Alfabetização crítica com crianças e jovens

 Alfabetização crítica com crianças e jovens

Héctor Fabio Ospina e Mónica Salazar Castilla*

No dia 8 de setembro, celebramos o “Dia Internacional da Alfabetização”, instituído pela UNESCO em 1966. Que esta seja uma oportunidade para discutirmos o significado da alfabetização para crianças e jovens na América Latina e no Caribe.

A alfabetização, como ferramenta no processo educacional, é um conceito criado pela escola moderna para homogeneizar a leitura e a escrita em uma única linguagem, desconsiderando a diversidade cultural, visto que educar todos da mesma maneira era o lema da escola moderna. Essa escola torna-se, assim, reprodutora da ideologia, cultura, desenvolvimento, conquista e capital dominantes, enquanto sistema econômico e político que subjuga o território americano.

Partindo dessas premissas, o letramento, enquanto processo de dominação e controle da linguagem, tem sido questionado sob as perspectivas da educação popular e das pedagogias críticas. Para Paulo Freire, a educação é política na medida em que é entendida como a luta contra o silenciamento dos povos; portanto, o letramento, de um ponto de vista educativo transformador, implica aprender coletivamente as linguagens para nomear, escrever e imaginar o mundo. Deve também ser capaz de interpretar as dominações e subjugações dos povos a fim de romper com as formas de escravização estabelecidas nas desigualdades sociais, exercendo a linguagem como palavra e ação.

Para o professor José Martí “A grande revolução está nas aldeias… Saber ler é saber andar… Saber escrever é saber se erguer". Nas palavras desse grande pensador, entende-se que a alfabetização é uma forma de promover a revolução a partir de diferentes conhecimentos, de deixar uma marca, um caminho, um acontecimento e um futuro.

Por fim, gostaríamos de propor a alfabetização como uma perspectiva crítica e diversa, que implica considerar diálogos intergeracionais onde a linguagem de crianças e jovens seja reconhecida e valorizada com o objetivo de construir a história a partir de diversas perspectivas — de gênero, étnica, intercultural, popular e aquelas que respeitam a Mãe Terra — e que sejam ética e politicamente engajadas com a justiça e a equidade social. Nesse diálogo proposto, é importante compreender que as novas gerações foram culturalmente transformadas pelas telas, pela comunicação e pela internet. Por todas essas razões, consideramos a alfabetização como uma leitura e escrita multifacetada do mundo, onde a linguagem e a comunicação se expandem e se transformam.


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* Membros do Centro de Estudos Avançados em Infância e Juventude – Cinde-Universidade de Manizales – Colômbia, e do Grupo de Trabalho CLACSO “Educação Popular e Pedagogias Críticas”