Diploma Avançado em Reconfigurações do Trabalho no Mundo Contemporâneo: Sujeitos, Processos e Marcos Legais. Uma Perspectiva Comparativa.
2ª Turma | Modalidade Virtual
COORDENAÇÃO ACADÊMICA
Nora Judith Goren (Universidade Nacional José C. Paz e Universidade Nacional de Buenos Aires, Argentina) e Adoração Guaman Hernandez (Universidade de Valência, Espanha)
CORPO DOCENTE
Antonio Baylos Grau (Universidade de Castela-La Mancha, Espanha), Adoração Guaman Hernandez (Universidade de Valência, Espanha), Nora Judith Goren (Universidade Nacional José C. Paz e Universidade Nacional de Buenos Aires, Argentina) Nicolau Dzembrowski (Universidade Nacional José C. Paz, Universidade Nacional de Buenos Aires e CONICET, Argentina), Sayonara Grillo (Universidade Federal do Rio de Janeiro, Brasil), Cayetano Núñez González (Universidade de Valência e Universidade de Talca, Espanha), Raúl Lorente Campos (Universidade de Valência, Espanha), Johanna Maldovan Bonelli (Universidade Nacional José C. Paz e CONICET, Argentina), Elisa Lanas Medina (Universidade Andina Simón Bolívar – Sede Equador), Andrés Boix Palop (Universidade de Valência, Espanha), Maria Rosária Barbato (Universidade Federal de Minas Gerais, Brasil), Guillermo Gianibelli (Universidade de Buenos Aires, Argentina), Soledad Stoessel (CONICET e Universidade Nacional de La Plata, Argentina), Hugo Barretto Ghione (Universidade da República, Uruguai) e Nasser Ahmad Allan (Instituto de Defesa da Classe Trabalhadora, Brasil)
Formato virtual | Agosto a novembro de 2024
Home: 26 / 08 / 2024 | Registo: 28/05/2024 al 25/08/2024
O Diploma em “Transformações do Trabalho no Mundo Contemporâneo: Sujeitos, Processos e Marcos Legais” é um programa de formação concebido para criar um espaço de estudo, reflexão e debate sobre o mundo do trabalho a partir de uma perspectiva multidisciplinar. Seu objetivo fundamental é oferecer uma análise das principais transformações no trabalho, combinando análises sociológicas, econômicas e jurídicas. Para tanto, ao longo de cinco módulos e com a orientação de 15 professores, os participantes irão comparar modelos normativos, sujeitos e processos de mudança que ocorrem em diversos países da América Latina e da Europa. O Diploma destina-se a pessoas interessadas no mundo do trabalho a partir das perspectivas da pesquisa, da academia, de instituições governamentais, de organizações sociais ou de sindicatos. A metodologia baseia-se no diálogo contínuo entre professores de diversas áreas de especialização. A estrutura do programa facilita a participação, permitindo horários flexíveis adaptados às necessidades individuais.
O trabalho e suas transformações têm sido um tema recorrente nas ciências sociais desde o seu início. As mudanças que ocorrem no mundo do trabalho decorrem principalmente de transformações tecnológicas, em especial a digitalização e a automação, da reconfiguração produtiva global marcada por processos de descentralização e deslocalização da produção, e de uma tendência crescente à concentração de capital.
O trabalho hoje constitui um dos principais motores da desigualdade no mundo. O número de pessoas envolvidas em atividades fora do contrato formal de trabalho aumentou, gerando valor em condições de trabalho precárias, com altos riscos à vida e rendimentos insuficientes para as necessidades básicas. Além disso, uma parcela substancial daqueles que permanecem empregados é cada vez mais afetada por diversas formas de insegurança laboral. Essa desigualdade na distribuição de renda se traduz em baixos salários e remuneração para a força de trabalho, estendendo-se não apenas à América Latina e ao Caribe, mas também a todos os sistemas de trabalho em todo o mundo. Ademais, compreender o trabalho hoje exige analisar tudo isso em conjunto com a renovada "grande ameaça" que, segundo alguns estudos, paira sobre o trabalho assalariado, profetizando seu fim. Referimo-nos, naturalmente, à automação ou robotização generalizada e seu impacto diferenciado de acordo com classe e gênero.
Todas essas questões permeiam a reflexão atual sobre o trabalho, e a preocupação com sua configuração, modos de organização, condições, representação e regulação é constitutiva do pensamento social e ocupa lugar central no debate acadêmico, político e jurídico. Isso evidencia que a prática política (no sentido mais amplo) nas sociedades contemporâneas gira em torno do trabalho, com um terreno comum para debate e ação na forma de políticas públicas de fundamental importância. Embora a realidade do trabalho e suas transformações sejam amplamente definidas por contextos nacionais, é inegável que o momento atual de globalização revela problemas e transformações comuns. Portanto, é necessário desenvolver tanto análises comparativas quanto propostas de soluções, particularmente em matéria de regulamentação do trabalho, que partam do debate e da compreensão das diversas realidades presentes na América Latina e na Europa e que proponham soluções comuns. Da mesma forma, a análise da mobilização social e da organização do sujeito coletivo do trabalho para além das fronteiras estatais se mostra como um passo necessário para que o equilíbrio de poder com um antagonista transnacional possa gerar cenários de negociação frutíferos que permitam a proteção adequada dos trabalhadores.
Além disso, existem problemas novos e comuns, ligados à sustentabilidade da vida, aos direitos do planeta, à luta contra as desigualdades de gênero e contra fenômenos crescentes como a escravidão moderna, que, sem dúvida, exigem análise e ação conjuntas, não apenas entre países, mas, em particular, no âmbito das organizações supranacionais, tanto regionais quanto internacionais.
Acima de tudo, este curso visa analisar, revisar e examinar criticamente as mudanças e os futuros potenciais do trabalho, refletindo as transformações aceleradas pelas quais passou nas últimas décadas. Busca capacitar os participantes para atuarem como agentes de transformação social na esfera sociolaboral, seja por meio de ação coletiva, promoção de políticas públicas, orientação regulatória ou atuação em instituições e organizações internacionais, para que o trabalho decente se torne uma realidade na América Latina e no Caribe.
OBJETIVO GERAL
- O objetivo deste trabalho é fornecer uma análise crítica situada das transformações do trabalho em diferentes países da América Latina e do Caribe e da Europa, a partir da perspectiva dos sujeitos, dos atores coletivos envolvidos, dos modelos jurídicos comparados e sua evolução, a fim de oferecer um arcabouço teórico que permita pensar e elaborar políticas públicas voltadas para a conquista do trabalho decente.
OBJETIVOS ESPECÍFICOS
- Promover um espaço de análise sobre a realidade do trabalho na Argentina, Colômbia, Equador, Brasil, Chile e Espanha a partir de uma perspectiva sociológica.
- Analise os marcos legais e trabalhistas dos países mencionados, prestando especial atenção às questões mais relevantes na atualidade, como trabalho em plataformas digitais, trabalho informal e discriminação de gênero, mas também abordando questões clássicas que permanecem fundamentais, como a regulamentação dos contratos de trabalho, demissão e negociação coletiva.
- Oferecer uma perspectiva diacrônica sobre a evolução dos mercados de trabalho nos países mencionados, a fim de avaliar comparativamente os pontos de convergência e divergência entre eles e possibilitar a formulação de soluções comuns.
- Estudar as reformas trabalhistas dos países selecionados a partir de uma perspectiva histórica, avaliando o momento político, o conteúdo, as respostas dos atores sociais e sua eficácia e impacto no bem-estar dos trabalhadores.
- Capacitar os alunos com as ferramentas necessárias para a elaboração de posicionamentos de defesa socio-laboral ou políticas públicas jurídico-trabalhistas, em níveis nacional e supranacional.
- Analisar o desempenho de organizações internacionais e regionais com impacto no mundo do trabalho, avaliar seu desempenho sob uma perspectiva crítica e propor iniciativas que possam ser desenvolvidas a partir de um ponto de vista supranacional.
- Fortalecer a capacidade dos alunos de buscar e utilizar recursos que permitam a análise e o estudo do mercado de trabalho.
O Diploma Avançado em Reconfigurações do Trabalho no Mundo Contemporâneo: Sujeitos, Processos e Marcos Legais. Uma Perspectiva Comparativa destina-se a estudantes de graduação e pós-graduação; professores de todos os níveis; ativistas e membros de sindicatos, movimentos sociais e partidos políticos; funcionários públicos; membros e gestores de organizações não governamentais e profissionais interessados no tema.
O programa consiste em 5 módulos de 3 aulas semanais cada, ministradas consecutivamente e interligadas.
Carga horária total de 128 horas.
Os módulos que compõem o Diploma Superior são:
Classe 1: O trabalho e suas transformações
Professor responsável: Antonio Baylos Grau
Resumo conceitual da aula
O trabalho é uma categoria historicamente em evolução que, em nossa época, passa por uma transformação acelerada decorrente da convergência de fatores como as mudanças tecnológicas, as demandas do capital transnacional, a nova divisão internacional do trabalho, a crise ecológica e a questão do trabalho de cuidado. Todos esses vetores se cruzam enquanto, como indica a OIT, o mercado de trabalho global vivencia uma rápida deterioração das condições de trabalho, com a precariedade de milhões de empregos, a tendência à informalização do setor formal, o agravamento do trabalho infantil e do trabalho forçado, a flagrante ausência de proteção social para grandes segmentos da população e o ressurgimento da ligação entre trabalho e pobreza.
Diante dessa situação, não há dúvida de que, apesar da heterogeneidade dos cenários descritos em cada país, os vetores de transformação supracitados permitem análises comparativas e diagnósticos comuns, possibilitando diagnosticar, debater e construir alternativas nos âmbitos nacional, regional e internacional. Especificamente, há um diálogo contínuo entre os atores do movimento sindical e os marcos regulatórios que regem o trabalho nos diversos países da América Latina e na Espanha.
Classe 2: O trabalho e suas transformações sob uma perspectiva feminista jurídica
Professor responsável: Adoração Guaman Hernandez
Resumo conceitual da aula
O feminismo jurídico nos ensina que o direito é uma superestrutura androcêntrica com fundamentos patriarcais que persistem até hoje e sustentam uma série de marcos normativos que não apenas diferenciam o reconhecimento e o desenvolvimento de direitos com base no sexo/gênero, mas também mantêm e perpetuam a subordinação sexo-gênero. Esse esquema é particularmente evidente no direito do trabalho, que tem uma história ligada às lutas da classe trabalhadora e suas demandas anti-hegemônicas, mas que, ao mesmo tempo, manteve seu caráter androcêntrico original. Isso porque, em seu desenvolvimento, o sujeito dos direitos e obrigações foi considerado o homem, que não provia cuidados e que acumulava em si a força de trabalho das mulheres ao seu redor.
Como relata Federici, esse trabalho de cuidado invisível deslocou (e continua a deslocar) certos custos gerados pelo mercado capitalista para a esfera doméstica, ampliando a parcela não remunerada da jornada de trabalho ao utilizar os salários dos homens para acumular o trabalho das mulheres. Essa relação de subordinação e dominação, que Fraser descreve e detalha, foi codificada em leis trabalhistas que reconheciam direitos para um modelo de assalariado (no qual se baseava a construção capitalista dos direitos trabalhistas) que não "precisava" conciliar seu trabalho remunerado com seu trabalho reprodutivo. Enquanto isso, para ingressar no sistema trabalhista patriarcal (após longas lutas e reivindicações), as mulheres tiveram que adaptar seu acesso à cidadania trabalhista à sua realidade como cuidadoras. Assim, o único caminho tem sido (será?) o acesso ao trabalho remunerado por meio de contratos temporários, trabalho em tempo parcial, licenças, longos períodos de inatividade, prestação de trabalho remunerado sem contrato ou contribuições para a previdência social, etc. Ao longo do tempo, a legislação trabalhista foi aprimorada, mas essa evolução não levou a uma correção completa da desigualdade.
Classe 3: Trabalho sob uma perspectiva feminista: debates atuais e agendas sindicais
Professor responsável: Nora Goren
Resumo conceitual da aula
O objetivo é refletir sobre as contribuições feministas para a compreensão do mundo do trabalho, levando em consideração os debates existentes e sua conexão com o movimento operário. Partimos da premissa de que o trabalho do futuro já chegou, ou seja, o passado está presente e o futuro está em construção, situando-nos simultaneamente no passado e no presente. Nesse sentido, examinaremos os referenciais interpretativos que nos permitem abordar explicações para a forte persistência da divisão sexual do trabalho e a consequente injustiça social. Isso será feito por meio de uma revisão das diversas abordagens que buscam explicar essas questões e que fundamentam propostas de ação e políticas públicas. Consideraremos as agendas presentes na interseção entre sindicalismo e feminismo, questionando qual delas pode ser mais eficaz para enfrentar as injustiças de gênero na esfera privilegiada de atuação das organizações sindicais: o "trabalho". Começamos considerando que o trabalho não é um espaço socialmente neutro, por um lado, e que as relações de gênero estão inscritas e transformadas na própria organização da divisão técnica e social do trabalho, na qual produção e reprodução só podem ser entendidas como dois momentos da mesma relação. Assim, as contribuições do feminismo ao introduzir a categoria de gênero como uma categoria social estrutural — que nos remete à construção social da feminilidade/masculinidade/diversidade/atribuição de sexo e às maneiras subjetivas e objetivas pelas quais a sociedade define responsabilidades e identidades — permeiam todas as críticas e propostas. Em suma, revisaremos as diferentes estruturas que buscam explicar as desigualdades sociolaborais, com ênfase particular naquelas propostas pela economia feminista, e também abordaremos as questões presentes nas agendas sindicais feministas.
Classe 4: Trabalho sob escrutínio: Trabalho decente no debate sobre a crise laboral
Professor responsável: Nicolau Dzembrowski
Resumo conceitual da aula
O objetivo desta disciplina é explorar o conceito de trabalho decente como resposta à crise global do trabalho, um tema de debate trazido à tona pela OIT no final do século passado (1999). Trabalho decente é amplamente definido como emprego produtivo, remunerado de forma justa e realizado em condições de liberdade, equidade, segurança e respeito à dignidade humana. Nesse sentido, demonstra uma ampla preocupação com todos os trabalhadores, promovendo seus direitos e oportunidades. Considerar o conceito de trabalho decente em sua interseção com os direitos trabalhistas fundamentais, o emprego, a proteção social e o diálogo social será um exercício central em nosso trabalho. A partir desse ponto de partida, aprofundaremos a análise das questões, levando em conta as interpretações oferecidas pelas instituições trabalhistas, que se traduzem em debates e intervenções. Exploraremos também a emergência da ideia de trabalho decente no cenário internacional, como uma perspectiva que busca introduzir um paradigma de trabalho abrangente que aborde os desafios que o trabalho enfrenta hoje e no futuro. Isso exige que a discussão sobre Trabalho Decente seja situada no contexto das condições reais de trabalho e dos indicadores propostos para sua mensuração, levando em consideração as especificidades regionais e locais. Seguindo aqueles que defenderam o termo, a importância desta reflexão reside em ir além das discussões sobre a legislação trabalhista vigente para abordá-la a partir de uma perspectiva mais ampla e multidimensional, considerando sua componente ética. Assim, as diversas contribuições que nos ajudam a problematizar o conceito de Trabalho Decente nos permitirão ampliar nossa perspectiva sobre os determinantes do trabalho no contexto da atual agenda global de discussão e ação sobre essa questão.
Classe 5: Reformas trabalhistas na América Latina e insegurança no emprego
Professor responsável: Sayonara Grillo Coutinh
Resumo conceitual da aula
Como resultado dos programas de ajuste promovidos por instituições financeiras internacionais, muitos países da América Latina implementaram reformas trabalhistas que subverteram os princípios básicos do direito do trabalho, com mudanças na forma como as normas são elaboradas, especialmente aquelas derivadas da negociação coletiva, bem como nas fórmulas contratuais e nos sistemas de demissão e indenização. O objetivo desta disciplina é apresentar os principais aspectos dessas reformas trabalhistas, relacionando-os ao aumento da vulnerabilidade e da insegurança no emprego.
Classe 6: Segurança e saúde ocupacional: uma perspectiva do direito espanhol e latino-americano
Professor responsável: Cayetano Núñez González
Resumo conceitual da aula
Esta disciplina tem como objetivo aprofundar, de forma analítica, o estudo do quadro legal para a prevenção de riscos ocupacionais na Espanha e no Chile, com algumas referências a outros países da América Latina, bem como seu papel no mundo produtivo.
A prevenção de riscos ocupacionais, também conhecida como segurança e saúde no trabalho, não é um fim em si mesma.
Em primeiro lugar, porque é necessário situar o sistema jurídico em seu próprio contexto. Isso requer um certo grau de multidisciplinaridade introdutória que permita a conexão da dimensão jurídica com as demais dimensões sociais, possibilitando a compreensão de sua regulamentação atual e a formulação de propostas futuras. Portanto, é essencial conectar esta disciplina com o restante do módulo do qual faz parte.
Em segundo lugar, porque é necessário destacar a relevância de sua atuação como conjunto de direitos e obrigações destinados a proteger a vida e a integridade pessoal no mundo produtivo, investigando também os mecanismos de proteção administrativa e judicial.
Em terceiro lugar, cabe destacar que a análise de conteúdo desta disciplina visa fornecer novas ferramentas para a aprendizagem independente. Isso significa que será dada prioridade ao aprendizado do uso de instrumentos jurídicos e técnicos, permitindo aos alunos não apenas compreender os direitos e obrigações mais relevantes, mas também as questões jurídicas mais proeminentes e as soluções propostas por juristas e pela jurisprudência.
Toda a análise deve considerar uma perspectiva de gênero, examinando se e como as regulamentações preventivas existentes a incorporam. Será, sem dúvida, essencial avaliar quais ajustes o marco legal da prevenção precisa fazer para atingir esse objetivo fundamental no mundo do trabalho.
Classe 7: Relações e diferenças na informalidade laboral nas sociedades mediterrâneas europeias (especificamente no Levante espanhol) e na América Latina.
Professor responsável: Raúl Lorente Campos
Resumo conceitual da aula
A palestra proposta, intitulada “Conexões e Diferenças na Informalidade Laboral em Sociedades Mediterrâneas Europeias (especificamente no Levante Espanhol) e na América Latina”, aborda as semelhanças e diferenças entre o fenômeno da informalidade laboral em sociedades do sul da Europa ou do Mediterrâneo e o fenômeno em sociedades latino-americanas. Através dos estudos de Enzo Mingione, Enric Sanchis, Albert Recio e Josep Antoni Ybarra, entre outros, a palestra aprofunda-se no fenômeno da informalidade em sociedades do sul da Europa, e mais especificamente no Mediterrâneo espanhol. Este fenômeno possui uma longa tradição, visto que essas sociedades têm um sistema de bem-estar social orientado para a família (Esping-Andersen), e é disseminado em setores tradicionais como calçados, têxteis, serviços de limpeza, construção civil, etc., e em setores relativamente novos e em expansão, frequentemente manifestando-se através do uso de falsos contratos de trabalho autônomo ou “trabalhadores por conta própria”, colaboradores e outros arranjos similares. As características da informalidade são abordadas e comparadas com o fenômeno na América Latina, onde é três ou quatro vezes mais disseminado, dependendo do país, e assume uma gama muito mais ampla de formas. Analisa-se a importância do desenvolvimento do Estado de bem-estar social na redução ou mitigação da informalidade, juntamente com as potenciais políticas sociais e econômicas aplicáveis à formalização, em consonância com diversas estratégias nacionais de redução da informalidade, desenvolvidas ao longo do tempo por vários países europeus e latino-americanos, bem como por organizações internacionais, como a estratégia FORLAC da OIT.
Classe 8: Trabalho não remunerado, informalidade e precariedade: desafios teóricos e práticos para a organização coletiva em um mundo do trabalho heterogêneo.
Professor responsável: Johanna Maldovan Bonelli
Resumo conceitual da aula
As mudanças ocorridas no mundo do trabalho, marcadas pela erosão da segurança salarial e pela disseminação de diversas formas de emprego precário, suscitaram uma série de questionamentos sobre o papel dos sindicatos como organizações representativas dos trabalhadores e seus interesses setoriais, bem como sobre seu papel como agentes de transformação social. Essas questões são particularmente relevantes na América Latina, dadas as dinâmicas que os mercados de trabalho e as relações trabalhistas adquiriram nas últimas décadas.
A heterogeneidade estrutural que caracteriza grande parte dos mercados de trabalho da região apresenta uma série de desafios para a elaboração de estratégias que representem uma parcela significativa da classe trabalhadora. Esse segmento se caracteriza por: estar fora da relação capital-trabalho; exercer ocupações e atividades em que as fronteiras entre trabalho e vida pessoal são tênues e em que vários membros da família participam; ter um histórico limitado de sindicalização; e, em sua maioria, estar excluído — parcial ou totalmente — dos diversos marcos de proteção trabalhista e previdenciária. A disseminação de relações de trabalho informais em diversos setores suscita inúmeras questões sobre as possibilidades de construção de representação sindical para esses trabalhadores e os potenciais caminhos para sua organização.
Nesta disciplina, propomos refletir sobre esses problemas, levando em consideração os principais desafios, tanto teóricos quanto práticos, enfrentados pelas organizações que representam trabalhadores não assalariados.
Classe 9: A regulamentação do trabalho por conta própria
Professor responsável: Elisa Lanas Medina
Resumo conceitual da aula
O objetivo da disciplina é gerar debate sobre a necessidade de a lei proteger o trabalho por conta própria e criar mecanismos que promovam a formalização do trabalho informal em diferentes legislações.
Em princípio, esse esforço legal deveria ser realizado em cada país; no entanto, a existência de regulamentações internacionais, especialmente da Organização Internacional do Trabalho, é muito oportuna.
Tradicionalmente, a legislação tem regulamentado e protegido o trabalho dependente, criando mecanismos de detecção, controle e sanções em casos de relações trabalhistas em que os padrões mínimos de regulamentação do trabalho não são atendidos. No entanto, na América Latina, uma alta porcentagem da população trabalha de forma independente e, desse grupo, a maioria o faz em condições precárias e informais.
Portanto, o paradigma do trabalho assalariado não se concretizou na América Latina e é cada vez mais questionado em outras partes do mundo onde era a regra; considere-se, nesse caso, o que aconteceu com o trabalho com uso intensivo de TIC, que em princípio foi categorizado como trabalho colaborativo, mas que em muitos casos é uma nova versão de trabalho dependente com mecanismos tecnológicos, por vezes autônomos, que exercem controle sobre o trabalhador.
Nesse cenário, a legislação deve envidar esforços criativos para ampliar o quadro de proteção do direito ao trabalho por conta própria e para reduzir os níveis de informalidade, tanto no trabalho independente quanto no trabalho por conta própria.
Com o intuito de obter uma visão geral do que está acontecendo em diversas regiões do mundo, analisaremos a legislação de três países: Espanha, Argentina e Equador, sobre o trabalho por conta própria e refletiremos sobre os principais desafios e dificuldades a serem superados ao se considerar a possibilidade de regulamentar essa atividade.
Classe 10: Economia digital e plataformas: regulamentação, controles e proteção de concorrentes, trabalhadores e consumidores.
Professor responsável: Andrés Boix Palop
Resumo conceitual da aula
Este estudo examina as transformações provocadas pela economia digital, em particular o surgimento e a consolidação de um número crescente de mercados mediados por plataformas digitais, e a crescente necessidade de regulação pública em diversas áreas para garantir a melhor proteção possível aos consumidores, trabalhadores e aos próprios concorrentes (que por vezes incluem alguns dos clientes da plataforma, que também podem competir com ela em certos aspetos do seu negócio). Para tanto, serão analisadas as seguintes questões:
Fundamentos tecnológicos e econômicos da intermediação digital e dos mercados mediados por plataformas. Mercados bilaterais, concentração, economias de escala, monopólios naturais e mercados contestáveis. Consequências legais e regulatórias dessas características definidoras.
- A estratégia regulatória transnacional e o modelo regulatório baseado no controle das autoridades de concorrência e suas limitações. Efeitos da integração vertical e horizontal e a posição dos clientes ou partes nesses mercados. A abordagem mais econômica e a garantia do bem-estar do consumidor e suas limitações. A Lei Europeia dos Mercados Digitais. Plataformas como intermediárias e as obrigações daquelas consideradas como tal no mercado europeu. Garantias para os consumidores.
Proteção de dados e mercados transnacionais de dados. O RGPD e o Privacy Shield. Jurisprudência do TJUE sobre o assunto. Utilização de IA por plataformas e controlos sobre estas ferramentas. A proposta europeia de regulamentação da inteligência artificial e as limitações introduzidas para as plataformas que operam no mercado europeu.
- Breve referência aos problemas gerados pelas plataformas para trabalhadores e pela economia gig.
Classe 11: Trabalho decente na economia de plataformas
Professor responsável: Maria Luísa Barbato
Resumo conceitual da aula
Em pouco mais de 10 anos, as plataformas digitais tornaram-se um tema central no debate sobre o direito do trabalho e um grande desafio para a conquista do trabalho decente. De acordo com dados da OIT (2022), o número de plataformas que oferecem trabalho aumentou de 142 em 2010 para 777 em 2020. A maioria delas (383) opera no setor de entregas, seguida pelas plataformas online (283) e pelas do setor de táxis (106). Este é, sem dúvida, um setor muito dinâmico, e o número de plataformas provavelmente continuará a crescer.
Como é sabido, as plataformas digitais de trabalho utilizam sistemas automatizados para conectar a oferta e a demanda de mão de obra, e essa "gestão algorítmica" exerce uma influência significativa sobre as condições de trabalho. Frequentemente, ela mascara a existência de uma relação de subordinação e controle que a plataforma digital exerce sobre as pessoas que executam o trabalho. Dentre muitos outros fatores com impacto sociolaboral, vale ressaltar que os potenciais estereótipos sexistas e a discriminação transmitidos pela gestão algorítmica também correm o risco de ampliar as desigualdades entre homens e mulheres.
Este curso analisa esse fenômeno sob a perspectiva dos instrumentos que o direito do trabalho vem desenvolvendo para impedir que as plataformas digitais burlem as normas trabalhistas relativas à sua força de trabalho. Para tanto, serão revisadas as soluções oferecidas pelos sistemas jurídicos espanhol e italiano, tanto em termos de legislação quanto de jurisprudência, considerando também as propostas de regulamentação na União Europeia. O caso brasileiro será analisado como ponto de contraste. Em todos esses contextos, serão examinadas a doutrina jurídica pertinente, as decisões judiciais e administrativas e as regulamentações recentemente aprovadas ou propostas.
Classe 12: Trabalho e Plataformas: uma nova perspectiva sobre a apropriação e organização do trabalho
Professor responsável: Guillermo Gianibelli
Aula 12: Síntese conceitual da aula
A economia de plataformas, entendida como uma nova forma de organização do trabalho, apresenta inúmeros problemas e desafios para as relações laborais. Entre eles, destaca-se a consideração dos indivíduos envolvidos e o papel que deve ser atribuído a cada um na rede de relações que os une. Além das profundas implicações que acarreta, discute-se sua magnitude, sua natureza estrutural ou relativa e o fato de o trabalho em plataformas fazer parte de uma tendência mais ampla, coerente com a reestruturação do capitalismo. Em termos dos indivíduos envolvidos, essa tendência se caracteriza, entre outros aspectos, por novas formas de emprego mediado e contingente, que aprofundam a dualização do mercado de trabalho. Portanto, o primeiro passo é contextualizar e focar nas características e tipos de emprego que emergem da economia de plataformas. Isso determina a relevância de se estudar as relações entre os indivíduos em termos das formas de organização do trabalho ou do controle do processo laboral. A importância dessa categoria analítica se evidencia no fato de que as diversas formas da economia gig rompem amplamente com os sujeitos da relação de emprego típica, deslocando a discussão não apenas para formas atípicas de trabalho, mas também para os diferentes graus de precariedade que isso acarreta. Embora sejam oferecidas explicações funcionais sobre a contribuição da tecnologia para justificar essas novas formas de trabalho — neste caso, o uso de plataformas digitais — e até mesmo os benefícios em termos de flexibilidade, gestão do tempo ou renda extra que essas plataformas supostamente proporcionam a um novo tipo de sujeito empregável, a verdade é que, de um ponto de vista estrutural, essas formas de organização do trabalho não escapam à definição clássica de controle sobre o processo de trabalho e ao desejo do capital de tornar a força de trabalho ou seu custo absolutamente variáveis.
Classe 13: O sindicalismo em seu labirinto: tradições, configurações, debates e tensões.
Professor responsável: Soledad Stoessel
Resumo conceitual da aula
A disciplina tem como objetivo apresentar aos alunos o "mundo sindical", tal como é entendido na América Latina, examinando os sindicatos e o movimento operário em três níveis: como entidades representativas dos trabalhadores, como espaços de construção de demandas sociais que não se limitam necessariamente a questões trabalhistas e salariais, e como ferramentas para o desenvolvimento do sujeito político. O conteúdo é apresentado na interseção entre a sociologia política e a sociologia do trabalho, seguindo esses três referenciais analíticos.
A disciplina está dividida em duas partes. A primeira parte é dedicada a uma breve visão geral do surgimento e da história do movimento sindical latino-americano, dos modelos sindicais que surgiram sob os modelos de desenvolvimento liberal, seguidos pelos modelos estatistas, pelos modelos de desenvolvimento voltados para o mercado interno com forte intervenção estatal e, finalmente, pelos modelos neoliberais. A segunda parte aborda as transformações pelas quais o movimento sindical passou a partir da década de 90, em decorrência das reformas trabalhistas e das políticas de ajuste estrutural que apresentaram desafios aos sindicatos, à medida que se adaptavam a novos contextos em uma nova fase do capitalismo. Também aborda a transição do sindicalismo no âmbito da guinada à esquerda ou progressista e os debates em torno da "revitalização sindical". A disciplina explora novas formas de organização e luta sindical, o papel do gênero no movimento sindical e as potenciais alianças entre sindicalismo e feminismo. Por fim, os desafios atuais enfrentados pelo sindicalismo local, regional e transnacional são explorados no contexto das mudanças estruturais em direção à "economia gig", ao trabalho em plataformas digitais, à "uberização" do trabalho, à crescente disparidade entre o setor formal e o (chamado) setor informal, bem como à precarização e à flexibilidade do trabalho, agravadas pela pandemia.
Classe 14: Sindicatos e liberdade sindical diante da reconfiguração do mundo do trabalho (tecnologia, cultura de trabalho, cadeias de suprimentos)
Professor responsável: Hugo Barretto Ghion
Resumo conceitual da aula
As organizações sindicais e seus procedimentos de atuação (negociação e greve, fundamentalmente) têm sido as principais “invenções” autônomas geradas no campo das pessoas que são subjugadas diante da autoridade e do poder econômico que fizeram da liberdade contratual e do direito de propriedade os dois eixos fundamentais da nova forma de emprego do trabalho na produção capitalista.
O esquema de exploração do trabalho foi reproduzido em diferentes contextos nacionais e deu origem a diversas respostas do direito, originando uma regulamentação singular em relação ao "direito consuetudinário", cujo principal expoente na América Latina foi a Constituição Mexicana de Querétaro e o subsequente trabalho de codificação realizado em quase todo o continente.
Ermida Uriarte destacou que a regulamentação do trabalho na América Latina é marcada por uma espécie de dupla via: por um lado, a legislação trabalhista visa proteger o trabalho dependente (também baseada em uma cultura jurídica que fez dos "Princípios" do Direito do Trabalho uma estrutura de apoio para esse objetivo); por outro lado, essa mesma regulamentação tem limitado persistentemente a liberdade sindical, a negociação coletiva e o direito de greve, como evidenciado pelas observações e recomendações que a OIT fez aos países da região, segundo critérios recentemente adotados pelo Parecer Consultivo 27/21 da CIDH.
A evolução do capitalismo nas últimas décadas apresenta cenários desafiadores para essa tríade sindicatos/negociação/greve (Mario de la Cueva): o uso de novas tecnologias impacta as definições tradicionais de trabalho subordinado, também afetadas por uma crescente cultura individualista fomentada por propostas de tipo “empreendedor” e “autônomo”; o reconhecimento do direito à greve é questionado pelos empregadores e as três dimensões das relações coletivas de trabalho são contestadas pela transnacionalização.
Classe 15: Liberdade e autonomia dos sindicatos: uma breve visão geral na América Latina.
Professor responsável: Nasser Ahmad Allan
Resumo conceitual da aula
Esta proposta centra-se em delinear os principais aspectos da liberdade sindical e da autonomia sindical em diversos países da América Latina, incluindo Argentina, Brasil, México e Peru. A disciplina dedicará, em primeiro lugar, especial atenção à persistência de vestígios autoritários nos sistemas jurídicos em análise, a fim de explicar a liberdade sindical a partir dessas perspectivas. Em segundo lugar, analisará como a liberdade sindical e a autonomia sindical interagem com os modelos de negociação coletiva, oferecendo um panorama da situação atual nesses países. Em terceiro lugar, e como tema transversal, explicará o impacto das reformas legislativas neoliberais nos países mencionados.
| Em um único pagamento até 19/08 | Em um único pagamento após 19/08 | Pagamento em 3 parcelas | |
| CM Pleno | 185 USD | 240 USD | USD 315 (3 x USD 105) |
| Associado de CM | 185 USD | 240 USD | USD 315 (3 x USD 105) |
| Sem link | 310 USD | 370 USD | USD 540 (3 x USD 180) |
Para participar, é essencial que você se inscreva usando o formulário online.
Após a conclusão do processo de inscrição, você receberá uma confirmação por e-mail.
As aulas começarão em agosto e terminarão em novembro de 2024.
Todos os participantes inscritos receberão as instruções necessárias para acessar as aulas, a bibliografia e os fóruns de discussão por meio do Espaço de Treinamento Virtual da CLACSO.
Acessar e navegar no Ambiente Virtual de Aprendizagem é muito simples e intuitivo. Em qualquer caso, uma equipe de suporte técnico e acadêmico estará sempre à sua disposição.
Critérios excepcionais: Em casos excepcionais, e dentro do primeiro mês de início do programa de Diploma Avançado, os alunos podem solicitar o desligamento da turma e retornar no ano seguinte. Em todos os casos, os motivos da solicitação devem ser apresentados por escrito. Após decorrido esse período desde o início do curso, nenhum pedido será aceito.
O valor pago só será reembolsado nos casos em que as instituições organizadoras decidirem cancelar a atividade.
O pagamento pode ser feito em uma única parcela por cartão de crédito, depósito bancário ou transferência bancária. Também oferecemos a opção de pagamento em 3 parcelas.
Sim. Haverá descontos para estudantes pertencentes a Centros Membros da CLACSO e Centros Associados da CLACSO, para Pesquisadores Associados da CLACSO e para todos aqueles que pagarem dentro do período de desconto.
Consultas: WhatsApp: +54 9 11 3880 – 1388
E-mail: [email protected]