35º aniversário da Equipe Argentina de Antropologia Forense

 35º aniversário da Equipe Argentina de Antropologia Forense

A Equipe Argentina de Antropologia Forense (EAAF), fundada em 1984, celebrou seu 35º aniversário em 23 de maio no Centro Científico da cidade de Buenos Aires, cercada por familiares de desaparecidos, membros de organizações de direitos humanos, artistas e cientistas, entre outros.

Após homenagear o antropólogo americano Clyde Snow, mentor da EAAF falecido em maio de 2014, Mercedes Doretti, uma das fundadoras, falou sobre o trabalho da equipe na América Central e nos Estados Unidos, focado em migrantes desaparecidos e vítimas de feminicídio, chamado "Proyecto Frontera" (Projeto Fronteira). Este projeto busca identificar aqueles que morrem nos corredores migratórios do México ou do Arizona após viajarem de países da América Central. Ela também mencionou a participação da equipe na investigação do aterro sanitário de Cocula, no estado de Guerrero, que permitiu refutar a versão oficial do governo mexicano de que os 43 estudantes de Ayotzinapa teriam sido incinerados no local.

“Tudo o que foi conquistado na Argentina em termos de verdade, justiça, reparação e memória é fruto da perseverança e mobilização da sociedade civil; foi preciso lutar nas ruas, às vezes com o apoio do governo e outras vezes não”, destacou Luis Fondebrider, diretor da EAAF, que afirmou: “Um país sem ciência não é um país”.

O evento foi encerrado com um discurso de Estela de Carlotto, presidente das Avós da Praça de Maio, que relembrou os esforços iniciais em 1982 "para verificar se nossas amostras de sangue poderiam ajudar a identificar os netos". Ela concluiu: "Com seu respeito, sua gentileza e seu sacrifício, os antropólogos nos deram a satisfação de termos sido fundamentais para moldar essa causa; por isso, os consideramos como nossos próprios filhos".

Fundada em Buenos Aires, a EAAF rapidamente ganhou reconhecimento internacional por seu profissionalismo e compaixão, atraindo solicitações de organizações e famílias em cinco continentes. Entre as organizações que solicitaram seus serviços estão: o Tribunal Penal Internacional para a ex-Iugoslávia; o Escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos; as Comissões da Verdade das Filipinas, Peru, El Salvador e África do Sul; as Procuradorias Públicas da Etiópia, México, Colômbia, África do Sul e Romênia; o Comitê Internacional da Cruz Vermelha; a Comissão Presidencial para a Busca dos Restos Mortais de Che Guevara; e a Comissão Bicomunal para os Desaparecidos do Chipre, entre muitas outras.

PRÊMIO JUAN GELMAN

No âmbito do Primeiro Fórum Mundial de Pensamento Crítico da CLACSO, em novembro de 2018, a Equipe Argentina de Antropologia Forense foi reconhecida com o “Prêmio Latino-Americano Juan Gelman” por sua comprovada e indiscutível expertise e rigor científico; seu compromisso, honestidade e ética na busca da Verdade e da Justiça no campo dos Direitos Humanos, com ativa e enorme relevância.

Coorganizada pelo Conselho Latino-Americano de Ciências Sociais (CLACSO) e pela Universidade Nacional de Quilmes (UNQ), a designação dos premiados foi realizada por um Conselho Acadêmico composto por Carlos Fidel (UNQ, Argentina), Dora Barrancos (UNQ, Conicet, Argentina), Mirtha Guianze (Ex-Presidente do Instituto Nacional de Direitos Humanos e Ouvidor, Uruguai) e Mercedes Olivera Bustamante (Universidade de Ciências e Artes de Chiapas, México).