores do sistema científico. Em muitos casos, essa situação leva ao êxodo de cientistas altamente qualificados, em cuja formação o Estado argentino investiu recursos significativos e que são recebidos de braços abertos por países desenvolvidos. Os institutos de pesquisa não possuem o financiamento mínimo necessário para operar.”
Os responsáveis pela gestão dos Institutos CONICET presentes denunciaram que, "se esta situação não for revertida urgentemente, a deterioração sofrida pelo sistema científico e tecnológico nacional terá consequências devastadoras para o nosso país".
Em sua declaração final, eles estabelecem:
Exigimos a implementação imediata de uma Plano de resgate CONICET que inclui os seguintes pontos:
Aumento emergencial do orçamento do CONICET em magnitude suficiente para garantir o funcionamento dos Institutos, a execução dos projetos aprovados e a atualização dos salários e bolsas de estudo.
• Prorrogação das bolsas de estudo para jovens excluídos até a resolução do próximo concurso para ingresso na carreira de pesquisador científico. Este edital deve incluir um aumento substancial no número de vagas, a fim de reverter o declínio observado nos últimos anos e retomar a trajetória de crescimento.
A normalização imediata do Conselho do CONICET com a nomeação dos membros eleitos.
A reintegração do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação Produtiva.”

Marcha com tochas em defesa da ciência
Em 17 de abril, cientistas argentinos marcharam para denunciar a destruição da ciência em seu país.
Eles marcharam do Palácio Pizzurno, sede do Ministério da Educação, até a Praça de Maio para denunciar os cortes que afetam o setor, exemplificados pela expulsão de mais de dois mil doutores da carreira de pesquisa no Conselho Nacional de Pesquisa Científica e Técnica (Conicet).
“Esse desmantelamento afeta fundamentalmente o direito social à produção de conhecimento na Argentina”, resumiu Federico Montero, secretário de organização da Confederação Nacional de Professores Universitários (Conadu). Essa situação afeta “tudo, desde a produção de medicamentos até o desenvolvimento de vacinas e indústrias ligadas aos processos produtivos”, explicou o dirigente, acrescentando: “Um país que hipoteca a produção de conhecimento está hipotecando seu futuro”.

Além de bolsistas e cientistas do Conicet – a maior organização de ciência e tecnologia da Argentina – a mobilização incluiu trabalhadores do Instituto Nacional de Tecnologia Industrial (INTI), da Comissão Nacional de Energia Atômica (Conea), do Serviço Geológico de Mineração da Argentina (Segemar), do Instituto de Pesquisa Científica e Técnica para a Defesa (Citedef), da Comissão Nacional de Atividades Espaciais (Conea) e do Instituto Nacional de Tecnologia Agropecuária (INTA), entre outros.
No final das contas, as organizações convocaram uma mobilização para o Polo Científico e Tecnológico no dia 23 de abril.