Amazônia em chamas

 Amazônia em chamas

O aumento dos incêndios na Amazônia é resultado da política criminosa de destruição ambiental do governo Bolsonaro, que inclusive motivou a criação do Dia do Fogo por grandes latifundiários, proprietários de madeira e empresários do agronegócio.

2019 ficará marcado como o ano da destruição. A multiplicação do número de incêndios na floresta amazônica teve impacto em escala global, provocando reações de governos e organizações da sociedade civil em diversos países.

A fumaça das chamas consumiu as cidades do Sudeste do Brasil, escurecendo a metrópole de São Paulo. Grande parte das áreas urbanas da Amazônia foi afetada por esse gigantesco crime ambiental.

A expansão das áreas agrícolas e pecuárias implica o sacrifício de inúmeras espécies da fauna e da flora da região amazônica para beneficiar os lucros do agronegócio, por meio do aumento da produção de commodities destinadas aos mercados da América do Norte, Europa, Oriente Médio, China e Japão.

Com a crescente participação do sistema financeiro nos sistemas agrícolas e pecuários, esse complexo de sistemas denominado agronegócio desenvolveu e expandiu seu poder devastador, transformando-se em dois dos modelos mais predatórios do capitalismo neoliberal.

No Brasil, a aliança entre grandes latifundiários e empresários do agronegócio ampliou seu poder com a eleição do governo Bolsonaro e passou a tratar as questões ambientais de maneira irresponsável, maliciosa e criminosa, baseada nos interesses das corporações capitalistas.

Os latifúndios utilizam queimadas controladas para expandir a fronteira agrícola, aumentar o estoque de terras para especulação e intensificar a concentração fundiária. Esse processo predatório atende às ambições do neoextrativismo mineral e agrícola.

A reação internacional também demonstra o poder hegemônico da aliança entre latifundiários e empresários do agronegócio, que domina tanto governos conservadores quanto progressistas. Esse poder determina os megaprojetos do modelo de desenvolvimento agrícola e mineral, que podem ser mais ou menos controversos, de acordo com a tendência política do governo.

O governo Bolsonaro, com sua política neoliberal, abriu todas as possibilidades de exploração de recursos naturais para o agronegócio, latifundiários e mineradoras. Aprovou o uso de dezenas de tipos de agrotóxicos e incentivou a exploração de territórios indígenas, camponeses e quilombolas.

O Ministro do Meio Ambiente afirmou que a Amazônia precisa de “soluções capitalistas” que beneficiem as quase vinte mil pessoas que vivem na região. Ele critica a criação de áreas de conservação e considera restritivas as leis ambientais. De fato, não será o governo Bolsonaro que apresentará soluções para reverter o aumento do desmatamento na Amazônia.

O governo Bolsonaro ignora os conceitos de desenvolvimento dos povos indígenas e rurais que compreendem e respeitam a natureza e a sociedade, e cuja prioridade é garantir condições de vida dignas para a população e promover a preservação da Amazônia.

Bernardo Mançano Fernandes – Universidade Estadual Paulista (UNESP) e Mônica Dias Martins – Universidade Estadual do Ceará (UECE) são representantes do Brasil no Conselho Diretor do Conselho Latino-Americano de Ciências Sociais (CLACSO)


AMAZON EM CHAMAS

O aumento dos incêndios florestais na Amazônia é resultado da política criminosa de destruição ambiental do governo Jair Bolsonaro, que também levou à criação de um Dia das Fogueiras por latifundiários, madeireiros e empresários do agronegócio.

2019 ficará marcado como o ano da destruição. O aumento dos incêndios na floresta amazônica teve um impacto global, provocando uma resposta de governos e organizações da sociedade civil em diversos países.

A fumaça dos incêndios atingiu cidades do sudeste do Brasil, escurecendo a metrópole de São Paulo. A maioria das áreas urbanas da Amazônia foi afetada por esse desastre ambiental de grandes proporções.

A expansão das áreas agrícolas e pecuárias sacrificou inúmeras espécies da fauna e da flora na região amazônica para beneficiar os lucros do agronegócio, aumentando a produção de commodities para os mercados da América do Norte, Europa, Oriente Médio, China e Japão.

Com o aumento da participação do sistema financeiro nos sistemas agrícolas, esse complexo de sistemas denominado agronegócio aprimorou e expandiu seu poder devastador, tornando-se um dos modelos mais predatórios do capitalismo neoliberal.

No Brasil, a aliança entre latifundiários e empresários do agronegócio ampliou seu poder com a eleição do governo Bolsonaro e passou a tratar as questões ambientais de maneira irresponsável, mesquinha e criminosa, baseada nos interesses das corporações capitalistas.

Os proprietários de terras utilizam o fogo para expandir a fronteira agrícola, aumentar suas reservas de terras para especulação e intensificar a concentração fundiária. Esse processo predatório serve às ambições do neoextrativismo na produção mineral e agrícola.

A reação internacional aos incêndios também demonstra o poder hegemônico da aliança entre latifundiários e agronegócios que domina tanto governos conservadores quanto progressistas. Esse poder determina os megaprojetos do modelo de desenvolvimento agrícola e mineiro, que podem ser mais ou menos controversos dependendo da orientação política do governo.

O governo Bolsonaro, com suas políticas neoliberais, abriu todas as possibilidades de exploração dos recursos naturais para o agronegócio, grandes latifundiários e mineradoras. Aprovou o uso de dezenas de tipos de agrotóxicos e incentivou a exploração de territórios indígenas, camponeses e quilombolas (afrodescendentes).

O Ministro do Meio Ambiente afirmou que a região amazônica precisa de "soluções capitalistas" que gerem renda para os aproximadamente 20 milhões de habitantes da região. Ele critica a criação de áreas protegidas e considera as leis ambientais restritivas. De fato, não será o governo Bolsonaro que proporá soluções para reverter o aumento do desmatamento na Amazônia.

O governo Bolsonaro ignora as concepções de desenvolvimento dos povos indígenas e camponeses, que compreendem e respeitam a natureza e a sociedade, e cuja prioridade é assegurar condições de vida dignas para a população e promover a preservação da Amazônia.

Bernardo Mançano Fernandes – Universidade Estadual Paulista (UNESP) e Mônica Dias Martins – A Universidade Estadual do Ceará (UECE) é representante do Brasil no Comitê Diretor do Conselho Latino-Americano de Ciências Sociais (CLACSO).