Diploma Avançado em Tecnologia, Subjetividade e Política
3ª turma | Modalidade virtual
COORDENAÇÃO ACADÊMICA
Paula Sibilia (Universidade Federal Fluminense, Brasil), Fernanda Bruno (Universidade Federal do Rio de Janeiro, Brasil) e Flávia Costa (Universidade de Buenos Aires, Argentina)
COORDENAÇÃO PEDAGÓGICA
Christian Dodaro (Universidade de Buenos Aires e Universidade Nacional de Avellaneda, Argentina)
CORPO DOCENTE
Fernanda Bruno (Universidade Federal do Rio de Janeiro, Brasil), Christian Ferrer (Universidade de Buenos Aires, Universidade de Cinema e Universidade Torcuato Di Tella, Argentina), Claudio Celis Bueno (Academia Universitária do Humanismo Cristão, Chile), Flávia Costa (Universidade de Buenos Aires, Argentina), Paula Sibilia (Universidade Federal Fluminense, Brasil), Cláudia Kozak (Universidade de Buenos Aires, Argentina) e Pablo M. Rodríguez (Universidade de Buenos Aires, Argentina).
Modalidade virtual | Maio a setembro 2023
Neste programa de diploma, pretendemos explorar a magnitude e o significado das mudanças que ocorrem em nossa época — uma época de crescente "tecnificação". Nos concentraremos na interseção entre dispositivos técnicos, as racionalidades políticas e as tecnologias que os sustentam, e os modos de subjetivação que os promovem ou incentivam.
Buscaremos aprofundar os processos, bem como as análises mais inovadoras, que surgiram nos últimos quinze anos: a validade de uma nova “governamentalidade algorítmica” associada à disponibilidade de dados massivos ou big data; o desenvolvimento de plataformas cujo modelo de negócios se concentra na extração e venda de dados, tanto biométricos quanto comportamentais, e suas repercussões nas subjetividades.
Entre os muitos diagnósticos de nossa época, um dos mais evidentes é que vivemos em uma era de crescente "tecnificação". Basta observar a velocidade com que os parques tecnológicos ao nosso redor se renovam, de maneira tão rotineira quanto ostentosa, para perceber o poder e a onipresença de sua rede. Essa complexa teia de informação e tecnologia deixou de ser um conjunto de meios para atingir determinados fins e se tornou nosso ambiente global, nosso ambiente em um sentido ecológico e ambiental.
A “mídia” é, portanto, um fenômeno relevante e paradoxal na cultura contemporânea: ela desestabiliza a hierarquia dos sentidos, organiza novas formas de compreender a existência, pressiona as formas de autoconhecimento do ser humano vivo (somos nossos genes? somos nosso cérebro? somos nossos dados?) e impacta a arte, a arquitetura e a vida urbana. Ao mesmo tempo, as metamorfoses nos processos de trabalho e uma nova ordem de relações e intersecções entre “tempo livre” e “tempo de trabalho” transformaram substancialmente nossa relação com o sofrimento e a subjugação. E nos obrigam a questionar repetidamente o que é um corpo e o que ele pode fazer, em um momento em que a tecnologia se materializa e se incorpora ao ser humano por meio de implantes, transplantes, intervenções cirúrgicas, terapias genéticas, em um movimento que abre espaço para o questionamento do próprio corpo como uma espécie de projeto inacabado e operável, que pode e até deve ser moldado de acordo com o gosto, a conveniência, as demandas sociais ou uma combinação dos três.
Neste programa de diploma, pretendemos explorar a magnitude e o significado das mudanças que ocorreram, indo além da dicotomia excessivamente simplista entre "tecnófilos" e "tecnófobos". Iremos nos concentrar na interseção entre dispositivos técnicos, as racionalidades políticas e as tecnologias que os sustentam, e os modos de subjetivação que os promovem ou incentivam.
Para tanto, traçaremos um panorama das diferentes linhas de pensamento sobre o fenômeno tecnológico que moldaram o século XX e o início do século XXI. Investigaremos os processos e análises mais inovadores que emergiram nos últimos quinze anos: a ascensão de uma nova “governança algorítmica” associada à disponibilidade de big data; o desenvolvimento de plataformas cujo modelo de negócios se concentra na extração e venda de dados, tanto biométricos quanto comportamentais, e suas repercussões nas subjetividades. Abordaremos também as transformações nos processos de trabalho; o número cada vez maior de dispositivos, superfícies e ambientes imersivos e “inteligentes” com os quais interagimos diariamente: telas, dispositivos móveis e redes de informação e comunicação. Buscaremos ainda discernir os efeitos do “choque virtual” provocado pela pandemia do coronavírus: um processo acelerado e massivo de digitalização da experiência cotidiana que — segundo alguns — “veio para ficar”.
OBJETIVO GERAL:
Proporcionar uma formação histórico-crítica sobre as relações entre tecnologia, subjetividade e política.
OBJETIVOS ESPECÍFICOS:
- Apresentar uma visão geral das abordagens clássicas e dos argumentos mais recentes no debate e na literatura sobre as relações entre tecnologia, subjetividade e política.
- Promover uma perspectiva transdisciplinar e multifacetada sobre os principais problemas das sociedades e experiências mediadas pela tecnologia.
- Promover o diálogo entre as perspectivas do Norte Global e da América Latina.
O Diploma Superior em Tecnologia, Subjetividade e Política destina-se a estudantes de graduação e pós-graduação; professores de todos os níveis; ativistas e membros de sindicatos, movimentos sociais e partidos políticos; funcionários públicos; membros e gestores de organizações não governamentais e profissionais interessados no tema.
- Fernanda Bruno (UFRJ, Brasil)
- Claudio Celis Bueno (UACH, Chile)
- Flávia Costa (UBA, Argentina)
- Christian Ferrer (UBA, FUC e Di Tella, Argentina)
- Claudia Kozak (IIGG/CONICET, Argentina)
- Pablo M. Rodríguez (CONICET, Argentina)
- Paula Sibilia (UFF, Brasil)
O programa consiste em 5 módulos de 3 aulas semanais cada, ministradas consecutivamente e interligadas.
Carga horária total de 128 horas.
Os módulos que compõem o diploma avançado são:
PROFESSOR: FLÁVIA COSTA
AULA 1: Estilos de Vida em Tecnologia da Informação
Você. Reflexões sobre tecnologia e subjetividade no início do século XXI. Entre o “indivíduo somático” e o signo corporal. Modos de subjetivação na era dos estilos de vida tecnológicos da informação.
Está. Reflexões sobre a experiência do tempo. Entre o ritmo 24/7 e a multitarefa sedentária.
Aqui. Reflexões sobre espaços: ubiquidade pessoal e cibergeografias. Arqueologia da mídia e do mundo digital. Infraestruturas de cabos submarinos, satélites, hubs, plataformas: do ponto de vista de sua materialidade, “a nuvem” é muitas coisas, mas não apenas “nuvem”.
AULA 2: De sociedades disciplinares a sociedades de controle e segurança
A noção de biopoder de Foucault e estudos contemporâneos sobre biopolítica e tanatopolítica. Biopolítica "afirmativa" e "negativa". O problema da vida em sociedades de controle. Sociedades de soberania, sociedades de disciplina, sociedades de controle ou sociedades de "governamentalidade": risco, jogo e segurança na era do big data.
AULA 3: Tecnoceno, Antropoceno e “poder desumano”
Antropoceno, Tecnoceno, Capitaloceno: a expansão “de cima para baixo” do campo de batalha biopolítico. A tecnologia como infraestrutura material e como força histórica capaz de afetar a vida: sua relação com o ecológico, a sustentabilidade do desenvolvimento e as desigualdades que são tanto condição quanto efeito estrutural do código técnico capitalista. Antropoceno e Transhumanismo: duas narrativas do fim — da humanidade e do mundo como o conhecemos. É possível um “transhumanismo crítico”?
PROFESSORA: PAULA SIBILIA
AULA 4: A vida digitalizada e a auto-otimização
Embora o impacto mais evidente tenha ocorrido no âmbito das comunicações e da informação, os dispositivos digitais estão substituindo as antigas ferramentas analógicas em todas as áreas. Essa transição da mecanização para a digitalização da vida implica uma transformação histórica profunda com múltiplas consequências, sugerindo mudanças significativas nos corpos e nas subjetividades.
AULA 5: Entre paredes e redes: o desconforto do ilimitado
Ao se tornarem "compatíveis" com dispositivos móveis de comunicação e informação, as redes tendem a penetrar todas as barreiras (e inibições), evidenciando tanto a crise das instituições modernas quanto as profundas transformações históricas que afetam as subjetividades. A conversão do espaço doméstico em um ambiente de negócios, sala de aula e centro vital na rede de consumo em casa: visibilidade, conexão, precariedade e multitarefa em um ritmo ininterrupto. Da repressão à estimulação: se as limitações excessivamente rígidas causavam sofrimento aos cidadãos modernos, o horizonte aparentemente ilimitado de possibilidades e promessas que agora se abre para os consumidores também provoca inquietação.
AULA 6: Tensões entre (auto)espetáculo e (falta de) controle
A espetacularização do eu nas redes sociais e o tipo de sociabilidade que essas práticas propagam: autoficção, performance, intimidade virtual, curtidas, selfies e algoritmos. A publicidade como modelo, o marketing e a dinâmica corporativa. O declínio da interioridade psicológica na era dos perfis sempre online: do "personagem direcionado à apresentação" para as "personalidades direcionadas ao alter ego". O difícil equilíbrio entre o (auto)controle exigido pela "autocura" e o monitoramento constante. O problema da alteridade na era da "exibição do eu". O olhar do outro na economia da atenção e na avaliação generalizada: bullying, cultura do cancelamento, trolls, haters e linchamentos virtuais. A transição da culpa para a vergonha como mecanismos privilegiados de controle social.
PROFESSORA: FERNANDA BRUNO
AULA 7: Cultura da vigilância e governamentalidade algorítmica
A naturalização da "cultura da vigilância" e a produção de subjetividades. Vigilância distribuída e capitalismo de vigilância no ecossistema digital. Governamentalidade algorítmica e criação de perfis. Entre pegadas digitais (comportamentais) e impressões digitais (biométricas): somos nós os nossos dados?
AULA 8: A economia psíquica dos algoritmos
Como os dados comportamentais, psicológicos e emocionais alimentam os algoritmos das plataformas digitais? Modelos de negócios, modelos epistemológicos: o valor dos dados psíquicos e emocionais. O laboratório da plataforma e a gestão algorítmica do comportamento: da previsão à captura. Pressões e incentivos sobre o indivíduo, o individual e o transindividual.
AULA 9: Perspectivas decoloniais sobre tecnopolítica e arquivos de vigilância
Como situar o debate sobre tecnopolítica e vigilância na América Latina: matrizes coloniais e feministas. Políticas decoloniais dos arquivos da vigilância. Reinscrições do colonialismo e do extrativismo em plataformas digitais. Feminismo tecnopolítico e relações humano-máquina.
PROFESSOR: PABLO MANOLO RODRÍGUEZ
AULA 10: Arte e técnica como regimes de experimentação do sensível e das faculdades
criação
Arte, tecnologia e sociedade. Intermedialidade e/ou transmedialidade nas artes tecnológicas. Experimentalismo, artes expandidas e tecnologia. O debate Adorno/Benjamin. Tecnopoética/tecnopolítica. Posicionamentos. Debates em torno dos imaginários da modernização tecnológica e das ideologias do progresso. Anacronismos e desvios. A política do erro e da aleatoriedade. O novo versus a novidade. Desafios da experimentação em contextos de fluxos de massa.
AULA 11: Uma Breve História da A+T
Vanguardas históricas e paisagens tecnológicas. Vanguardas latino-americanas e tecnologia. Modernização tecnológica e centros de condensação e radiação: início do século XX, década de 1960, década de 1990 ao século XXI. Tecnopoética em domínios bioinformáticos. Performance, tecnologia e subjetividade. Tecnopoética e cultura algorítmica.
AULA 12: Estudo de caso. Tendências (tecno)experimentais da literatura em sua interseção com linguagens visuais, sonoras, corporais e digitais.
Literaturas Expandidas: Sobre Livros e Outras Monstruosidades no Domínio da Bioinformática. Literatura Digital como Arte Textual Programada: História, Teoria, Crítica. Materialidades. Como é Lida. Políticas Hegemônicas das Línguas em Contextos Globais-Digitais. Sobre Desvios, Indignações e Filosofias do Evento. Programas e “Desprogramações”. Determinação e Acaso. Literatura Digital Latino-Americana Contemporânea e Translinguagens Migrantes.
ATIVIDADE DE INTEGRAÇÃO
PROFESSOR: PABLO MANOLO RODRÍGUEZ
AULA 13: O a priori informativo histórico e o dividido
Informação e cibernética como novos estratos tecnológicos e epistêmicos do mundo contemporâneo. Sua tradução em dados, algoritmos e plataformas: o sistema DAP. Digitalização e protocolização da vida social. Governamentalidade algorítmica: desafios da máquina de Turing ao humanismo moderno. Efeitos das tecnologias da informação sobre a subjetividade e os laços políticos: o problema da divisão.
PROFESSOR: CLAUDIO CELIS BUENO
AULA 14: Tecnologias Digitais e Valorização Capitalista
O problema da continuidade/descontinuidade nos modos de produção. A transição do fordismo para o pós-fordismo. Três interpretações do capitalismo contemporâneo: i) teoria crítica do valor; ii) pós-operaísmo; iii) o capital está morto.
AULA 15: Capitalismo Cognitivo e Novas Formas de Valorização
Trabalho imaterial e a fábrica social: novas formas de valorização e subsunção. Consequências: a crise da teoria do valor-trabalho (Negri e Hardt); a transformação do capital em renda (Vercellone; Fumagalli). Capitalismo de plataforma (Srnicek).
ATIVIDADE DE INTEGRAÇÃO
AULA 16: ENTREVISTA COM CHRISTIAN FERRER
AULA 17: O capital está morto? Novas perspectivas para pensar o futuro.
A questão do exterior ao capital: a) o debate aceleração/desaceleração; b) capitalismo e automação algorítmica (a questão do trabalho vivo); c) além do capital (informação, hackers, ciborgues e vetorialistas).
| Em um único pagamento até 22/05 | Em um único pagamento após 22/05 | Pagamento em 3 parcelas | |
| CM Pleno | 175 USD | 230 USD | USD 315 (3 x USD 105) |
| Associado de CM | 300 USD | 360 USD | USD 540 (3 x USD 180) |
| Sem link | 300 USD | 360 USD | USD 540 (3 x USD 180) |
Para participar, você deve se inscrever usando o formulário online clicando aqui. As inscrições estarão abertas de 6 de março a 29 de maio de 2023.
Após a conclusão do processo de inscrição, você receberá uma confirmação por e-mail.
As aulas começarão em maio e terminarão em setembro de 2023.
Todos os participantes inscritos receberão as instruções necessárias para acessar as aulas, a bibliografia e os fóruns de discussão por meio do Espaço de Treinamento Virtual da CLACSO.
Acessar e navegar no Ambiente Virtual de Aprendizagem é muito simples e intuitivo. Em qualquer caso, uma equipe de suporte técnico e acadêmico estará sempre à sua disposição.
Critérios excepcionais: Em casos excepcionais, e dentro do primeiro mês de início do programa de Diploma Avançado, os alunos podem solicitar o desligamento da turma e retornar no ano seguinte. Em todos os casos, os motivos da solicitação devem ser apresentados por escrito. Após decorrido esse período desde o início do curso, nenhum pedido será aceito.
O valor pago só será reembolsado nos casos em que as instituições organizadoras decidirem cancelar a atividade.
| Em um único pagamento até 22/05 | Em um único pagamento após 22/05 | Pagamento em 3 parcelas | |
| CM Pleno | 175 USD | 230 USD | USD 315 (3 x USD 105) |
| Associado de CM | 300 USD | 360 USD | USD 540 (3 x USD 180) |
| Sem link | 300 USD | 360 USD | USD 540 (3 x USD 180) |
O pagamento pode ser feito em uma única parcela por cartão de crédito, depósito bancário ou transferência bancária. Também oferecemos a opção de pagamento em 3 parcelas.
Sim. Haverá descontos para estudantes pertencentes a Centros Membros da CLACSO e Centros Associados da CLACSO, para Pesquisadores Associados da CLACSO e para todos aqueles que pagarem dentro do período de desconto.
Dúvidas? WhatsApp: +54 9 11 3880 - 1388
E-mail: [email protected]