Adiós a Nora Cortiñas
Desde el Consejo Latinoamericano de Ciencias Sociales lamentamos profundamente el fallecimiento de Nora Cortiñas, integrante de Madres de Plaza de Mayo Línea Fundadora de Argentina y una de las figuras más emblemáticas y queridas de la lucha por los derechos humanos. Dedicó su vida a la búsqueda de verdad y justicia para las víctimas de la dictadura en Argentina.
Deja un vacío inmenso, pero también un legado imborrable. Su vida y su obra son un testimonio de la fuerza del amor y la justicia frente a la opresión y la injusticia.
Un fuerte abrazo a su familia, amigos y compañeros en este momento de profundo dolor, y reafirmamos nuestro compromiso con los ideales que Norita defendió con tanto coraje.
Nora Cortiñas, presente. ¡Ahora y siempre!
Compartimos su participación, en marzo de 2023 en el Panel «A 40 años del retorno de la democracia en la Argentina: La desaparición forzada de personas en AL y la defensa de los DDHH», junto a Karina Batthyány, Luz Marina Monzón, Constanza Ramirez Molano y Ana María Careaga.
Estas son sus cálidas palabras, que le regaló a CLACSO en 2023, con motivo de los 40 años de democracia y que quedarán plasmadas como recuerdo imborrable en la memoria de todas y todos:
«Cada amanecer se renueva la lucha, sin bajar los brazos».
Há mais de 45 anos que caminhamos, buscamos e erguemos as bandeiras dos 30.000. Caminhamos mais devagar, é verdade; muitas mães e avós já não estão entre nós, mas somos impulsionados pela força das novas gerações. A memória não se apaga, a verdade é o nosso clamor diário e a justiça é uma dívida que deve ser paga. O 40º aniversário do retorno à democracia representa uma verdadeira vitória que todos devemos valorizar. Hoje, como ontem, a luta renova-se a cada amanhecer, sem jamais desistir.
Empunhamos as bandeiras da luta de nossos filhos e filhas; podemos dizer que eles nos "deram à luz". Assim, nesta longa jornada sem fim, absorvemos e abraçamos o compromisso e a dedicação que nos foram incutidos, bem como a coragem e a solidariedade que são dons inatos.
Ano após ano, é essencial continuar a marcar a memória daquele fatídico dia de 1976 com fogo, mobilizado, a cada 24 de março. É uma oportunidade para renovar a condenação da ditadura cívico-militar na Argentina, que foi mais um elo na série de golpes de Estado na América do Sul nas décadas de 50, 60 e 70, orquestrados a partir de Washington e da Escola das Américas no Panamá.
O preço a pagar pelo plano sistemático de repressão em nosso país é bem conhecido: 30 mulheres e homens detidos ou desaparecidos, arrancados de suas famílias, seus empregos, seus sindicatos ou seu ativismo político; milhares assassinados, presos, exilados; quinhentos bebês tomados de suas mães grávidas e em cativeiro, a maioria deles à espera de encontrar sua verdadeira identidade, como 132 conseguiram fazer graças à busca incansável das Avós da Praça de Maio.
Pessoalmente, participei das marchas que começaram em 30 de abril de 1977, ao redor da Pirâmide da Praça de Maio, em Buenos Aires, para exigir respostas sobre meu filho Gustavo, um ativista político sequestrado em 15 de abril de 1977. Ele era estudante e iniciou seu ativismo ao lado do Padre Carlos Mugica na Vila 31. Desde então, ombro a ombro com outras mulheres corajosas, nos tornamos mães para todos os 30.000 jovens que foram levados durante a noite mais sombria da história contemporânea da Argentina.
A primeira rodada foi num sábado, depois escolhemos quinta-feira porque, segundo uma mãe, no folclore, dias com a letra R trazem azar; isso nos deixou apenas com segunda e quinta. Segunda-feira era impossível, tínhamos tarefas do fim de semana para terminar. Então foi quinta-feira às 15h30, já que é quando a maior parte das pessoas sai dos escritórios no centro de Buenos Aires. Você ainda pode nos encontrar lá e participar da rodada, que só foi interrompida pela pandemia da Covid-19.
Nossa luta, cercada pelo calor do nosso povo, foi muito difícil em seus primórdios. As primeiras mães estavam unidas pela dor, angústia, incerteza, sem saber onde estavam, por que haviam sido levadas. Não toleravam que fôssemos às ruas com nossos lenços brancos na cabeça; muitas portas nos foram fechadas; éramos chamadas de "mães terroristas"; um ditador nos chamou de "as Loucas da Praça de Maio"; fomos perseguidas, e três de nossas companheiras foram levadas nos dias 8 e 10 de dezembro de 77: Azucena Villaflor de Devincenti, Mary Ponce de Bianco e Esther Ballestrino de Careaga, juntamente com as freiras francesas Léonie Duquet e Alice Domont, e um grupo de ativistas de direitos humanos, vítimas do genocida Alfredo Astiz e seu grupo de sequestradores na Escola de Mecânica da Marinha (ESMA). Honramos nossos camaradas a cada passo que damos, porque eles arriscaram suas vidas em tempos de repressão brutal.
A busca pela verdade está ligada não apenas aos julgamentos dos perpetradores (lentos, incompletos, tendenciosos e tardios), mas também à busca pelos restos mortais dos desaparecidos. Os ossos falam, acusam, curam feridas, abrem novos caminhos de luta, alimentam a memória. É importante destacar o trabalho da Equipe Argentina de Antropologia Forense (EAAF), tanto científico quanto humano, no apoio a cada família em sua busca e no momento da identificação de um filho ou filha.
Quarenta e sete anos após o golpe de 1976, quarenta anos após a restauração da democracia, as Mães permanecem firmes, apoiando as lutas populares, acolhidas pelo calor e afeto de meninos e meninas que assumiram a tocha dos 30.000 e continuam a clamar por memória, verdade e justiça.

Afiche: Direito à memória e à resistência


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