Soberanía alimentaria en el Sur Global
Seminario 2251
Cátedra: CLACSO
Coordinación: Tom Dwyer (Universidad Estatal de Campinas, Brasil)
Equipo docente: Mariana Yante Barrêto Pereira (Universidad Federal de Pernambuco, Brasil), Tom Dwyer y Mariana Hase Ueta (Universidad Estatal de Campinas, Brasil)
Inicio: 07/09/2022 | Inscripción: 23/03/2022 al 06/09/2022
Carga horaria: 12 semanas – 90 horas.
Las clases de este seminario serán dictadas principalmente en portugués. Las intervenciones de las y los estudiantes en los foros de debate y la elaboración del trabajo final podrán realizarse en los idiomas oficiales de CLACSO (español y portugués).
Este seminário traz perspectivas transdisciplinares, sobretudo à luz das humanidades, sobre as questões ligadas à segurança, soberania e justiça alimentar atualmente no Sul Global. Partimos da perspectiva de Sul Global “como um espaço de soluções econômicas, sociais e políticas alternativas às alternativas historicamente fracassadas, dando origem a uma geografia imaginária que une áreas com realidades extremamente diversas” (Meneses 2018). Este enfoque, sobretudo nas relações América Latina-Ásia, vem do crescente papel de tais dinâmicas na reconfiguração dos alimentos como variável para compreender a interação e disputas entre sujeitos, o desenho de políticas públicas e a alimentação como direito humano.
A globalização do mercado alimentar chinês gerou o aumento da demanda por novos produtos, onde a produção latino-americana, em especial a brasileira, desempenha papel importante. A configuração dessas redes traz consequências econômicas, sociais, ambientais e políticas para os diversos sujeitos envolvidos. O seminário não se esgota em seu oferecimento, tendo o potencial de consolidação de uma rede de indivíduos que se desafiam a (re)pensar o alimento como elemento constitutivo das sociedades, e cuja complexidade no contexto da globalização desafia nossas capacidades analíticas.
O presente seminário de pós-graduação insere-se em um contexto no qual as questões alimentares não apenas se adensam nas Ciências Humanas, como evidenciam a necessidade de análises transdisciplinares acerca das influências recíprocas que detêm sobre as interações entre indivíduos, classes e Estados como variável socioeconômica, política e de relações internacionais.
Por um lado, o acesso à alimentação como direito e diretriz para políticas públicas deixou de ser um debate meramente ligado à disponibilidade dos alimentos, ou aos aspectos nutricionais relacionados a estes. Por outro, essa complexidade traz à tona a relevância de reflexões mais profundas acerca do acesso e detenção dos meios e tecnologias de produção, os influxos alimentares domésticos e transfronteiriços, e as dimensões qualitativa e quantitativa das questões relacionadas à justiça e soberania alimentares.
Nesse contexto, a América Latina se apresenta como o epicentro de muitos dos desafios e debates relacionados à questão, seja sob as construções epistemológicas em torno de tais conceitos, seja a partir de sua efetivação.
Sob o conceito atual de "soberania alimentar", as discussões em torno da fome consolidaram-se a partir de uma abordagem política que a enfatiza como um resultado de relações sociais de produção predatórias (Castro 1983). A agricultura familiar, por exemplo, configurou alguns dos padrões de resistência que o desenvolvimento agrícola pode assumir fora da disseminação das monoculturas e dos modelos exportadores em grande escala, posteriormente modernizados sob o agronegócio e a emergência das corporações como atores sociais. Além da pretensão de remodelar a força de trabalho agrária, as discussões no Sul Global perpassam pela educação e pela relação com a natureza (FAO 2002; Niyéléni 2007).
Além disso, a desindustrialização da América Latina e as crescentes exportações de alimentos crus em fluxos para o Norte e para o Sul Global, com ênfase no crescente papel da China, bem como a tendência cíclica de produção de algumas commodities, em ambos os subcontinentes, podem empurrar as regiões em direção aos latifúndios e capitalistas espoliação, ou por mudanças nas cadeias produtivas que priorizam o sistema de agricultura familiar e, consequentemente, novos sujeitos e formas de lidar com a natureza e o capital.
Na América Latina, a discussão está igualmente subjacente a um alto engajamento da mobilização camponesa e uma intersecção entre minorias étnicas (principalmente grupos indígenas), populações tradicionais e agricultura, com implicações diretas para o debate sobre a soberania alimentar. No caso brasileiro, por exemplo, mais de 70% do consumo doméstico de alimentos provém da agricultura familiar. Porém, apenas 93.000 propriedades (1,6% do total) correspondem a cerca de 47% da área total das propriedades rurais, cerca de 30% do território brasileiro (IBGE 2019).
Alguns desses contrastes entre sujeitos, produção e acesso aos alimentos foram exacerbados com as discrepantes políticas de gestão da pandemia da COVID-19, nos níveis local, regional e global, considerando também que evidenciou desafios relacionados às dimensões mais básicas da segurança alimentar.
Dessa forma, a importância de introduzir conceitual e concretamente tais variáveis, além de discutir as intersecções existentes nos impactos que detêm no contexto do Sul Global, sobretudo latino-americano, mostra-se essencial para entender nossas realidades em múltiplos níveis.
Objetivo general
- O Objetivo Geral do curso é fomentar as discussões transdisciplinares a respeito das questões alimentares e seus impactos ambientais, trazendo a perspectiva dos sujeitos do Sul Global que fazem parte desta ligação agroalimentar entre América Latina e Ásia. Além disso, as leituras que embasam cada sessão do curso são de pesquisadores(as) do Sul Global que estão ativos(as) nos debates internacionais acerca do tema. O intuito é, para além de expandir esta agenda de pesquisa, também torná-la acessível para o público não especializado.
Objetivos específicos
- Criar e consolidar uma rede de pesquisadores(as) e ativistas engajados(as) nos debates agroalimentares e seus fluxos, sobretudo no contexto da relação entre a América Latina e a Ásia, a qual envolva os e as estudantes e possa permitir que avancem suas pesquisas individual e coletivamente.
- Refletir sobre as questões alimentares e seus impactos ambientais e organizar as reflexões finais em um livro.
- Ampliar o impacto das discussões para além da sala de aula, por meio da contribuição de artigos para a Wikipédia que possam trazer conhecimento crítico do conteúdo de forma mais acessível à comunidade.
- Mudanças alimentares e seus impactos nas relações entre Ásia e América Latina
- Alternativas epistemológicas nas interações entre o Sul Global: uma análise desde e para os desafios agroalimentares
- O direito humano à alimentação e à nutrição: uma discussão transdisciplinar
- Alimentação e desigualdades: políticas públicas, sustentabilidade e agricultura
- Justiça Alimentar: Sistemas Alimentares e Movimentos Sociais
- Classe trabalhadora, Movimentos Sociais e Luta pela Soberania Alimentar: subjetividades e reivindicações
- Presença Asiática na América Latina à luz da Indústria Alimentícia
- Pensando os alimentos a partir do impacto ambiental
- Interfaces entre segurança e soberania alimentar e território: “landgrabbing” e geopolítica nas relações Sul-Sul
- A cooperação agroalimentar entre e na América Latina e Ásia em direção ao futuro
- BELIK, W. Estudo sobre a cadeia de alimentos. Rio de Janeiro, RJ: Instituto Clima e Sociedade, 2020.
- BORRAS JR, Saturnino M.; KAY, Cristóbal; GÓMEZ, Sergio; WILKINSON, John. Acaparamiento de tierras y acumulación capitalista: aspectos clave en América Latina. Revista Interdisciplinaria de Estudios Agrarios Nº 38 - 1er semestre de 2013, pp. 75-103.
- CARBALLO GONZÁLEZ, Carlos. Soberania Alimentaria y Desarrollo: Caminos y Horizontes en Argentina. Buenos Aires: Monadanomana. 2018
- CASTRO, Josué de. A Geopolítica da Fome. São Paulo: Editora, 1955.
- COSTA LIMA, Marcos. Como produzir mais alimentos reduzindo os impactos ambientais? Revista Jornalismo e Cidadania, n. 28, pp. 18-20, 2019.
- CUMARU, João; PEREIRA, Mariana Yante Barreto. Pautando a segurança alimentar entre o local e o inter-regional: os BRICS e suas (in)congruências. In: Estrangeirização de Terras e Segurança Alimentar e Nutricional: Brasil e China em Perspectiva. Recife, FASA: 2019.
- DE CARVALHO, Horacio Martins; STEDILE, João Pedro. Soberanía alimentaria: Una necesidad de los Pueblos. 07/11/11.
- FAO, IFAD, UNICEF, WFP and WHO. El estado de la seguridad alimentaria y la nutrición en el mundo 2021. Transformación de los sistemas alimentarios en aras de la seguridad alimentaria, una major nutrición y dietas asequíbles y saludables para todos.. Roma, FAO. 2021.
- FAO. Seguridad Alimentaria y Nutricional Conceptos Básicos. In: Programa Especial para la Seguridad Alimentaria (PESA) Centroamérica. Proyecto Food Facility Honduras. 3ra Edición. Honduras. 2011.
- GARCÍA, María Carrascosa; GARCÍA, Daniel López; CORTÉS, Jorge Molero. Propuestas de políticas públicas a nivel municipal. In: Sistemas alimentarios locales frente a riesgos globales: de la crisis climática a la COVID-19. Sistemas alimentarios locales frente a riesgos globales: de la crisis climática a la COVID-19. Valladolid, Espanha: Fundación Entretantos y Red de Ciudades por la Agroecología: 2020, pp. 30-51.
- GRIGORI, Pedro. Como a Syngenta perseguiu cientistas por décadas para abafar o risco dos agrotóxicos.21/05/2021.Brasil de Fato.
- HASE UETA, M.; WEINS, N. W.; BARBIERI, M. D.; ELIAS, L. de P. Cadeias alimentares globais: Um olhar para as mudanças nos padrões de consumo na China e seus impactos nas relações produtivas no Brasil. In: Anais do VI Conference of BRICS Initiative of Critical Agrarian Studies, Brasília, BR. Brasília, BR: 30 ago. 2018.
- MAMANI DE MARCHESE, A.; FILIPPONE, M.P.. Bioinsumos: componentes claves de una agricultura sostenible. Rev. agron. noroeste arg., San Miguel de Tucumán , v. 38, n. 1, p. 9-21, jun. 2018 .
- MARINI, Ruy M. Dialetica de la dependencia. Cidade do México: Era. 1973.
- MARTINS, Horacio; STEDILE, João Pedro. Soberanía alimentaria: Una necesidad de los Pueblos. In: Biodiversidad LA. 2011.
- MYERS, Margaret; GUO, Jie. China's Agricultural Investment in Latin America: A Critical Assessment (versão traduzida).
- OLIVEIRA, Gustavo. A resistência à apropriação chinesa de terras no Brasil desde 2008: lições e alternativas agroecológicas. In: Dossiê Relações Brasil-China. Revista Idéias, v. 9, n.2, jul./dez. 2018, pp. , p. 99-132, 2018. DOI: 10.20396/ideias.v9i2.8655285.
- ONU. Síntesis de los Diálogos Independientes. Informe 2. In: Cumbre 2021 sobre los sistemas alimentarios. 2021.
- PACHÓN, Paola Jenny; MEDINA-MORENO, Melisa; PACHÓN-ARIZA, Fabio Alberto. El hambre: abordaje desde la seguridad alimentaria hasta el derecho a la alimentación. Gestión y Ambiente 21(2), pp. 291-304. 2018.
- PADILLA, Mamen; GUZMÁN, Eduardo. Aportando a la construcción de la Soberanía Alimentaria desde la Agroecología. In: Ecología Política. No. 38, La agricultura del siglo XXI, pp. 43-51. 2009.
- PASTORINO, Leonardo Fabio. La seguridad alimentaria, un concepto pretencioso. 2020.
- PENNA, Camila Penna; CARVALHO, Priscila Delgado; MOTTA, Renata Campos; TEIXEIRA, Marco Antonio. Sistemas alimentares em disputa: respostas dos movimentos sociais à pandemia Covid-19. Anais do Congresso ANPOCS. 2020.
- TRASE. Cadeias de produção de soja brasileira na China. 2019.
- TRASE. Cadenas de sumistro de soja brasileña en China. 2019.
- TRICONTINENTAL. Reforma Agrária Popular e a Luta pela Terra no Brasil. Dossiê n. 27, Instituto Tricontinental de Pesquisa Social. Abril, 2020.
- VALENTE, Flávio. Rumo à realização plena do direito humano à alimentação e à nutrição adequadas. In: Estrangeirização de terras e segurança alimentar e nutricional: Brasil e China em perspectiva. Recife, FASA. pp. 131-170. 2019.
- VASCONCELOS, André; GUIDOTTI, Vinícius; LÖFREN, Pernilla; PINTO, Luis Fernando Guedes. A conformidade ambiental da produção da soja no Brasil: um risco subestimado pelos mercados internacionais. TRASE. 2019.
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Sin vínculo |
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Preguntas frecuentes
Los requisitos básicos para cursar un seminario son:
- Disposición de al menos 4 horas a la semana para dedicar al cursado del seminario.
- Acceso a internet.
- Razonable manejo de las herramientas de comunicación e informática.
- Manejo del idioma en el que será dictado el curso. Los idiomas oficiales son español y portugués.
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