Argentina, a memória tenaz

Quinze meses após a chegada à Argentina de um governo negacionista que defende a ditadura cívico-militar de 1976 a 1983, a resposta veio nas ruas.

Em diversas cidades do país, com epicentro em Buenos Aires, dezenas de milhares de manifestantes ergueram novamente as bandeiras da memória, da verdade e da justiça, da liberdade de expressão e da defesa da democracia contra os ataques de cunho fascista de alguns governos da região, entre os quais se destaca o governo de Javier Milei e Victoria Villarruel na Argentina.

A ampla participação de pessoas de diferentes idades, com marcante presença de jovens, ocorreu em um contexto de restrições às liberdades públicas e ao direito de manifestação, o que ficou evidente, com mais brutalidade do que em outras ocasiões, na marcha de aposentados em frente ao Congresso Nacional na quarta-feira, 12 de março, que foram recebidos com balas de borracha e gás lacrimogêneo, com um saldo de feridos graves e mais de 100 detidos em um contexto de mobilização de forças repressivas nunca antes visto desde o retorno à democracia em dezembro de 1983.

Os 30.000 detidos desaparecidos durante a ditadura estavam mais presentes do que nunca nos cartazes e slogans.

No evento principal, Estela de Carlotto, presidente da associação Avós da Praça de Maio, exigiu que o Estado continue a garantir “a restituição da identidade dos netos. Estamos lutando para restaurar a identidade das centenas de bebês roubados pela ditadura. A apropriação indevida é um desaparecimento forçado e, enquanto suas verdadeiras identidades não forem conhecidas, esse crime continuará a ser cometido”, afirmou. Ela concluiu: “Precisamos de toda a sociedade para encontrá-los. Nunca é tarde demais”.





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