Parem a perseguição e o assédio a líderes sociais na Colômbia.

 Parem a perseguição e o assédio a líderes sociais na Colômbia.

El Grupo de Trabalho da CLACSO sobre a Economia Política da Informação, Comunicação e Cultura Reitera sua profunda preocupação com a intensificação da perseguição e do assédio a líderes sociais na Colômbia, especialmente por parte do grupo paramilitar Dissidentes das FARC e de alguns veículos de comunicação pertencentes a elites nacionais e transnacionais.

Condenamos veementemente as ações da Rádio Caracol, em especial no programa "6 AM, Hoy por Hoy". Através de seus jornalistas, as comunidades organizadas do Movimento Político Popular, Social e de Massas do Centro-Leste da Colômbia têm sido estigmatizadas e criminalizadas. Essa manipulação da informação busca justificar uma política de guerra e extermínio contra a população social, colocando em risco a vida de seus líderes e membros.

As graves consequências desse comportamento são evidentes nos recentes ataques perpetrados pelo grupo paramilitar "Dissidentes das FARC". Na madrugada de 31 de março, atacaram com explosivos a sede da cooperativa agrícola Sarare, Cooagrosarare, uma organização de economia solidária com mais de 60 anos de história na região. Assassinaram também o líder comunitário Jorge Luis Meléndez Torres e sequestraram e posteriormente assassinaram Graciel Mendoza, líder comunitário e representante das vítimas, que era membro do comitê para a participação efetiva das vítimas no município de Tame, Arauca.

É importante também lembrar o assassinato do líder social e comunitário e defensor dos direitos humanos Josué Castellanos Pérez, membro do Movimento Político de Massas Social e Popular do Centro-Leste da Colômbia (MPMSPCOC). No dia 5 de março, horas após a declaração do jornalista, Josué foi sequestrado e assassinado pelo grupo paramilitar "Dissidentes das FARC" no município de Tame, Arauca. Condenamos este crime atroz e exigimos justiça para Josué e sua família.

Posteriormente, surgiu um vídeo no qual um dos líderes do grupo paramilitar admitiu a responsabilidade pelos assassinatos, justificando-se com argumentos semelhantes aos divulgados pelo jornalista.

Exigimos que a Rádio Caracol assuma a sua responsabilidade e retire as acusações e o assédio, e instamos as autoridades competentes a investigar e punir esses atos criminosos. Manifestamos a nossa solidariedade às comunidades do Movimento Político Popular, Social e de Massas do Centro-Leste da Colômbia e a todas as organizações que resistem à estigmatização e à violência.

É imprescindível fortalecer e apoiar veículos de comunicação alternativos que pratiquem o jornalismo ético, comprometidos com a verdade, a defesa dos direitos humanos e a visibilidade das lutas populares. Só assim construiremos uma sociedade mais justa e informada, onde a comunicação seja uma ferramenta para a transformação social e a construção do poder popular.

15 de abril de 2024
Grupo de Trabalho CLACSO

Economia política da informação, comunicação e cultura

Este texto expressa a posição do referido Grupo de Trabalho e não necessariamente a dos centros e instituições que compõem a rede internacional CLACSO, seu Comitê Diretivo ou seu Secretariado Executivo.