A Argentina se mobilizou em defesa da educação e da saúde.

A capital argentina e as principais cidades do país também testemunharam manifestações massivas na quarta-feira, 17 de setembro, coincidindo com a sessão na Câmara dos Deputados que rejeitou os vetos do presidente Javier Milei às leis de Emergência Pediátrica e de Financiamento Universitário.
Os protestos de rua reuniram diferentes setores, com uma forte presença jovem, que uniram forças para confrontar mais uma vez as políticas recessivas impostas pelo governo neoliberal desde a sua posse em 10 de dezembro de 2023, com cortes na educação e saúde públicas, nos benefícios de aposentadoria, na pesquisa e na ciência, particularmente nas ciências sociais e humanas, etc., aumentando as desigualdades e a pobreza de acordo com as exigências do Fundo Monetário Internacional.

A oposição na Câmara dos Deputados precisava de uma maioria de dois terços para aprovar as leis aprovadas e derrubar os vetos de Milei. O projeto de lei de emergência pediátrica foi aprovado com 181 votos a favor, 60 contra e 1 abstenção, enquanto o projeto de lei de financiamento universitário foi aprovado com 174 votos a favor, 67 contra e 2 abstenções. As decisões agora seguirão para o Senado, onde o partido governista não detém a maioria.

As duas leis vetadas por Milei haviam sido aprovadas em agosto passado e ampliavam os orçamentos públicos destinados às 52 universidades públicas e ao principal hospital pediátrico do país, o Garrahan. A lei de emergência pediátrica também concede verbas extraordinárias a hospitais públicos com poucos recursos e estipula um reajuste salarial para profissionais de saúde com base na inflação. Enquanto isso, a lei de financiamento universitário atualiza as despesas operacionais das universidades de acordo com o Índice de Preços e melhora os salários do corpo docente e da equipe de apoio. O veto do Executivo reacendeu os protestos nas universidades nacionais financiadas pelo Estado, onde estudam quase dois milhões de pessoas.
Segundo um relatório elaborado pelo Centro Ibero-Americano de Pesquisa em Ciência, Tecnologia e Inovação e pela Federação dos Professores Universitários, o investimento nas universidades públicas argentinas caiu 22,1% em 2024 e a previsão é de uma queda adicional de 8,6% em termos reais até 2025. Como resultado, o orçamento universitário passou a representar 0,5% do PIB neste ano, o menor nível desde 2005.
A CLACSO apoia as reivindicações por um orçamento maior e investimentos em educação e saúde públicas, denunciando as políticas ultraliberais e de extrema-direita que tiram daqueles que menos têm e mais precisam, em benefício de uma oligarquia financeira favorecida por governantes que se sustentam por meio de medidas antidemocráticas e cruéis e por meio de forças repressivas, como vem acontecendo na Argentina de Milei.