Acordo entre o Mercosul e a União Europeia

 Acordo entre o Mercosul e a União Europeia

O estudo abrangente sobre o “Acordo entre o Mercosul e a União Europeia – suas cláusulas e efeitos”, de Luciana Ghiotto e Javier Echaide, é mais um exemplo de como governos negociam acordos comerciais às escondidas de seus cidadãos, sem qualquer supervisão ou escrutínio democrático. Uma negociação que durou 20 anos foi finalmente concluída em seis meses após a posse de Jair Bolsonaro no Brasil, enquanto Mauricio Macri era presidente da Argentina. Não houve consultas com pequenas e médias empresas (PMEs), sindicatos ou setores sociais em nenhum dos dois países.

O relatório será apresentado virtualmente na sexta-feira, 5 de junho, às 15h, horário da Argentina, com um painel que inclui a diplomata argentina María del Carmen Squeff (EX-EMBAIXADORA DE SEU PAÍS NA FRANÇA) e a eurodeputada alemã Anna Cavazzini (Aliança 90 / Os Verdes).


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Algumas conclusões do relatório:

O Mercosul e a UE apresentam assimetrias econômicas inegáveis. Uma vez em vigor, este acordo manterá e aprofundará as assimetrias existentes.

O aumento das exportações de produtos agrícolas para a UE levará a um aprofundamento do modelo do agronegócio.

Os países do Mercosul podem sofrer com uma maior desindustrialização e um agravamento das consequências ambientais e sociais negativas resultantes do aprofundamento da produção baseada em monoculturas e na exploração de minerais.

O acordo terá um impacto direto nos setores produtivos que atualmente geram uma quantidade significativa de empregos, especialmente nos setores de autopeças, máquinas, produtos químicos, têxteis e calçados.

O acordo levará ao desmantelamento das cadeias de valor regionais que funcionam desde a criação do bloco.

Os grandes vencedores deste acordo são as grandes corporações europeias. Estas são economicamente mais fortes e estão em melhor posição do que as suas congéneres do Mercosul.

O acordo abre novos mercados, especialmente para empresas da UE, ao mesmo tempo que impede a utilização de políticas públicas para regular investimentos, serviços, comércio eletrónico ou a circulação de capitais.

O acordo levará a um aumento nas emissões de gases de efeito estufa e à expansão do desmatamento.


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