Academia e ativismo impulsionam programa antirracista em Cuba.

 Academia e ativismo impulsionam programa antirracista em Cuba.

O curso mais recente da Escola Itinerante de Vozes Afrofeministas deixou uma proposta de ação antirracista em diversas comunidades e espaços.

Havana, 26 de abril - Com uma oficina integrativa que construiu um conjunto de ferramentas para multiplicar o conhecimento e a disseminação sobre o Programa nacional de combate ao racismo e à discriminação. O curso “Realidades antirracistas: multiplicando e tecendo sonhos” foi concluído em Cuba.

Esta recente iniciativa de formação da Escola Itinerante de Vozes Afro-Feministas incluiu atividades de performance em diversas comunidades e espaços. Em formato de ensino híbrido, as sessões ocorreram entre 15 e 20 de abril, sob a coordenação da professora e pesquisadora Rosa Campoalegre.  .

“O que estávamos tentando alcançar? Romper o silêncio em torno do Programa Nacional de Combate ao Racismo, a falta de conscientização. O principal objetivo é ampliar seu alcance e, para isso, um grupo de cerca de 10 instituições acadêmicas do país, lideradas pelo programa, se uniram”, explicou Campoalegre.

O curso também teve como objetivo aproximar cada aluno do tema, por meio da reflexão crítica e proativa sobre o racismo, a partir de uma perspectiva decolonial e interseccional, com o conhecimento situado nos avanços e desafios, como base para sua posterior aplicação em diversos contextos sociais.

A programação do curso incluiu a luta contra o racismo, seu significado, abordagens e desafios; o Programa Nacional de Combate ao Racismo e à Discriminação Racial, seus principais objetivos e desafios; o valor metodológico da abordagem afirmativa abrangente; e os progressos, desafios, caminhos e recursos para a implementação do programa.

No último dia, a canção “Mi casa.cu”, do trovador cubano Tony Ávila, foi o fio condutor que motivou a reflexão e a busca por ferramentas para a apresentação.

Partindo da desconstrução da obra musical, foram realizadas discussões sobre genealogia crítica, a necessidade de motivar para promover a participação ativa, a relevância de recorrer à ancestralidade em qualquer ação (como guia e ferramenta) e a defesa da identidade e da unidade na diversidade.

Na troca e na construção coletiva, houve concordância sobre a necessidade de mudança, mas com limites políticos, epistêmicos e necessários, sem prejudicar os fundamentos.

Quebre a caixa

Este curso faz parte da Escola Itinerante da Rede Internacional de Vozes Afrofeministas (RIVAS), um projeto contra-hegemônico em construção com a Universidade da Diáspora Africana, afirmou Campoalegre.

“Esta foi a primeira… Este tipo de ação será desenvolvido pela Escola nos 18 países da América Latina, África e Europa que compõem o RIVAS, e o tema será selecionado com base no diagnóstico do problema racial nesses países e, em particular, na influência política das mulheres afro na luta contra o racismo”, acrescentou.

Segundo a pesquisadora, em Cuba o diagnóstico mostrou que o mais importante é apoiar e expandir o Programa Nacional de Combate ao Racismo e, em seguida, dar continuidade a outras questões, especialmente as afrofeministas.

Ele explicou que o curso foi concebido “a partir de um nível de familiarização, para que as pessoas conhecessem o Programa Nacional de Combate ao Racismo, se sentissem motivadas a multiplicá-lo e tomassem pelo menos uma ação importante, estendendo a questão ao bairro”.

“As atividades são as 'Oficinas que Minha Casa Precisa' (uma frase tirada da música de Ávila) com um toque cubano (um programa nacional antirracista). As oficinas serão ministradas por graduados do primeiro curso”, anunciou Campoalegre.

Espera-se que um segundo curso seja oferecido para credenciar professores e tutores que serão alocados em diferentes contextos em todo o país, incluindo a Universidade de Cienfuegos, em parceria com a Cátedra Nelson Mandela do Centro de Pesquisa Psicológica e Sociológica (CIPS).

“Acreditamos que estamos no caminho certo para prosseguir. O que o distingue, em que sentido é pioneiro? Na articulação entre a academia e o ativismo afrodescendente, trata-se de um percurso que apaga as fronteiras entre ambos os processos, o acadêmico e o ativista; é uma ação de ativismo muito poderosa com uma base acadêmica e científica”, avaliou o especialista.

O início da jornada

“A formação desempenha um papel fundamental na luta contra o racismo e a discriminação; portanto, estudar o alcance e o conteúdo do programa nacional é essencial”, declarou a professora Felicitas López, da Cátedra Nelson Mandela e do grupo de trabalho sobre afrodescendentes e propostas contra-hegemônicas do Conselho Latino-Americano de Ciências Sociais (CLACSO).

Na opinião dele, “a escola é um dos meios para alcançar esse objetivo e um passo adiante em nosso projeto para erradicar a discriminação e o racismo. É nisso que estamos trabalhando”, afirmou.

Por meio do WhatsApp, o pesquisador Geidi Fundora compartilhou: “Parabéns por esta experiência frutífera e motivadora que foi este curso” e que “ela se multiplicará, como sonhamos desde o início”.

A iniciativa foi promovida pela Cátedra de Estudos Nelson Mandela do CIPS, credenciada pela Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais, com a participação da Universidade de Ciências Pedagógicas e outras. (2023)

O texto completo pode ser visualizado no seguinte link: link


 Professora e pesquisadora sênior do Centro de Pesquisa Psicológica e Sociológica. Laureada com o Prêmio da Academia Cubana de Ciências. Coordenadora do Grupo de Trabalho da CLACSO sobre Afrodescendentes e Propostas Contra-Hegemônicas. E-mail: [email protected]