Diploma Avançado em Perspectivas e Metodologias Participativas para o Aprofundamento Democrático
1ª Turma | Modalidade Virtual
COORDENAÇÃO ACADÊMICA
Mariano Suárez (Universidade da República, Uruguai) Romina Rébola (Faculdade Regional de Rafaela, Universidade Tecnológica Nacional e Universidade Nacional de Rafaela, Argentina) e Igor Ahedo Gurrutxaga (Universidade do País Basco, Espanha)
CORPO DOCENTE
Alfonso Torres Carrillo (Universidade Pedagógica Nacional, Colômbia), Mario Zubiaga (Universidade do País Basco, Espanha), Igor Ahedo Gurrutxaga (Universidade do País Basco, Espanha), Yanina Welp (Centro Albert Hirschman para a Democracia, Instituto de Pós-Graduação, Suíça) Gisela Signorelli (Universidade Nacional de Rosário, Argentina), Izaro Gorostidi Vidaurrazaga (Universidade do País Basco, Espanha), Tomás Villasante (Fundação CREASVI, Espanha), Rosa Ynés Alacio García (Universidade Autônoma da Cidade do México), Azucena Morán (Departamento de Democracia do Instituto de Pesquisa para a Sustentabilidade — Centro Helmholtz de Potsdam, Alemanha) Leonel Del Prado (Universidade da República, Uruguai) Víctor Fernández (Universidade das Américas, Chile), Mercedes Oraison (Universidade Nacional do Nordeste, Argentina), Fernanda Palacios (Consultor na Universidade das Américas, Chile), Pablo Costamagna (Faculdade Regional de Rafaela da Universidade Tecnológica Nacional e da Universidade Nacional de Rafaela, Argentina), Jone Martinez-Palacios (Universidade do País Basco, Espanha), Romina Rébola (Faculdade Regional de Rafaela, Universidade Tecnológica Nacional e Universidade Nacional de Rafaela, Argentina) e Mariano Suárez (Universidade da República, Uruguai)
Formato virtual | Agosto a dezembro de 2023
Este Diploma Avançado destina-se tanto a estudantes de pós-graduação e graduados universitários, quanto a funcionários de administrações públicas e/ou organizações sociais interessados na participação como forma de construir espaços mais horizontais e equitativos e democracias mais fortes. O Diploma está estruturado em cinco módulos que explorarão perspectivas teóricas para analisar as democracias contemporâneas e projetar seu futuro, bem como os principais desafios e tensões que as envolvem. Também analisará, com ênfase em casos latino-americanos e europeus, as tendências atuais, as contribuições e os problemas associados à implementação de mecanismos institucionalizados e experiências participativas auto-organizadas. Por fim, o Diploma fornecerá ferramentas metodológicas para apoiar processos participativos e temas transversais que aprimorem a abrangência e a sustentabilidade das ações. O Diploma integrará aspectos teóricos com estudos de caso ao longo dos diferentes módulos, incorporando também as experiências vividas pelos alunos. Dessa forma, discussões entre pares e atividades em grupo serão utilizadas como partes integrantes do processo de aprendizagem.
A criação e disseminação de múltiplos instrumentos de participação institucionalizada constitui um dos fenômenos mais inovadores das democracias no final do século XX e início do século XXI. Schneider e Welp (2015) distinguem três tipos diferentes: propostas deliberativas, incluindo assembleias de cidadãos, fóruns deliberativos e orçamento participativo; propostas de participação semirrepresentativa ou delegada, como conselhos consultivos; e propostas de participação direta, como referendos e eleições revogatórias.
Elstub e Escobar (2019) identificam quatro tipos de inovação democrática. Primeiramente, destacam as abordagens da democracia deliberativa, participativa e direta. Eles relacionam inovações como assembleias de cidadãos com a democracia deliberativa; orçamento participativo com a democracia participativa; e referendos com a democracia direta. Contudo, os elementos centrais de cada uma dessas abordagens podem ser combinados. Especificamente, o quarto tipo proposto, a governança colaborativa, permite a articulação de processos de deliberação, participação e tomada de decisão, como ocorre em muitos planos comunitários, que se originam de convites ou emergem de movimentos disruptivos dentro da sociedade civil (Elstub & Escobar, 2019: 10).
A maioria dos analistas concorda que, por várias décadas, a América Latina e o Norte Global testemunharam uma onda participativa caracterizada pela institucionalização da participação (Ganuza, 2003). Apesar da importância desse fenômeno, autores como Villasante (2003) e Cheresky (2006) enfatizam a importância dos processos auto-organizados de participação social na configuração do cenário atual.
Nos últimos tempos, os movimentos sociais e as organizações comunitárias têm desempenhado um papel decisivo na configuração deste novo panorama caracterizado pela ascensão da participação. Ao mesmo tempo que os partidos políticos se desfazem e as principais instituições representativas se enfraquecem, as organizações sociais multiplicam-se e os repertórios de expressão política diversificam-se.
Essa questão nos obriga a considerar o protesto, a mobilização e a ruptura como mecanismos que ativam lógicas participativas, as quais podem operar em paralelo, em confronto ou em colaboração com as dinâmicas institucionais de participação. Nesse sentido, Bua e Bussu (2020) argumentam que a compreensão da participação exige considerar não apenas como as instituições se abrem, mas também como a sociedade civil exerce pressão sobre elas. Assim, os horizontes normativos da democracia deliberativa, participativa ou direta são complementados pelos da democracia agonística.
Nesse sentido, este Diploma visa abordar criticamente as discussões e os desafios atuais para o aprofundamento da democracia, analisando, por sua vez, a evolução dos processos participativos (institucionalizados e não institucionalizados; por convite ou por irrupção; baseados na democracia deliberativa, participativa, agonística e/ou direta) na América Latina e em alguns países europeus nas últimas décadas, identificando o verdadeiro poder que as pessoas possuem e quem são essas pessoas que adquiriram destaque.
Além de analisar processos para esclarecer e organizar o caleidoscópio da participação, será dada atenção às metodologias participativas que podem ajudar a fortalecer a democracia interna e as oportunidades para conquistas substanciais, bem como a um conjunto de temas transversais que entendemos serem fundamentais e que devem ser abordados em todos os processos para aprofundar a democracia: gênero, justiça e igualdade, e facilitação da construção de capacidades territoriais.
OBJETIVOS GERAIS
- Fornecer fundamentos teóricos e ferramentas metodológicas para a reflexão crítica e a implementação de propostas de ação para a consolidação da democracia e a construção da cidadania, por meio da participação.
OBJETIVOS ESPECÍFICOS
- Introduzir o debate teórico sobre o aprofundamento das democracias contemporâneas e os princípios normativos dos diversos mecanismos participativos.
- Analise as tendências, conquistas e desafios atuais dos mecanismos de participação institucionalizados.
- Fornecer elementos para fortalecer a análise e a prática de processos comunitários autogeridos.
- Criar ferramentas para trabalhar com metodologias participativas na comunidade e na esfera institucionalizada.
- Identificar reflexões e práticas para trabalhar em determinados aspectos/dimensões transversais em processos participativos, tais como: igualdade de gênero, justiça social, fortalecimento da capacidade local, entre outros.
O Diploma Superior em Perspectivas e Metodologias Participativas para o Aprofundamento Democrático destina-se a estudantes de graduação e pós-graduação; professores de todos os níveis; ativistas e membros de organizações sindicais, movimentos sociais e partidos políticos; funcionários públicos; membros e gestores de organizações não governamentais e profissionais interessados no tema.
O programa consiste em 5 módulos de 3 aulas semanais cada, ministradas consecutivamente e interligadas.
Carga horária total de 128 horas.
Os módulos que compõem o Diploma Superior são:
AULA 1: PRODUZINDO CONHECIMENTO “DE BAIXO PARA A BASE” E OUTRAS POLÍTICAS DA AMÉRICA LATINA
Professor: Alfonso Torres Carrillo
Resumo conceitual da aula
Na América Latina, diversas práticas de produção de conhecimento têm sido desenvolvidas em conjunto com lutas sociais e culturais emancipatórias, algumas das quais empregam metodologias participativas. Esta sessão visa reconhecer as contribuições de algumas dessas práticas de pesquisa para a descolonização do pensamento e a geração de alternativas epistêmicas e políticas ao sistema de dominação capitalista, colonial e patriarcal. O objetivo da sessão é destacar e avaliar as contribuições que têm sido feitas.
AULA 2: A GESTÃO DO ANTAGONISMO: ENTRE A DELIBERAÇÃO E O PROTESTO AGONÍSTICO
Professor: Mario Zubiaga
Resumo conceitual da aula
A tensão insuperável entre conflito e comunidade, fundamento da política, é gerida segundo diferentes modelos: bélico, agonístico, deliberativo e representativo. O processo de democratização avança no espaço intermediário onde os cidadãos, individual e coletivamente, podem "ser parte" e "participar", mesmo que essa "participação não lhes seja dada". Ou talvez precisamente por isso. E tudo isso ocorre num estado permanente de exceção que combina a gestão bélica e a representativa com o objetivo de garantir a estabilidade dos fundamentos sistêmicos.
AULA 3: PARTICIPAÇÃO, RAÍZES DEMOCRÁTICAS E EMERGÊNCIA
Professor: Igor Ahedo
Resumo conceitual da aula
Esta sessão tem como objetivo apresentar as diversas tipologias de participação, ordenadas de acordo com suas críticas subjacentes à democracia. Após definirmos minipúblicos, referendos e orçamentos participativos como expressões respectivas de crítica deliberativa, direta e participativa, focaremos na identificação das características dos regimes de governança colaborativa. Daremos especial atenção àqueles que emergem da base, a fim de aprofundar a reflexão sobre a relação entre, por um lado, contestação e ruptura e, por outro, o aprofundamento democrático. A aula conclui diferenciando os processos de institucionalização da capacidade desses mecanismos de se incorporarem e criarem raízes nas culturas democráticas.
AULA 1: PARTICIPAÇÃO INSTITUCIONALIZADA. INTRODUÇÃO A ALGUNS MECANISMOS
Professores: Rosa Alacio, Gisela Signorelli e Mariano Suárez
Resumo conceitual da aula
Em 1988, o primeiro orçamento participativo foi implementado na cidade brasileira de Porto Alegre. Desde então, milhares de processos participativos institucionalizados se espalharam pelo mundo, permitindo que os cidadãos influenciem não apenas os orçamentos, mas também outros desenvolvimentos de políticas públicas. Existem inúmeros instrumentos de participação institucionalizada: planos comunitários, planejamento participativo, conselhos cidadãos, júris cidadãos, laboratórios de inovação e muitos outros. Essas iniciativas democráticas de inovação aprimoram a qualidade da democracia ao atribuir um papel mais ativo aos cidadãos tanto na definição dos problemas sociais quanto na busca de soluções. Falamos de participação institucionalizada quando ela envolve espaços regulamentados por autoridades públicas e suas administrações, que solicitam a opinião dos cidadãos para tomar decisões ou empreender ações referentes a uma iniciativa específica. Entre os exemplos mais atuais e reconhecidos estão aqueles que exploraremos nesta disciplina: o Orçamento Participativo (OP) e os laboratórios de inovação.
AULA 2: GOVERNANÇA DELIBERATIVA: LIÇÕES E HORIZONTES NA AMÉRICA LATINA
Professora: Azucena Morán
Resumo conceitual da aula
Este curso explora a virada deliberativa na América Latina e a ascensão de novos mecanismos deliberativos, como assembleias e fóruns cidadãos, que na última década têm sido considerados o mecanismo preferencial para lidar com as deficiências das democracias representativas no Ocidente. Seu objetivo é analisar criticamente as oportunidades, limitações e desafios envolvidos na implementação e replicação dessas formas de governança colaborativa, com base em experiências e histórias regionais. Examinaremos as tendências deliberativas atuais em relação às experiências participativas institucionalizadas em contextos de erosão democrática e repressão estatal na América Latina. Analisaremos casos de repressão estatal e cooptação de instituições participativas e deliberativas na Guatemala, El Salvador, Nicarágua e Venezuela. Além disso, discutiremos processos deliberativos autônomos em defesa do território em Honduras e na Guatemala. Com base nisso, os alunos desenvolverão as habilidades para situar diferentes narrativas de governança deliberativa na região dentro de seus contextos sociais, históricos e políticos.
AULA 3: MECANISMOS DA DEMOCRACIA DIRETA
Professora: Yanina Welp
Resumo conceitual da aula
A ativação de referendos não é um fenômeno novo na América Latina ou no mundo, nem é exclusiva de regimes democráticos, visto que são utilizados em sistemas democráticos, híbridos e até mesmo autoritários. Contudo, nas últimas décadas, ocorreram mudanças qualitativas e quantitativas que explicam sua maior prevalência, tanto na lei quanto na prática. Em 1970, apenas um país da região regulamentava a ativação de referendos por cidadãos (Uruguai, Constituição de 1967). Em 2023, uma dúzia de países os incluía em suas constituições, e vários outros regulamentavam referendos obrigatórios, enquanto a maioria concedia o poder de convocá-los às autoridades. Após uma breve revisão das tendências globais e das experiências suíça e norte-americana, a disciplina analisará os diferentes contextos e experiências da recente reforma constitucional e da introdução de referendos na América Latina.
AULA 1: COMUNIDADE, PARTICIPAÇÃO E TRABALHO COMUNITÁRIO
Professor: Leonel Del Prado
Resumo conceitual da aula
Comunidade: definições, usos e aplicações nas ciências sociais; Trabalho comunitário: história, objetivos e perspectivas atuais; O contexto atual do trabalho comunitário: neoliberalismo, exclusão social e trabalho comunitário. Trabalho comunitário: dimensões (sensibilização, mobilização e organização). A diferença entre trabalho comunitário e outras práticas. Possíveis tarefas. Textos clássicos sobre trabalho com comunidades. Metodologias: o que não fazer. Dicas para o trabalho.
AULA 2: COMUNIDADES EM MOVIMENTO: FERRAMENTAS PARA COMPREENDER EXPERIÊNCIAS PARTICIPATIVAS
Professor: Víctor Fernández González
Resumo conceitual da aula
É feita uma análise crítica de algumas experiências específicas de participação comunitária, examinando como essa participação se relaciona com a expansão da democracia e a transformação social.
Nesse sentido, e levando em consideração as limitações de tempo do curso, o objetivo é dar conta de uma diversidade de experiências que englobem a participação em instituições e associações (Fung, 2003a; Ganuza & Francés, 2008), o impacto da participação cidadã nas políticas públicas ou no processo político (Eberhardt, 2015; Espinoza, 2004; Garrido-Vergara et al., 2016), com foco nos processos de participação cidadã ou mecanismos de democracia direta (Lissidini, 2011; Schneider & Welp, 2015), ou nas diferentes formas como grupos, movimentos, coletivos e organizações de base se organizam, planejam e tomam decisões (Red CIMAS, 2015; Svampa, 2010), incorporando, ainda que de forma mais tangencial, abordagens que articulam pesquisa, sistematização de experiências e promoção de processos participativos, como a Pesquisa-Ação Participativa ou a Sociopraxis (Falck & Paño, 2015). 2011; Fals Borda, 1999; Fung & Wright, 2003; Jara, 2018; Salazar, 2015; Vargas et al., 1984; Zibechi, 2007).
A forma de abordar essa ampla gama de questões será relacionar as experiências a dois eixos: por um lado, à discussão teórica sobre democracia participativa (Balderacchi, 2016; Lissidini, 2015; Schneider & Welp, 2015; Fung & Wright, 2003; Villasante, 2017) e, por outro, a uma escala de participação (Rede CIMAS, 2015) que vincula os tipos de participação às abordagens de planejamento, rompendo, assim, com a distinção usual entre processos em que a participação pode ser promovida “de cima para baixo” — isto é, por poderes estatais que implementam mecanismos de participação cidadã ou democracia direta — ou “de baixo para cima” — isto é, promovida pelos próprios cidadãos, com movimentos sociais, organizações de base e redes de ativistas desempenhando um papel de liderança. O importante, contudo, é enfatizar como a participação dos atores se relaciona ao contexto das instituições políticas locais.
Espera-se, portanto, que os alunos aprendam sobre experiências e tenham as ferramentas para compreendê-las e melhorá-las.
AULA 3: PARTICIPAÇÃO COMUNITÁRIA: PROCESSOS DE SUBJECTIVAÇÃO POLÍTICA E TRANSFORMAÇÃO TERRITORIAL
Professora: Mercedes Oraison
Resumo conceitual da aula:
Quando falamos de participação comunitária, estamos nos referindo aos processos de organização, mobilização e gestão promovidos por organizações de base e líderes sociais localizados, geralmente, em bairros da classe trabalhadora.
Segundo Maritza Montero (2003, p. 72), no âmbito de tais processos, os membros de uma comunidade "desenvolvem conjuntamente capacidades e recursos para controlar a sua situação de vida, agindo de forma comprometida, consciente e crítica, para alcançar a transformação do seu ambiente de acordo com as suas necessidades e aspirações, transformando-se ao mesmo tempo".
O que distingue a participação comunitária de outras formas de participação é o envolvimento de atores locais que mantêm relações de cooperação na busca de um objetivo comum. As discussões em torno da participação comunitária, entre outras questões, estão ligadas à capacidade dos protagonistas de gerar transformações reais por meio de sua influência nas agendas políticas locais. Nesse contexto, podemos perguntar: até que ponto os processos autogeridos são funcionais para o deslocamento do Estado ou podem contribuir para a construção da cidadania? A participação comunitária pode ser entendida como uma forma de consolidar, expandir ou aprofundar uma “democracia de proximidade”? (Annunziata, 2008; Schnapper, 2004). O uso indefinido do conceito, que o transforma em uma espécie de guarda-chuva sob o qual múltiplas formas de convergência social são abrigadas, levou à distinção de diferentes graus de participação (Arnstein, 1969; Hart, 1992; Novella e Trillas, 2001). A disciplina, portanto, está voltada para a discussão dos limites e potencialidades da participação comunitária, com base na análise de uma experiência de gestão participativa em um centro comunitário em um bairro popular da Argentina.
CLASSE 1: DEMOCRACIAS E METODOLOGIAS PARTICIPATIVAS
Professor: Tomás Rodríguez Villasante
Resumo conceitual da aula
Participação é uma palavra com muitos significados diferentes, e muitos deles enganosos. Ela dá origem a mal-entendidos e, especialmente na política, acaba carecendo de credibilidade, embora todos os atores tendam a usá-la, ou talvez justamente por isso. Experiências que nos ensinam mais sobre a descrença na participação devido a sucessivas decepções e ao descumprimento de acordos são frequentemente ignoradas. A participação é discutida sob perspectivas eleitorais, mas não se tomam medidas em direção a outras formas de "engajamento político" mais deliberativas, que emanam de iniciativas populares. Os movimentos, por outro lado, produzem mobilizações, mas geralmente não mantêm uma metodologia estável que capture as aspirações em constante evolução das pessoas. Embora existam também alguns exemplos práticos "baseados em bens comuns", com sistemas de participação popular mais genuínos, focados principalmente em questões locais específicas, e alguns que alcançam milhares ou até milhões de pessoas. Com base nessas experiências, faz sentido argumentar sobre a "natureza política" das metodologias participativas. E isso contribui para dar um senso de democracia real ao que está sendo construído. Quinze movimentos e abordagens convergentes nas ciências sociais aplicadas, mais operacionais do que as disciplinas acadêmicas dominantes, são apresentados no que diz respeito às democracias e metodologias. Destacam-se as “mediações” na comunicação e postulam-se os “grupos propulsores” de movimentos e mobilizações como base para a mudança social por meio de “conjuntos de ação”. Uma estrutura ou matriz criativa serve como guia para explorar metodologias participativas, que praticamos há décadas, como caminhos para trabalhar com os setores populares. A “sociopráxis” acompanha movimentos cooperativos, de bairro, camponeses, feministas, ambientalistas e trabalhistas, e propõe a construção de estratégias e propostas operacionais. As “democracias participativas” emergem, em última análise, como a conclusão fundamental dessas propostas das ciências sociais aplicadas, distanciando-se da política de elite e avançando com “transduções” em direção à “criatividade pró-comuns” e à “natureza política” dos acordos público-sociais.
AULA 2: FASES DE UM PROCESSO PARTICIPATIVO COM SOCIOPRÁXIS. MAPEAMENTO ESTRATÉGICO COM REDES DE ATORES
Professores: Gisela Signorelli e Mariano Suárez
Resumo conceitual da aula
Serão apresentadas as etapas que caracterizam um processo participativo metodologicamente orientado a partir de uma perspectiva socioprática. Isso permitirá a compreensão do conceito de processo participativo, em vez de técnicas isoladas. Há uma negociação inicial com as partes envolvidas a respeito do conteúdo das etapas e dos possíveis cronogramas, mas a estrutura é flexível, com diferentes fases que variam desde o autodiagnóstico (com feedback criativo) até a execução e o monitoramento das ações planejadas.
Na segunda parte da aula, apresenta-se a técnica do sociograma, ou mapeamento estratégico de atores e redes, abordando sua utilidade no contexto da fase de autodiagnóstico. Por meio de um exemplo prático, explicam-se suas características e condições operacionais de aplicação, enfatizando seu caráter estratégico para o processo e as possibilidades geradas pelo trabalho com conjuntos de ações.
AULA 3: TÉCNICAS PARTICIPATIVAS
Professor: Izaro Gorostidi
Resumo conceitual da aula
Após compreender e contextualizar as metodologias, os processos e a organização participativa, esta sessão propõe o aprendizado sobre as diversas técnicas que podem ser implementadas em cada fase do processo participativo. Para tanto, identificaremos as diferentes dimensões a partir das quais as ferramentas de pesquisa utilizadas no desenvolvimento de processos participativos e comunitários são aplicadas. Em seguida, aprofundaremos a análise de diversas técnicas para compreender seu alcance e limitações em cada fase de um processo participativo. Especificamente, diferenciaremos dois momentos-chave em qualquer processo participativo. Primeiramente, na fase de diagnóstico, será crucial definir as técnicas de abertura para delinear os discursos, os problemas e os atores envolvidos em um determinado fenômeno. Em segundo lugar, a fase de encerramento é estruturada por meio do desenvolvimento do Plano de Ação Abrangente. Nessa perspectiva, apresentaremos ferramentas tanto para a abertura quanto para o encerramento da análise, na forma de acordos. Essas ferramentas incluem técnicas como sociogramas, transectos, mapas temporais, árvores de discurso, oficinas futuras, fluxogramas e outras.
AULA 1: GÊNERO, FEMINISMOS E METODOLOGIAS PARTICIPATIVAS PARA A TRANSFORMAÇÃO SOCIAL
Professora: Fernanda Palacios
Resumo conceitual da aula
O papel de liderança das mulheres na vida comunitária tem uma longa história e um percurso de experiência, aprendizagem e conhecimento acumulados, que vão desde iniciativas autogeridas por organizações sociais e territoriais e ativismo de base em organizações feministas e de mulheres, até iniciativas desenvolvidas por organizações, fundações, centros acadêmicos e outras organizações da sociedade civil e instituições locais. Essa amplitude de experiências e contextos apresenta desafios comuns que exigem atualizações conceituais e metodológicas contínuas.
O objetivo deste seminário é aproveitar a experiência de trabalho com uma perspectiva de gênero em nível comunitário, atualizando os marcos conceituais e metodológicos para aprimorar a eficácia e o impacto dessas experiências nos níveis local e comunitário. A interseção entre uma perspectiva de gênero, epistemologias feministas e abordagens metodológicas críticas baseadas em metodologias participativas busca gerar conhecimento coletivo orientado para a práxis transformadora e a integração do conhecimento acadêmico e comunitário para promover territórios mais justos, seguros e livres para as mulheres e meninas que neles vivem.
AULA 2: A VIRADA PARTICIPATIVA NEOLIBERAL: A BUROCRATIZAÇÃO DA PARTICIPAÇÃO CIDADÃ COMO AMEAÇA À CONSTRUÇÃO DA PARTICIPAÇÃO PARA A MUDANÇA SOCIAL
Professor: Jone Martínez-Palacios
Resumo conceitual da aula
A aula começa questionando o tipo de participação que estamos institucionalizando como resposta à crise da democracia. Essa questão permite uma abordagem da realidade participativa caracterizada como a virada participativa neoliberal, baseada em uma burocratização da participação que se torna uma ameaça real ao avanço de estratégias participativas que garantam a mudança social. Para argumentar em favor dessa virada, serão identificados três movimentos. Primeiro, a naturalização de um topos circular em relação à crise da democracia, de modo que parte-se do pressuposto de que a democracia está em crise, mas as estratégias participativas não questionam suas causas.
Em segundo e terceiro lugar, estamos testemunhando uma burocratização da participação e uma privatização da democracia participativa, o que nos leva ao diagnóstico de uma mudança neoliberal. A aula conclui com críticas das teorias feministas da justiça sobre a forma como a participação está sendo institucionalizada.
AULA 3: FACILITADORES EM PROCESSOS TERRITORIAIS PARA O DESENVOLVIMENTO DE CAPACIDADES. APOIO DO IADT PARA A TRANSFORMAÇÃO DIALÓGICA DOS TERRITÓRIOS
Professores: Romina Rébola e Pablo Costamagna
Resumo conceitual da aula
Na perspectiva do desenvolvimento territorial, os processos de apoio baseados na pesquisa-ação para o desenvolvimento territorial são experiências de diálogo, facilitação e participação que possibilitam a construção de capacidades individuais e coletivas intangíveis para a transformação territorial. Por meio de processos de capacitação e diálogo político institucional em nível territorial, os atores desenvolvem capacidades para a sustentabilidade dos espaços de encontro, o que lhes permite abordar problemas territoriais e cocriar soluções coletivas, aprofundando a democratização dos territórios por meio do diálogo e da participação. Nesse contexto, o papel dos facilitadores estimula e conecta o processo territorial, gerando dinâmicas de ação que empoderam os atores territoriais a tomar decisões.
Na perspectiva do Desenvolvimento Territorial, é vital facilitar processos que possam ser realizados por diversos indivíduos ou equipes para a transformação e sustentabilidade dos processos sociais, políticos, culturais e ambientais no território.
Este seminário visa destacar o papel dos facilitadores nas comunidades locais, dentro da estrutura metodológica da nossa experiência em apoio ao desenvolvimento territorial baseado em pesquisa-ação. Propõe-se compartilhar experiências e reflexões locais sobre essas práticas, bem como a importância de certas capacidades individuais e coletivas para a democratização dos processos locais.
- Alfonso Torres Carrillo (Universidade Pedagógica Nacional, Colômbia)
- Mario Zubiaga (Universidade do País Basco, Espanha)
- Igor Ahedo Gurrutxaga (Universidade do País Basco, Espanha)
- Yanina Welp (Centro Albert Hirschman para a Democracia, Instituto de Altos Estudos Internacionais e de Desenvolvimento, Suíça)
- Gisela Signorelli (Universidade Nacional de Rosário)
- Izaro Gorostidi Vidaurrazaga (Universidade do País Basco, Espanha)
- Tomás Villasante (Fundação CREASVI, Espanha),
- Rosa Ynés Alacio García (Universidade Autônoma da Cidade do México)
- Azucena Morán (Departamento de Democracia do Instituto de Pesquisa para a Sustentabilidade — Centro Helmholtz de Potsdam, Alemanha)
- Leonel Del Prado (Universidade da República, Uruguai)
- Víctor Fernández (Universidade das Américas, Chile)
- Mercedes Oraison (Universidade Nacional do Nordeste, Argentina)
- Fernanda Palacios (Consultor na Universidade das Américas, Chile)
- Pablo Costamagna (Faculdade Regional de Rafaela da Universidade Tecnológica Nacional e Universidade Nacional de Rafaela, Argentina)
- Jone Martinez-Palacios (Universidade do País Basco, Espanha)
- Romina Rébola (Faculdade Regional de Rafaela, Universidade Tecnológica Nacional e Universidade Nacional de Rafaela, Argentina)
- Mariano Suárez (Universidade da República, Uruguai)
| Em um único pagamento até 15/08 | Em um único pagamento após 15/08 | Pagamento em 3 parcelas | |
| CM Pleno | 175 USD | 230 USD | USD 315 (3 x USD 105) |
| Associado de CM | 300 USD | 360 USD | USD 540 (3 x USD 180) |
| Sem link | 300 USD | 360 USD | USD 540 (3 x USD 180) |
Para participar, você deve se inscrever usando o formulário online clicando aqui. As inscrições estarão abertas de 8 de maio a 20 de agosto de 2023.
Após a conclusão do processo de inscrição, você receberá uma confirmação por e-mail.
As aulas começarão em agosto e terminarão em dezembro de 2023.
Todos os participantes inscritos receberão as instruções necessárias para acessar as aulas, a bibliografia e os fóruns de discussão por meio do Espaço de Treinamento Virtual da CLACSO.
Acessar e navegar no Ambiente Virtual de Aprendizagem é muito simples e intuitivo. Em qualquer caso, uma equipe de suporte técnico e acadêmico estará sempre à sua disposição.
Critérios excepcionais: Em casos excepcionais, e dentro do primeiro mês de início do programa de Diploma Avançado, os alunos podem solicitar o desligamento da turma e retornar no ano seguinte. Em todos os casos, os motivos da solicitação devem ser apresentados por escrito. Após decorrido esse período desde o início do curso, nenhum pedido será aceito.
O valor pago só será reembolsado nos casos em que as instituições organizadoras decidirem cancelar a atividade.
| Em um único pagamento até 15/08 | Em um único pagamento após 15/08 | Pagamento em 3 parcelas | |
| CM Pleno | 175 USD | 230 USD | USD 315 (3 x USD 105) |
| Associado de CM | 300 USD | 360 USD | USD 540 (3 x USD 180) |
| Sem link | 300 USD | 360 USD | USD 540 (3 x USD 180) |
O pagamento pode ser feito em uma única parcela por cartão de crédito, depósito bancário ou transferência bancária. Também oferecemos a opção de pagamento em 3 parcelas.
Sim. Haverá descontos para estudantes pertencentes a Centros Membros da CLACSO e Centros Associados da CLACSO, para Pesquisadores Associados da CLACSO e para todos aqueles que pagarem dentro do período de desconto.
Consultas: WhatsApp: +54 9 11 3880 – 1388
E-mail: [email protected]