Teorías armadas: pensar con las luchas contracoloniales

 Teorías armadas: pensar con las luchas contracoloniales


Seminario 2249

Cátedra: CLACSO
Coordinación: José Carlos Gomes dos Anjos (Universidad Federal do Rio Grande do Sul, Brasil).

Equipo docente: Julio Souto Salom (Universidad del Estado de Santa Catarina, Brasil), Maria Aparecida de Oliveira Lopes, José Carlos Gomes dos Anjos y Eduardo Guedes Pacheco (Universidad Federal do Rio Grande do Sul, Brasil).

Inicio: 08/09/2022 | Inscripción: 23/03/2022 al 07/09/2022

Carga horaria: 12 semanas – 90 horas.

Las clases de este seminario serán dictadas principalmente en portugués. Las intervenciones de las y los estudiantes en los foros de debate y la elaboración del trabajo final podrán realizarse en los idiomas oficiales de CLACSO (español y portugués).



Amílcar Cabral, em A arma da teoria, tenta equacionar o lugar da teoria nas lutas contra a colonização. “Por mais quente que seja a água da fonte, ela não coze o teu arroz”: por mais que um quadro de interpretação geral do colonialismo seja importante para as lutas, a libertação não ferve com ideias importadas, ela é feita com o fogo de esforço e sacrifício próprio. Esse ditado popular e o saber da literatura oral, muito mais que textos eruditos das filosofias ocidentais, alimentam os textos de Cabral, promovendo rupturas em relação com os discursos intelectuais que lhe são contemporâneos e propondo uma teoria aliada com as lutas concretas em forma mutuamente potencializante e não parasitária.

Sentindo a condição colonial na sua dimensão mais asfixiante, propomos este seminário como um laboratório, com a urgência de seguir indagando a questão de Cabral: como conectar a teoria com as lutas contra-coloniais do nosso tempo? Abordaremos essa questão com aproximações entre as ciências sociais contemporâneas e quem de fato resiste à persistente ofensiva colonial em diferentes territórios: o afropessimismo e a luta por dignidade da cosmopolítica afro-brasielira, a interseccionalidade em comunidades quilombolas em luta contra o extrativismo predatório, práticas pedagógicas que se debatem contra as teorias raciais que sustentam a ciência e a nação. Com eles, traçamos teorias para contribuir à destruição do mundo colonial, observando como outros mundos são construídos contra ele.

O colonialismo tem sido objeto de sofisticados discursos críticos elaborados nas últimas décadas pelas ciências sociais latino- americanas. Este seminário propõe desdobrar e potencializar esses debates acadêmicos a partir do diálogo com as lutas contra-coloniais do presente, visando provocar reflexões epistemológicas, metodológicas e políticas sobre a relação entre teoria social e luta contra-colonial.

A colonialidade, ao ressurgir como pauta de primeira ordem nas ciências sociais latino-americanas, abre uma agenda de pesquisa que demanda ser radicalizada. Resgatando as formulações clássicas de Césaire e Fanon se enuncia um projeto decolonial que contempla as dimensões do ser/saber/poder. Este salto teórico permitiu romper com uma série de armadilhas da epistemologia colonial e diagnosticar formas de violência que até então não eram percebidas nas ciências sociais hegemônicas, produzindo uma notável virada paradigmática. Ao mesmo tempo, a vida acadêmica institucional é uma ameaça para o prolongamento dessa investida. Os discursos teóricos se tornam herméticos e esotéricos quando distanciados da materialidade das lutas, estabelecendo relações de estranhamento e captura com a potência do pensamento produzido na vida contra- colonial. A proposta das teorias etnográficas abre um caudal para ensaiar aproximações mais produtivas, sempre entendendo a produção teórica como um acontecimento que eclode a partir das longas lutas pela vida digna.

Como docentes convidados, contaremos com a participação de ativistas dos movimentos negros, quilombolas, quebradeiras de coco babaçu, babalorixás e iyalorixás, griôs, artistas e mestres e mestras das comunidades envolvidas na produção de mundos contra- coloniais. Com esta aproximação pretendemos que o pensamento produzido na prática cotidiana ocupe uma posição protagonista na construção teórica, que confronte os discursos acadêmicos para iniciar um processo lento e imprevisível de delineamento de diagnósticos e estratégias que nos auxiliem no esforço por destruir os pilares onto-epistemológicos do mundo colonial.

Das e dos participantes no seminário esperamos um engajamento intenso com o processo. Para isso, contemplamos duas atividades especiais. Na primeira, os participantes do seminário realizarão um mapeamento de lutas contra-coloniais, compartilhando com os colegas relatos de vivências próximas. Na segunda atividade, se esperam reflexões escritas nas que esse pensamento que emerge das lutas confronte os textos teóricos estudados no seminário, contribuindo para um mosaico coletivo de teorias contra-coloniais: não um quadro heurístico transcendente mas uma miríade de conceitos potentes nas suas conexões.

Objetivos generales

  • Desdobrar e potencializar os debates sobre colonialidade e racismo nas ciências sociais latino-americanas.
  • Questionar o lugar da teoria social nas lutas contra o colonialismo, a partir de diálogos simétricos com pessoas engajadas nessas lutas.
  • Traçar conexões e alianças entre as lutas contra-coloniais do continente a partir de saberes localizados.

 Objetivos específicos

  • Aprofundar o debate sobre o colonial, anticolonial e contra colonial a partir do estudo de teorias formuladas nos processos de emancipação do século XX na América Latina e África e nas resistências contemporâneas.
  • Compreender as lutas contra-coloniais do nosso tempo na sua dimensão heterotópica, como a construção de outros mundos que corroem os pilares onto-episemológicos do mundo colonial.
  • Aceitar o desafio conceitual afropessimista e equacioná-lo com as lutas por dignidade do povo negro.
  • Estudar as artes africanas e afro-diaspóricas como territórios de destruição do racismo e produção de liberdade.
  • Abordar a religiosidade de matriz africana como um patrimônio filosófico capaz de desafiar consensos ontológicos da modernidade colonial.
  • Observar as variações da interseccionalidade entre gênero e raça em diferentes contextos ontológicos.
  • Estudar o extrativismo como principal matriz econômica colonial, observando especialmente conflitos causados pela mineração.
  • Conhecer a vida contra-colonial construída em territórios quilombolas e outros povos e comunidades tradicionais.
  • Revisitar os processos de construção nacional a partir da historização da ciência e seu discurso racial.
  • Colonial, Anticolonial, Contra-colonial
  • Afropessimismo e lutas por dignidade
  • Por territórios e outras territorialidades: quilombos, povos e comunidades tradicionais 
  • Artes africanas e afro-diaspóricas contra o racismo
  • Religiões de Matriz Africana
  • Interseccionalidade: gênero e raça nas artes 
  • Mineração, gênero e processos de resistência territorial na América Latina
  • Práticas pedagógicas de insurgência política
  • Raça, ciência e nação: ideais de pureza, mistura e degeneração
  • AJARI, Norman. La Dignité ou la mort: Éthique et politique de la race. Empécheurs de penser rond, 2019. (Parte I)
  • ANJOS, José Carlos Gomes dos. “O Território da Linha Cruzada”. em: No território da linha cruzada. Porto Alegre: Ed. UFRGS, 2006. pp. 25-37
  • ANJOS, José Carlos Gomes dos. A filosofia política da religiosidade afro-brasileira como patrimônio cultural africano. Debates do NER. Porto Alegre, ano 9, n. 13. p. 77-96. Jan/Jun 2008.
  • BISPO, Antônio. Colonização, quilombos. Modos e teorias. Brasília: MinC, 2015.
  • CABRAL, Amílcar. “A arma da teoria”. Em: A arma da teoria. Rio de Janeiro: CODECRI, 1980. pp. 21-52.
  • CARVALHO, José Jorge de . Tradição e Tradução dos Saberes Performáticos nas Universidades Brasileiras. Salvador, Repert, ano 22, n 33, 2019.2
  • FANON, Frantz. Da Violência. In: Os condenados da terra. Rio de Janeiro, Editora Civilização Brasileira, 2019.FIRMIN, Antenor. De l'Égalité des races humaines.  
  • FLORES BORDAIS, Lourdes Eddy. Después del “Redoble por Rancas”: tierra, minería y memoria de un pueblo. Dissertação (Mestrado em Sociologia) São Carlos: UFSCar, 2018.
  • GOLDMAN, Marcio. Alteridade e experiência: Antropologia e teoria etnográfica Etnográfica, vol. 10, núm. 1, mayo, 2006, pp. 161-173. DELEUZE, Gilles & GUATTARI, Felix. “O que é um conceito?” em: O que é a filosofia? Rio de Janeiro: Editora 34, 2000. p. 25-42.
  • HAMPATE BA. A tradição viva. História geral da África, metodologia e pré-história da África, segunda edição. Brasilia: Unesco, 2010 OYEWUMI, Oyeronke. A invenção das mulheres. Construindo um sentido africano para os discursos ocidentais de gênero. São Paulo: Bazar do Tempo, 2020. 
  • HIMLEY, Matthew. "El género y la edad frente a las reconfiguraciones en los medios de subsistencia originadas por la minería en el Perú." Apuntes: Revista de Ciencias Sociales 38, no. 68 (2011): 7-35.
  • LIMA, Vladimir Moreira. A partir de Guattari: uma política de existência. Porto Alegre: Ed. Travessa, 2019.
  • LOPES, Maria Aparecida de Oliveira. Expressões de gênero e corpo na arte africana. Em: MARTINS, Ana Claudia Aimorés & VERAS, Elias Ferreira. Corpos em Aliança, diálogos interdisciplinares sobre gênero, raça e sexualidade. Curitiba: Appris, 2020.
  • MACEDO, G. A. N.; SOUSA, I. T. S. . Mulheres negras e não- existência: quebradeiras de coco babaçu e reflexões críticas sobre o mundo. Revista ABPN, v. 13, p. 218-244.
  • NASCIMENTO, Beatriz. O conceito de quilombo e a resistência cultural negra. em: RATTS, Alex. Eu sou atlântica. Sobre a trajetória de vida de Beatriz Nascimento. São Paulo: Instituto Kuanza, 2006. p. 117-125. 
  • Ọ̀YỌ̀, Mestre Cica de. O Batuque de nação Ọ̀yọ no Rio Grande do Sul. São Paulo: Hucitec, 2020.
  • PACHECO, Eduardo Guedes. DIFERENÇA PRETA. PARALELO 31, v. 1, p. 228-242, 2020.
  • QUADROS, Milena Silvester. Tramas Afroindígenas no Sul do Brasil: uma cartografia da cosmopolítica quilombola. Porto Alegre: CirKula, 2020
  • RODRIGUES, Letícia. Mineração ilegal e Segurança Ambiental em Regiões Amazônicas. Diadema: V&V Editora, 2020. 
  • SALOM, Julio Souto. “Aulas de yorubá em casas de religião”. Em: Quando chega o griô: conversas sobre a linguagem e o tempo com mestres afro-brasileiros. Tese (Doutorado) Programa de Pós- Graduação em Sociologia. Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Porto Alegre, 2019. p. 188-230.
  • SILVA, Anacleta Pires da & SANTOS, Dayanne da Silva. Terra de Encantados: a luta pela permanência no Território Quilombola Santa Rosa dos Pretos (Itapecuru-Mirim/MA). São Paulo: Hucitec, 2020.
  • SILVA, Denise Ferreira da. “Introdução: (Di)Ante(s) do Texto”. em: A dívida impagável. São Paulo: Casa do Povo, 2019. pp. 33-48. AJARI, Norman. “Ontología política y dignidad negras”. en: Dignidad o Muerte. Tafalla: Txalaparta, 2020. pp. 271-304 WILDERSON III, Frank. “Para o Halloween lavei meu rosto” em: Afropessimismo. São Paulo: Todavia, 2021. pp. 11-29. 
  • SILVA, Petronilha Gonçalves. Educação e relações etnico raciais nas instituições escolares. Educar em Revista. Paraná:V 34, n 69, 2018. GOMES, Nilma Lino. O movimento negro educador, saberes construidos nas lutas por emancipação. Rio de Janeiro: Editora Vozes, 2019.
  • SIMÕES, Igor Moraes. “MONTAGENS AFRO-ATL NTICAS: UMA PERSPECTIVA DIASPÓRICA NAS HISTÓRIAS DA ARTE”. Em: Montagem fílmica e exposição: vozes negras no cubo branco da arte brasileira. Tese (Doutorado em Artes Visuais). Porto Alegre: UFRGS, 2019. pp. 164-260. 

 



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CM Plenos

USD 75

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CM Asociados

USD 95

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Sin vínculo

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Preguntas frecuentes

Los requisitos básicos para cursar un seminario son:

  • Disposición de al menos 4 horas a la semana para dedicar al cursado del seminario.
  • Acceso a internet.
  • Razonable manejo de las herramientas de comunicación e informática.
  • Manejo del idioma en el que será dictado el curso. Los idiomas oficiales son español y portugués.
Los seminarios tienen una extensión de 12 semanas, más la elaboración de un trabajo final. Se acreditarán 90 horas de dedicación total.
Un curso consta de doce clases, cada una de ellas acompañada por bibliografía de lectura obligatoria, bibliografía complementaria, foros de debate y actividades de formación propuestas por el equipo docente, entregas parciales y un trabajo final. La cursada es virtual y asincrónica. Algunos/as docentes pueden proponer actividades sincrónicas. En esos casos, el horario y la fecha serán acordados previamente entre el equipo docente y los/as estudiantes, a fin de garantizar la participación de todos/as. Para la aprobación del seminario se requiere participar en al menos el 80% de los foros de debate y las actividades propuestas por los/as docentes, haber cumplido con las entregas parciales pautadas y aprobar el trabajo final.

 



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