Em resposta ao feminicídio de Camila Villavicencio e à violação dos direitos das pessoas com deficiência no Chile.
Como Grupo de Trabalho da CLACSO sobre Estudos Críticos em Deficiência Desejamos expressar nossa tristeza e indignação pelo feminicídio de Camila Villavicencio, mulher surda chilena e ativista pelos direitos da comunidade surda, ocorrido em outubro de 2022, e nossa preocupação com a discriminação e as violações de direitos humanos sofridas por ela e sua família, também pertencente à comunidade surda, manifestadas em um processo irregular que dificultou o acesso à justiça e em atitudes discriminatórias por parte de autoridades judiciais e policiais.
Em nossa região ibero-americana, o heteropatriarcado, interseccional ao capacitismo, coloca meninas, adolescentes e mulheres com deficiência em maior risco de violência sexual, econômica, física, psicológica e de todas as outras formas. Nosso compromisso, enquanto grupo de pesquisadores e ativistas com uma perspectiva crítica no campo da deficiência na América Latina, nos leva a manifestar solidariedade a Camila, sua família e à comunidade surda no Chile e em toda a nossa região. Portanto, apelamos ao Estado do Chile para que cumpra os compromissos assumidos ao assinar a Convenção das Nações Unidas sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência, a fim de abordar as barreiras de acesso à justiça para as pessoas surdas; e apelamos ao sistema judiciário chileno para que conduza um processo judicial inclusivo e que acolha as pessoas surdas.
Perspectiva de gênero e inclusão, garantindo equidade e não discriminação para todas as pessoas com deficiência, especialmente mulheres e meninas vítimas de violência sexual.
Conclamamos também os meios de comunicação e as organizações sociais que lutam contra a opressão ou discriminação de outros grupos sociais a se unirem na denúncia desta grave situação. A invisibilidade da violência contra mulheres e meninas com deficiência se reflete na cobertura escassa, tendenciosa ou mal informada de alguns veículos de comunicação e na baixa prioridade dada a esta questão por algumas organizações sociais. Acreditamos que a força dos laços entre o movimento pelos direitos das pessoas com deficiência, o movimento feminista e outros movimentos sociais com os quais compartilhamos condições estruturais de opressão é fundamental para avançarmos rumo à eliminação de todas as formas de violência contra mulheres e meninas com deficiência.
#JustiçaParaCami @justiciaparacami
Dezembro 29 2022
Grupo de Trabalho CLACSO
Estudos críticos em deficiência
Esta declaração expressa a posição de Grupo de Trabalho da CLACSO sobre Estudos Críticos em Deficiência e não necessariamente a do Centros e instituições que compõem a rede internacional CLACSO, seu Comitê Diretivo ou seu Secretariado Executivo.
