Agroecologia: a ciência agrícola do século XXI

 Agroecologia: a ciência agrícola do século XXI


Seminário 2033

Coordenação: Walter Pengue (Universidade Nacional de General Sarmiento, Argentina)

Início: 08/06/2020 | Inscrição: 20/04/2020 a 24/05/2020

Carga horária: 12 semanas – 90 horas.


A agricultura industrial e o sistema agroalimentar global apresentam claros sinais de deterioração que ameaçam a estabilidade planetária em termos ecológicos, sociais, econômicos e até mesmo culturais. Essa chamada agricultura moderna representa um dos fatores de maior impacto nas mudanças climáticas e ambientais globais. Há mais de trinta anos, um novo modelo vem emergindo da ciência para abordar formas alternativas de produção, baseado em princípios específicos da biologia, ecologia, sociologia, economia ecológica e ecologia política. Esse modelo constitui uma disciplina que aborda essas questões agronômicas, socioeconômicas e de produção de forma holística. Trata-se da agroecologia, uma disciplina científica que atualmente experimenta rápido crescimento e é demandada por pesquisadores e por sociedades urbanas, rurais e suburbanas que defendem formas alternativas de produzir, consumir e impactar o meio ambiente.

Neste curso, abordaremos de forma crítica e construtiva as diversas abordagens da agricultura industrial e seus impactos, bem como novas formas, metodologias, instrumentos e indicadores que nos permitirão compreender e comparar alternativas viáveis, mesmo em ambientes desafiadores, dentro da estrutura diversificada do sistema de produção local, regional e global. Analisaremos, compararemos, identificaremos e resolveremos as diferenças entre abordagens que se baseiam parcialmente em outras perspectivas e objetivos, a fim de compreender o sistema como um todo e o verdadeiro significado desta nova ciência agrícola, que possui seus próprios princípios, metodologias, objetivos, objeto de estudo e indicadores, e que deve ser compreendida em sua totalidade.

A agroecologia opera em três dimensões, que interagem e não podem ser separadas sem que se perca seu conteúdo mais relevante: a soberania alimentar. Portanto, a agroecologia como um todo se define por suas três facetas: ciência, ação e movimento. Para ser verdadeiramente um todo, ela deve aderir a esses princípios, assim como qualquer outra ciência. É isso que discutiremos durante esses três intensos meses de trabalho.

  • Compreendendo o sistema (ecossistema, agroecossistema, neoecossistema)
  • A “nova era”. Do Holoceno ao Antropoceno. Os impactos e indicadores globais da agricultura moderna.
  • Uma breve história da agricultura e sua relação com o meio ambiente.
  • Aspectos básicos da produção agroecológica
  • Clima e produção agroecológica.
  • Fundamentos teóricos da agroecologia.
  • As diferentes abordagens da agroecologia
  • O agroecossistema e sua gestão. Projeto de agroecossistemas.
  • Práticas e gestão na produção agroecológica. Escalas.
  • Manejo agroecológico de pragas e doenças.
  • Relações entre culturas – Policulturas e outras.
  • Indicadores e métodos para a valoração da agroecologia – questões de economia social, solidária e ecológica.
  • Aguirre, P. (2017). Uma história social da alimentação. 1ª edição. Lugar Editorial. EDUNLA. Buenos Aires (Primeiro Capítulo).
  • Altieri, MA et al. (1999). Agroecologia: Bases científicas para a agricultura sustentável. Editora da Comunidade Nordan. Montevidéu.
  • Altieri, M.A. 1995. Agroecologia: A Ciência da Agricultura Sustentável. CRC Press.
  • Atlas do Agronegócio. (2018) Fundação Heinrich Böll, Fundação Rosa Luxemburgo, GEPAMA. Atlas do Agronegócio 2018. Buenos Aires, novembro de 2018.
  • CALISA (2019). Agroecologia Cosmética. Mudando algo para que nada mude. CALISA FAUBA. Disponível e consultado em 27 de março de 2020.
  • CIDSE (2018). Os princípios da Agroecologia. Rumo a sistemas alimentares justos, resilientes e sustentáveis. Acesso em 17/02/2020.
  • Colin, A., Pimbert, M., Kiss, C. (2015). Construindo, defendendo e fortalecendo a agroecologia. Uma luta global pela soberania alimentar.
  • FHB (2014). Atlas da Carne. Fatos e Números Sobre os Animais que Comemos. FHB e LMD.
  • FAO (2018). O direito à alimentação. Acesso em 20/03/2020. Disponível em http://www.fao.org/right-to-food/es/
  • FAO (2019). Os 10 elementos da Agroecologia. Guia para a transição rumo a sistemas alimentares e agrícolas sustentáveis. 
  • Holt-Gimenez, E. (2008). De agricultor para agricultor: Vozes do Movimento Camponês Latino-Americano pela Agricultura Sustentável. SIMAS: Manágua.
  • Holt-Gimenez, E. e Altieri, M. (2016). Agroecologia “leve”: cooptação e resistência em países do norte. Recuperado em 20 de fevereiro de 2020.
  • GEPAMA (2019), Agroecologia, para quê?, para quem?, para quantos?. Palestra do Dr. Manolo González de Molina. Teatro ROJAS, GEPAMA, UBA. 
  • Giraldo, OF e McCune, N. (2019). O Estado pode levar a agroecologia a uma escala maior? Experiências de políticas públicas em territorialização agroecológica na América Latina. Revista Agroecologia e Sistemas Alimentares Sustentáveis.
  • Gliessman, S.R. (2015). Agroecologia: A Ecologia dos Sistemas Alimentares Sustentáveis. 3ª Edição. Boca Raton, FL, EUA, CRC Press, Taylor & Francis Group.
  • Guzmán Casado, GI, González de Molina, M. e Eduardo Sevilla Guzmán (2000). Introdução à Agroecologia como Desenvolvimento Rural Sustentável. Editorial Edições Mundi-Prensa.
  • IFOAM (2019). Documento de posição sobre agroecologia. Orgânico e agroecologia: trabalhando para transformar nosso sistema alimentar. Grupo IFOAM UE. Tornando a Europa mais orgânica.
  • IPBES (2018). Capítulo 5: Interações atuais e futuras entre a natureza e a sociedade. In IPBES (2018): Relatório de avaliação regional do IPBES sobre biodiversidade e serviços ecossistêmicos para as Américas. Rice, J., Seixas, C.S., Zaccagnini, M.E., Bedoya-Gaitan, M., e Valderrama, N. (orgs.). Secretariado da Plataforma Intergovernamental de Políticas Científicas sobre Biodiversidade e Serviços Ecossistêmicos, Bonn, Alemanha, pp. 437-521.
  • Limbery, P. (2017). A carne que comemos. O verdadeiro custo da pecuária industrial. Alianza Editorial. Madrid.
  • León Sicard, T. (2016). Perspectiva Ambiental da Agroecologia. A ciência dos agroecossistemas. AIE. Editorial Universidade Nacional da Colômbia. Ideias 23. Bogotá.
  • MISEREOR (2018). Chappell, MJ e Annelie, B. Agroecologia como um caminho para sistemas alimentares sustentáveis. MISEREOR, Aachen.
  • Odum, EP Ecologia. Série Biologia Moderna. Editora CECSA. México. 1980.
  • Pengue, WA. Economia ecológica e desenvolvimento na América Latina. Revista Fronteras 7. Buenos Aires. 2008.
  • Pengue, WA. Fundamentos de Economia Ecológica. Editora Kaicron. Buenos Aires. 2009.
  • Pengue, Walter A. Bens intangíveis ambientais, terra virtual e novas formas de valoração da natureza: discussões alternativas diante da crise da civilização, (páginas 207-252) em Pensado Leglise Mario (organizador) Território e Meio Ambiente, Abordagens Metodológicas, SIGLO XXI CCIEMAD, 343 páginas, México, 2012.
  • Pengue, Walter A (2012). Metabolismo social, recursos e sustentabilidade: o desafio do milênio. Frontiers 11: 29-39. ISSN 1667-3999, GEPAMA, FADU, UBA. Buenos Aires.
  • Pengue, WA. O esvaziamento de Las Pampas. GEPAMA FHB. 2017 
  • Pengue, WA e Rodriguez, A. Agroecologia, Meio Ambiente e Saúde. GEPAMA. FHB. Livro. Buenos Aires e Santiago. 2018.
  • Pengue, WA. Pensamento ambiental do Sul: Complexidade, recursos e ecologia política latino-americana. Edições UNGS. GEPAMA. Fundação Heinrich Böll Cone Sul. (2017)
  • Pengue, WA (2020). Os fundamentos e princípios da agroecologia: uma perspectiva da América Latina. FRONTERAS 18. GEPAMA. Buenos Aires.
  • PNUMA. Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente. Relatório GEO 5. (2010).
  • PNUMA. 2010. Painel de Recursos. Produtos e Materiais Prioritários. Avaliação do Impacto Ambiental do Consumo e da Produção.
  • Rockström J, Steffen W, Noone K, Persson A, Chapin FS, Lambin EF, Lenton TM, Scheffer M, Folke C, Schellnhuber HJ, Nykvist B, de Wit CA, Hughes T, van der Leeuw S, Rodhe H, Sörlin S, Snyder PK, Costanza R, Svedin U, Falkenmark M, Karlberg L, Corell RW, Fabry VJ, Hansen J, Walker B, Liverman D, Richardson K, Crutzen P, Foley JA (2009). Um espaço operacional seguro para a humanidade. Natureza. 24 de setembro de 2009;461(7263):472-5. doi:10.1038/461472a
  • Smith, TM e Smith, RL. Ecologia. 6ª edição. Pearson. México. 2012.
  • TEEB. UNEP.(2018). Medindo o que precisa ser medido na Agricultura e Alimentação. Genebra.
  • Toledo, VM. Metabolismos rurais: rumo a uma teoria econômico-ecológica da apropriação da natureza. Revista Ibero-Americana de Economia Ecológica. 7: 1-26. 2008.
  • PNUMA. Painel de Recursos. 2014. Avaliando o Uso Global da Terra: Equilibrando o Consumo com o Abastecimento Sustentável
  • Vitousek, P., P. Ehrlich, AH & PA Matson. Apropriação humana do produto da fotossíntese. Bioscience 14: 368-373. 1986.

 

Se você tiver algum vínculo com um Centro Associado da CLACSO:

  • Pagamento único: USD 95 (inclui custos de emissão e envio do certificado digital).
Se você possui algum vínculo com uma Rede ou Instituição Associada à CLACSO:
  • Pagamento único: USD 140 (inclui custos de emissão e envio do certificado digital).
 Caso você NÃO tenha vínculo com um Centro Associado da CLACSO:
  • Pagamento único ANTES de 07/06/2020: USD 150 (inclui custos de emissão e envio do certificado digital).
  • Pagamento único: USD 190 (inclui custos de emissão e envio do certificado digital).

Perguntas frequentes

Os requisitos básicos para participar de um seminário são:

  • Disponibilidade de pelo menos 4 horas por semana para se dedicar ao curso do seminário.
  • Acesso à Internet.
  • Domínio adequado das ferramentas de comunicação e informática.
  • Proficiência no idioma em que o curso será ministrado. Os idiomas oficiais são o espanhol e o português.
Os seminários têm duração de 12 semanas, além da conclusão de um projeto final. Serão creditadas 48 horas de trabalho com o instrutor e 120 horas de dedicação total.
O curso é composto por doze aulas, cada uma acompanhada de leituras obrigatórias, leituras complementares, fóruns de discussão e atividades de aprendizagem propostas pela equipe docente, além de entregas parciais e um projeto final. O curso é ministrado online e de forma assíncrona. Alguns instrutores podem propor atividades síncronas. Nesses casos, a data e o horário serão combinados previamente entre a equipe docente e os alunos para garantir a participação de todos. Para aprovação no seminário, os alunos devem participar de pelo menos 80% dos fóruns de discussão e atividades propostas pelos instrutores, concluir todas as entregas parciais programadas e ser aprovados no projeto final.

Se você tiver algum vínculo com um Centro Associado da CLACSO:

  • Pagamento único: USD 95 (inclui custos de emissão e envio do certificado digital).
Se você possui algum vínculo com uma Rede ou Instituição Associada à CLACSO:
  • Pagamento único: USD 140 (inclui custos de emissão e envio do certificado digital).
 Caso você NÃO tenha vínculo com um Centro Associado da CLACSO:
  • Pagamento único ANTES de 07/06/2020: USD 150 (inclui custos de emissão e envio do certificado digital).
  • Pagamento único: USD 190 (inclui custos de emissão e envio do certificado digital).
Os métodos de pagamento possíveis são cartão de crédito, transferência bancária e depósito bancário.