Apoio ao Manifesto preparado no Festival "Mulheres Diversas pela Diversidade"
Da Agroecologia como um campo transdisciplinar de concepção e produção de ações e instituições para a transformação dos sistemas alimentares rumo à sustentabilidade e ao bem-estar e de Grupo de Trabalho CLACSO sobre Agroecologia Políticaque busca estabelecer uma estrutura comum de análise para aprimorar a ação agroecológica coletiva com múltiplos atores e em múltiplos níveis e dimensões, aderimos a Manifesto elaborado por mulheres no Festival “Mulheres Diversas pela Diversidade”Em relação ao decreto presidencial para eliminar gradualmente o uso de OGMs e glifosato no México.
O México é o segundo país com maior biodiversidade do planeta, resultado de um esforço coevolutivo milenar entre humanos e não humanos. A expansão dessa megadiversidade centrou-se na domesticação e na contínua diversificação do milho e do sistema de milpa; esses elementos moldaram a vida agrária de seus povos em todo o país, esculpindo suas paisagens e contribuindo para a longa e complexa construção de mundos e para as diversas maneiras de compreendê-los e construí-los. Assim, sua rica expressão simbólica e material está intrinsecamente ligada a cada uma de suas culturas, línguas, formas de produção e culinárias. No México, sem milho, não há raiz. O Grupo de Trabalho de Agroecologia Política da CLACSO apoia e reproduz neste espaço o manifesto dessas mulheres que tecem resistência e lutas, alimentação e cultura, biodiversidade e direitos, comunidade e soberania.
MANIFESTO
Nós, mulheres do mundo, reunidas em Dehradun, na Índia, como "Mulheres Diversas pela Diversidade", representando 17 nacionalidades e múltiplas culturas, saudamos e apoiamos a decisão do governo mexicano, por meio do decreto presidencial, de eliminar gradualmente o uso de transgênicos e glifosato.
Estamos indignados e consternados com o fato de o governo dos Estados Unidos estar tentando pressionar o governo mexicano a impor o milho transgênico, violando a soberania do México e seus direitos soberanos consagrados em acordos internacionais.
Nós, mulheres diversas do mundo que trabalhamos pela proteção da biodiversidade e resistimos à imposição de transgênicos que destroem nossa biodiversidade e nossa soberania alimentar, apoiamos o governo mexicano e condenamos a intimidação dos Estados Unidos e da indústria biotecnológica para impor transgênicos ao México e ao mundo, violando a Convenção sobre Diversidade Biológica e o Protocolo de Cartagena sobre Biossegurança, que consagram a soberania e a proteção dos direitos dos povos indígenas.
Princípio da precaução. Solicitamos também à Comissão Europeia que mantenha as decisões que tomou ao abrigo do princípio da precaução.
Solicitamos ao Governo o seguinte:
– Parem com essa estratégia de pressionar o governo mexicano a aceitar o milho geneticamente modificado. O México é o reservatório genético mundial do milho, que devemos preservar.
– Reconhecer e aceitar as decisões políticas adotadas democraticamente por um país soberano.
– Reconhecer que as políticas do México são baseadas em sólidas evidências científicas internacionais que demonstram os impactos nocivos dos OGM e do glifosato na saúde humana e ambiental.
– Reconhecer que a biodiversidade do milho no México é essencial para a soberania alimentar não só no México, mas em todo o mundo. Nenhum organismo geneticamente modificado deve ser introduzido em um país que é um centro de diversidade.
Nós, mulheres diversas, nascemos como um movimento em defesa da diversidade biocultural e resistimos aos transgênicos em todo o mundo, pois os transgênicos, os pesticidas e o sistema alimentar industrial são as principais causas do desaparecimento da biodiversidade. Continuaremos nossa luta em defesa da vida, da diversidade e da liberdade.
16 de março de 2023
Grupo de Trabalho CLACSO
Agroecologia Política
Esta declaração expressa a posição do referido Grupo de Trabalho e não necessariamente a da Centros e instituições que compõem a rede internacional CLACSO, seu Comitê Diretivo ou seu Secretariado Executivo.
