Ana Lorena Cartín e sua importância na Rádio Noticias del Continente

 Ana Lorena Cartín e sua importância na Rádio Noticias del Continente

Ana Lorena Cartín, costarriquenha e química de profissão, mas com uma visão política da vida, realizou projetos "de baixo para cima" — como costumava dizer — e faleceu na quinta-feira, 21 de março de 2024. Grupo de Trabalho da CLACSO sobre Violência na América Central Ele lamenta profundamente seu falecimento.

Seu trabalho como diretora da Radio Noticias del Continente (RNC) foi fundamental para as lutas dos povos da Nossa América, particularmente no Cone Sul e na América Central. A RNC dava voz a estudantes costarriquenhos e exilados do Cone Sul, principalmente da Argentina.

Sua principal missão era romper o bloqueio midiático que envolvia os governos ditatoriais da Argentina, Chile, Uruguai e também da América Central, região do continente mergulhada em intensos conflitos. Na Nicarágua, a revolução sandinista havia acabado de triunfar em 1979; em El Salvador, a FMLN continuava sua luta contra a junta militar; e na Guatemala, diversas organizações guerrilheiras faziam o mesmo. A RNC uniu-se a essas lutas, denunciando violações dos direitos humanos e até mesmo transmitindo a última homilia do Arcebispo Romero, que foi ouvida em várias partes do continente. Como ele próprio recordou recentemente: "Transmitimos tudo".

Aos 31 anos, Ana Lorena dirigia a RNC, enfrentando interferência da ditadura argentina na Costa Rica, que buscava informações dela numa tentativa de fechar a emissora. Três anos após seu lançamento, e diante de tentativas de interromper suas transmissões e quatro atentados a tiros e bombas, uma rede de solidariedade à rádio surgiu em países como México, Nicarágua, República Dominicana, Panamá e Equador. A Federação Latino-Americana de Jornalistas também protestou junto ao Presidente da Costa Rica. Em 1981, Ana comentou o seguinte:

Nesta encruzilhada para a liberdade de imprensa na Costa Rica e em nosso continente latino-americano tão fragilizado, reitero meu ponto de vista sobre a arbitrariedade de fechar um veículo de comunicação, sob qualquer pretexto, e deixar impunes os terroristas que realizaram ataques armados contra a RNC, os infiltrados nas forças de segurança do Estado que ameaçaram a segurança da empresa e de seus trabalhadores, os cúmplices das ditaduras que, com amplos recursos, se dedicaram a insultar a emissora e, o que é muito pior, a enganar o povo da Costa Rica com uma série concertada de distorções.

Unimo-nos aos seus entes queridos nesta profunda perda e, em nome do Grupo de Trabalho da CLACSO sobre Violência na América Central, recordamos-na como uma mulher solidária com as lutas da América Latina.

3 de abril de 2024
Grupo de Trabalho CLACSO
Violência na América Central

Este texto expressa a posição de Grupo de Trabalho da CLACSO sobre Violência na América Central e não necessariamente a dos centros e instituições que compõem a rede internacional da CLACSO, seu Comitê Diretivo ou seu Secretariado Executivo.