À comunidade internacional, em relação ao ataque à Venezuela.

DECLARAÇÃO URGENTE À COMUNIDADE INTERNACIONAL SOBRE O ATAQUE À VENEZUELA
O Comitê Diretivo do Conselho Latino-Americano de Ciências Sociais (CLACSO) expressa sua mais veemente e categórica condenação à agressão militar perpetrada pelo governo dos Estados Unidos da América contra a República Bolivariana da Venezuela na madrugada de 3 de janeiro de 2026.
Este ato de força, dirigido contra território e população civil, constitui uma afronta à paz mundial, uma transgressão criminosa do direito internacional e uma ameaça direta aos fundamentos da coexistência soberana entre os Estados.
Consideramos esta ofensiva armada um retrocesso histórico em direção às práticas coloniais, uma tentativa de subjugar violentamente uma nação soberana e saquear seus recursos estratégicos, violando flagrantemente a Carta das Nações Unidas e a Proclamação da América Latina e do Caribe como Zona de Paz. Constitui também um ataque direto ao princípio inalienável da autodeterminação dos povos, estabelecendo um precedente extremamente perigoso para a soberania de todas as nações do Sul Global.
Este ato demonstra também uma escalada do intervencionismo que ignora o direito inalienável dos povos de forjarem seu destino político, econômico e social, livres de toda coerção e ameaças externas.
Diante dessa grave situação, o Comitê Diretivo do CLACSO reafirma o direito da Venezuela, sob o direito internacional, de salvaguardar sua integridade territorial e a segurança de seu povo. Ao mesmo tempo, expressa sua profunda preocupação com a situação das autoridades venezuelanas e da população civil e solicita urgentemente que o governo dos Estados Unidos cesse as ações militares, esclareça sua situação e garanta o bem-estar dessas pessoas.
Conclamamos a comunidade acadêmica, as redes intelectuais e os movimentos sociais em todo o mundo a articular uma resposta coletiva de solidariedade, baseada na denúncia crítica e na mobilização coordenada, a fim de deter a agressão e defender o quadro do direito internacional.
Por fim, instamos os Estados e as organizações multilaterais a assumirem um papel firme na defesa da paz e na rejeição da intervenção, promovendo em todos os fóruns as ações necessárias para garantir a responsabilização por este ato de força.
A história da nossa América é marcada por lutas contra a dominação estrangeira. Hoje, como ontem, a resposta deve ser a unidade na diversidade, a firmeza na defesa da soberania e a mobilização consciente das forças democráticas e populares. A paz com justiça e dignidade só será possível com o pleno respeito à vontade do povo.
Comitê Diretivo da CLACSO
3 de Janeiro de 2026