Diploma Avançado em Perspectivas e Metodologias Participativas para o Aprofundamento Democrático

 Diploma Avançado em Perspectivas e Metodologias Participativas para o Aprofundamento Democrático

COORDENAÇÃO ACADÊMICA

Romina Rébola (Faculdade Regional de Rafaela, Universidade Tecnológica Nacional e Universidade Nacional de Rafaela, Argentina) Imanol Telleria (Universidade do País Basco, Espanha) e Mariano Suárez (Universidade da República, Uruguai)

CORPO DOCENTE

Igor Ahedo Gurrutxaga (Universidade do País Basco, Espanha), Rocío Annunziata (Universidade Nacional de San Martín, Argentina), Rosa Ynés Alacio García (Universidade Autônoma da Cidade do México, México), Antônio Álvarez-Benavides (John Jay College of Criminal Justice, City University of New York), Luís Arnanz Monreal (Universidade Complutense de Madrid, Espanha), Pablo Costamagna (Instituto Praxis da Faculdade Regional de Rafaela da Universidade Tecnológica Nacional e da Universidade Nacional de Rafaela), Leonel Del Prado (Universidade da República, Uruguai) Víctor Fernández González (Universidade Católica de Maule, Chile), Néstor Garcia (Universidade Complutense de Madrid, Espanha), Imanol Telleria (Universidade do País Basco, Espanha), Alicia Lissidini (Faculdade de Política e Governo da Universidade Nacional de San Martín, Argentina) Azucena Morán (Departamento de Democracia do Instituto de Pesquisa para a Sustentabilidade — Centro Helmholtz de Potsdam, Alemanha) Mercedes Oraison (Centro de Estudos Sociais – Universidade Nacional do Nordeste, Argentina) Jone Martinez-Palacios (Universidade do País Basco, Espanha), Uxue Zugaza Goyenechea (Universidade do País Basco, Espanha), Romina Rébola (Instituto Praxis da Faculdade Regional de Rafaela, Universidade Tecnológica Nacional e Universidade Nacional de Rafaela, Argentina) Gisela Signorelli (Universidade Nacional de Rosário), Mariano Suárez Elías (Universidade da República, Uruguai) Alfonso Torres Carrillo (Universidade Pedagógica Nacional, Colômbia), Tomás R. Villasante (Fundação CREASVI, Espanha) e Mario Zubiaga (Universidade do País Basco, Espanha).

Home: 06 / 05 / 2026 | Registo: 12/01/2026 al 06/05/2026

Formato virtual | Maio a agosto de 2026

Este Diploma Avançado é organizado pelo Grupo de Trabalho sobre Processos e Metodologias Participativas e destina-se a estudantes de pós-graduação, graduados universitários e funcionários de administrações públicas e/ou organizações sociais interessados ​​na participação como forma de construir espaços mais horizontais e equitativos e democracias mais fortes. O Diploma está estruturado em cinco módulos que explorarão perspectivas teóricas para analisar as democracias contemporâneas e projetar seu futuro, bem como os principais desafios e tensões que as envolvem. Também analisará, com ênfase em casos latino-americanos e europeus, as tendências atuais, as contribuições e os problemas associados à implementação de mecanismos institucionalizados e experiências participativas auto-organizadas. Por fim, o seminário fornecerá ferramentas metodológicas para apoiar processos participativos e temas transversais que aprimorem a abrangência e a sustentabilidade das ações.

O programa de Diploma integrará aspectos teóricos com estudos de caso em seus diversos módulos, incorporando também as experiências vividas pelos alunos. Dessa forma, discussões entre pares e atividades em grupo serão integradas ao processo de aprendizagem.

A criação e disseminação de múltiplos instrumentos de participação institucionalizada constitui um dos fenômenos mais inovadores das democracias no final do século XX e início do século XXI. Schneider e Welp (2015) distinguem três tipos diferentes: propostas deliberativas, incluindo assembleias de cidadãos, fóruns deliberativos e orçamento participativo; propostas de participação semirrepresentativa ou delegada, como conselhos consultivos; e propostas de participação direta, como referendos e eleições revogatórias.

Elstub e Escobar (2019) identificam quatro tipos de inovação democrática. Primeiramente, destacam as abordagens da democracia deliberativa, participativa e direta. Eles relacionam inovações como assembleias de cidadãos com a democracia deliberativa; orçamento participativo com a democracia participativa; e referendos com a democracia direta. Contudo, os elementos centrais de cada uma dessas abordagens podem ser combinados. Especificamente, o quarto tipo proposto, a governança colaborativa, permite a articulação de processos de deliberação, participação e tomada de decisão, como ocorre em muitos planos comunitários, que se originam de convites ou emergem de movimentos disruptivos dentro da sociedade civil (Elstub & Escobar, 2019: 10).

A maioria dos analistas concorda que, por várias décadas, a América Latina e o Norte Global testemunharam uma onda participativa caracterizada pela institucionalização da participação (Ganuza, 2003). Apesar da importância desse fenômeno, autores como Villasante (2003) e Cheresky (2006) enfatizam a importância dos processos auto-organizados de participação social na configuração do cenário atual.

Nos últimos tempos, os movimentos sociais e as organizações comunitárias têm desempenhado um papel decisivo na configuração deste novo panorama caracterizado pela ascensão da participação. Ao mesmo tempo que os partidos políticos se desfazem e as principais instituições representativas se enfraquecem, as organizações sociais multiplicam-se e os repertórios de expressão política diversificam-se.

Essa questão nos obriga a considerar o protesto, a mobilização e a ruptura como mecanismos que ativam lógicas participativas, as quais podem circular em paralelo, em confronto ou em colaboração com as dinâmicas institucionais de participação.

Nesse sentido, Bua e Bussu (2020) argumentam que a compreensão da participação exige considerar não apenas como as instituições se abrem, mas também como a sociedade civil exerce pressão sobre essas instituições. Assim, os horizontes normativos da democracia deliberativa, participativa ou direta são complementados pelos da democracia agonística.

Nesse sentido, este Diploma visa abordar criticamente as discussões e os desafios atuais para o aprofundamento da democracia, analisando, por sua vez, a evolução dos processos participativos (institucionalizados e não institucionalizados; por convite ou por irrupção; baseados na democracia deliberativa, participativa, agonística e/ou direta) na América Latina e em alguns países europeus nas últimas décadas, identificando o verdadeiro poder que as pessoas possuem e quem são essas pessoas que adquiriram destaque.

Além de analisar processos para esclarecer e organizar o caleidoscópio da participação, será dada atenção às metodologias participativas que podem ajudar a fortalecer a democracia interna e as oportunidades para conquistas substanciais, bem como a um conjunto de temas transversais que entendemos serem fundamentais e que devem ser abordados em todos os processos para aprofundar a democracia: gênero, justiça e igualdade, e facilitação da construção de capacidades territoriais.

OBJETIVO GERAL

Fornecer fundamentos teóricos e ferramentas metodológicas para a reflexão crítica e a implementação de propostas de ação para a consolidação da democracia e a construção da cidadania, por meio da participação.

 OBJETIVOS ESPECÍFICOS

  1. Introduzir o debate teórico sobre o aprofundamento das democracias contemporâneas e os princípios normativos dos diversos mecanismos participativos.
  2. Analise as tendências, conquistas e desafios atuais dos mecanismos de participação institucionalizados.
  3. Fornecer elementos para fortalecer a análise e a prática de processos comunitários autogeridos.
  4. Criar ferramentas para trabalhar com metodologias participativas na comunidade e na esfera institucionalizada.
  5. Identificar reflexões e práticas para trabalhar em determinados aspectos/dimensões transversais em processos participativos, tais como: igualdade de gênero, justiça social, fortalecimento da capacidade local, entre outros.

O Diploma Superior em Perspectivas e Metodologias Participativas para o Aprofundamento Democrático destina-se a estudantes de graduação e pós-graduação; professores de todos os níveis; ativistas e membros de organizações sindicais, movimentos sociais e partidos políticos; funcionários públicos; membros e gestores de organizações não governamentais e profissionais interessados ​​no tema.

O programa é composto por 5 módulos, cada um com 3 aulas semanais, ministradas consecutivamente e interligadas. O curso combina aprendizagem síncrona e assíncrona.

Carga horária total de 128 horas.

Os módulos que compõem o diploma avançado são:

AULA 1: GERENCIANDO O ANTAGONISMO: ENTRE A DELIBERAÇÃO E PROTESTO AGONÍSTICO

Professor: Mario Zubiaga 

Resumo conceitual da aula
A tensão insuperável entre conflito e comunidade, fundamento da política, é gerida segundo diferentes modelos: bélico, agonístico, deliberativo e representativo. O processo de democratização avança no espaço intermediário onde os cidadãos, individual e coletivamente, podem "ser parte" e "participar", mesmo que essa "participação não lhes seja dada". Ou talvez precisamente por isso. E tudo isso ocorre num estado permanente de exceção que combina a gestão bélica e a representativa com o objetivo de garantir a estabilidade dos fundamentos sistêmicos.

AULA 2: PARTICIPAÇÃO DIGITAL: DESAFIOS E TENDÊNCIAS

Professor: Rocío Annunziata

Resumo conceitual da aula
Nesta sessão, discutiremos a participação digital, com foco em plataformas e fóruns criados especificamente para fins participativos. Analisaremos os aspectos inclusivos e exclusivos da participação digital, bem como seu potencial e limitações para a deliberação. Exploraremos o que o meio digital acrescenta (e o que ele subtrai) como espaço para a participação cidadã e como ele transforma o conceito de comunidade em conexão. Em seguida, refletiremos sobre o papel das ferramentas de IA na melhoria da deliberação, em termos de redução da polarização e aumento da diversidade cognitiva.

CLASSE 3: CONHECIMENTO EMANCIPATÓRIO E JUSTIÇA EPISTÊMICA PARA UMA DEMOCRACIA PARTICIPATIVA

Professor: Alfonso Torres Carrillo

Resumo conceitual da aula
Na América Latina, diversas práticas de produção de conhecimento têm sido desenvolvidas em conjunto com lutas sociais e culturais emancipatórias, algumas das quais empregam metodologias participativas. Esta sessão visa reconhecer as contribuições de algumas dessas práticas de pesquisa para a descolonização do pensamento e a geração de alternativas epistêmicas e políticas ao sistema de dominação capitalista, colonial e patriarcal. O objetivo da sessão é destacar e avaliar as contribuições que têm sido feitas.
Critérios epistemológicos, éticos e metodológicos dos processos participativos e da Pesquisa-Ação Participativa (PAP).

AULA 4: FASES DE UM PROCESSO PARTICIPATIVO COM SOCIOPRÁXIS. MAPEAMENTO ESTRATÉGICO COM REDES DE ATORES

Professores: Gisela Signorelli e Mariano Suárez

Resumo conceitual da aula
Serão apresentadas as etapas que caracterizam um processo participativo metodologicamente orientado a partir de uma perspectiva socioprática. Isso permitirá a compreensão do conceito de processo participativo como um todo, em vez de técnicas isoladas. Há uma negociação inicial com as partes envolvidas a respeito do conteúdo das etapas e dos possíveis cronogramas, mas a estrutura é flexível, com diferentes fases que variam desde o autodiagnóstico (com feedback criativo) até a execução e o monitoramento das ações planejadas. Na segunda parte da aula, será apresentada a técnica do sociograma, ou mapeamento estratégico de atores e redes, abordando sua utilidade para o Grupo de Coordenação, especialmente no início do processo participativo. Por meio de um exemplo prático, suas características e condições operacionais de aplicação serão explicadas, enfatizando seu caráter estratégico para o processo e as possibilidades geradas pelo trabalho com grupos de ação.

AULA 5: TÉCNICAS PARTICIPATIVAS PARA OUVIR E COMPARTILHAR INFORMAÇÕES

Professor: Imanol Telleria

Resumo conceitual da aula
Após compreender e situar as metodologias e fases de um processo participativo, esta sessão propõe explorar e aprender sobre as diferentes técnicas que podem ser implementadas em cada fase do processo participativo, principalmente na fase de escuta e feedback. Para tanto, identificaremos as diferentes dimensões a partir das quais as ferramentas de pesquisa utilizadas no desenvolvimento de processos participativos e comunitários são aplicadas. Aprofundaremos a análise de diversas técnicas para compreender seu alcance e limitações em cada caso. Assim, para o diagnóstico participativo, será crucial definir técnicas para abrir o processo à escuta de opiniões ou posições, delimitar e inter-relacionar problemas e identificar os atores envolvidos em uma determinada situação até que se alcance uma saturação de discursos relevantes. Uma vez sistematizadas todas as informações coletadas por meio de diversas técnicas na fase de escuta, é recomendável organizá-las e compartilhá-las de forma a fomentar a reflexão coletiva, conduzindo ao autodiagnóstico. Este é um momento-chave no processo de construção coletiva do conhecimento, no qual as oficinas participativas desempenham um papel ainda mais proeminente. Portanto, serão abordadas as características, os objetivos e as técnicas do feedback criativo e das oficinas participativas, e a técnica do fluxograma será explicada com mais detalhes.

AULA 6: OFICINAS DE CRIATIVIDADE SOCIAL PARA PLANEJAMENTO E AVALIAÇÃO PARTICIPATIVOS

Professores: Luis Arnanz, Néstor García e Antonio Álvarez Benavides

Resumo conceitual da aula
Partindo das diversas possibilidades para sessões de feedback e construção de autodiagnóstico, esta disciplina abordará outras técnicas para fomentar a criatividade social, reconhecendo caminhos aprimorados para iniciar a construção de soluções alternativas, também de forma participativa e consensual com a maioria das partes interessadas envolvidas. A ênfase é colocada na elaboração de um plano de ação com as propostas urgentes que a comunidade espera e considera viáveis ​​a curto prazo, seguidas por propostas para cada questão e a ideia orientadora geral. Portanto, esta disciplina propõe a prática em grupo de algumas técnicas, como jogos de posicionamento (multislogans) e votação colaborativa utilizando o sistema EASW para priorizar com pontuação ponderada. Finalmente, a disciplina abordará a articulação e implementação de propostas coletivas em programas operacionais, com estruturas de auto-organização, e integrando aspectos relacionados ao monitoramento e acompanhamento da participação, para retificar e adaptar as propostas a cada circunstância, de acordo com os ciclos de feedback (preferencialmente criativos), fazendo ajustes conforme necessário.

CLASSE 7: PARTICIPAÇÃO INSTITUCIONALIZADA. INTRODUÇÃO A ALGUNS MECANISMOS

Professores: Rosa Alacio, Gisela Signorelli e Mariano Suárez

Resumo conceitual da aula
Em 1988, o primeiro orçamento participativo foi implementado na cidade brasileira de Porto Alegre. Desde então, milhares de processos participativos institucionalizados se espalharam pelo mundo, permitindo que os cidadãos influenciem não apenas os orçamentos, mas também outros desenvolvimentos de políticas públicas. Existem inúmeros instrumentos de participação institucionalizada: planos comunitários, planejamento participativo, conselhos cidadãos, júris cidadãos, laboratórios de inovação e muitos outros. Essas iniciativas democráticas de inovação aprimoram a qualidade da democracia ao atribuir um papel mais ativo aos cidadãos tanto na definição dos problemas sociais quanto na busca de soluções. Falamos de participação institucionalizada quando ela envolve espaços regulamentados por autoridades públicas e suas administrações, que solicitam a opinião dos cidadãos para tomar decisões ou empreender ações referentes a uma iniciativa específica. Entre os exemplos atuais e mais reconhecidos estão aqueles que exploraremos nesta aula: o Orçamento Participativo (OP) e os laboratórios de inovação.

CLASSE 8: PARTICIPAÇÃO, RAÍZES DEMOCRÁTICAS E EMERGÊNCIA

Professor: Igor Ahedo

Resumo conceitual da aula
Esta sessão tem como objetivo apresentar as diversas tipologias de participação, ordenadas de acordo com suas críticas subjacentes à democracia. Após definirmos minipúblicos, referendos e orçamentos participativos como expressões respectivas de crítica deliberativa, direta e participativa, focaremos na identificação das características dos regimes de governança colaborativa. Daremos especial atenção àqueles que emergem da base, a fim de aprofundar a reflexão sobre a relação entre, por um lado, contestação e ruptura e, por outro, o aprofundamento democrático. A aula conclui diferenciando os processos de institucionalização da capacidade desses mecanismos de se incorporarem e criarem raízes nas culturas democráticas.

CLASSE 9: MECANISMOS DA DEMOCRACIA DIRETA

Professor: Alicia Lissidini

Resumo conceitual da aula
Iniciativas cidadãs e referendos promovidos pelo governo não são novidade na América Latina nem no mundo. São praticados por regimes democráticos, híbridos e até mesmo autoritários. Contudo, nas últimas décadas, ocorreram mudanças qualitativas e quantitativas que explicam sua maior prevalência, tanto na legislação quanto na prática. O Uruguai foi pioneiro na América Latina, realizando seu primeiro referendo em 1917 e seu primeiro referendo contra uma lei em 1989. Em 2024, uma dúzia de países os havia incluído em sua legislação, e muitos outros regulamentavam os referendos obrigatórios, enquanto a maioria concedia às autoridades o poder de convocá-los. Após analisar as tendências globais, a disciplina examinará os diferentes contextos e experiências da recente reforma constitucional e da introdução de referendos democráticos na América Latina, com foco no caso uruguaio, dada sua enorme relevância.

AULA 10: COMUNIDADE, PARTICIPAÇÃO E TRABALHO COMUNITÁRIO

Professor: Leonel Del Prado

Resumo conceitual da aula
Comunidade: definições, usos e aplicações nas ciências sociais; Trabalho comunitário: histórias, objetivos e perspectivas atuais; Contexto do trabalho comunitário hoje: neoliberalismo, exclusão social e trabalho comunitário.
Trabalho comunitário: dimensões (conscientização/mobilização e organização). 
Diferenças entre o trabalho comunitário e outras práticas. Possíveis tarefas. Textos clássicos sobre trabalho com comunidades. Metodologias: o que não fazer. Dicas para o trabalho.

CLASSE 11: COMUNIDADES EM MOVIMENTO: FERRAMENTAS PARA COMPREENDER EXPERIÊNCIAS PARTICIPATIVAS

Professor: Victor Fernandez Gonzalez

Resumo conceitual da aula
É feita uma análise crítica de algumas experiências específicas de participação comunitária, examinando como essa participação se relaciona com a expansão da democracia e a transformação social.

Nesse sentido, e levando em consideração as limitações de tempo do curso, o objetivo é dar conta de uma diversidade de experiências que englobem a participação em instituições e associações (Fung, 2003a; Ganuza & Francés, 2008), o impacto da participação cidadã nas políticas públicas ou no processo político (Eberhardt, 2015; Espinoza, 2004; Garrido-Vergara et al., 2016), com foco nos processos de participação cidadã ou mecanismos de democracia direta (Lissidini, 2011; Schneider & Welp, 2015), ou nas diferentes formas como grupos, movimentos, coletivos e organizações de base se organizam, planejam e tomam decisões (Red CIMAS, 2015; Svampa, 2010), incorporando, ainda que de forma mais tangencial, abordagens que articulam pesquisa, sistematização de experiências e promoção de processos participativos, como a Pesquisa-Ação Participativa ou a Sociopraxis (Falck & Paño, 2015). 2011; Fals Borda, 1999; Fung & Wright, 2003; Jara, 2018; Salazar, 2015; Varga et al., 1984; Zibechi, 2007).

A forma de abordar essa ampla gama de questões será relacionar as experiências a dois eixos: por um lado, à discussão teórica sobre democracia participativa (Balderacchi, 2016; Lissidini, 2015; Schneider & Welp, 2015; Fung & Wright, 2003; Villasante, 2017) e, por outro, a uma escala de participação (Rede CIMAS, 2015) que vincula os tipos de participação às abordagens de planejamento. Essa abordagem visa romper com a distinção usual entre processos em que a participação pode ser promovida "de cima para baixo" — isto é, pelos poderes estatais, implementando mecanismos de participação cidadã ou democracia direta — ou "de baixo para cima" — isto é, promovida pelos próprios cidadãos, com movimentos sociais, organizações de base e redes de ativistas desempenhando um papel de liderança. O importante, contudo, é enfatizar como a participação dos atores se relaciona ao contexto das instituições políticas locais.

Espera-se, portanto, que os alunos aprendam sobre experiências e tenham as ferramentas para compreendê-las e melhorá-las.

 CLASSE 12: PARTICIPAÇÃO COMUNITÁRIA: PROCESSOS DE SUBJETIVAÇÃO POLÍTICA E TRANSFORMAÇÃO TERRITORIAL

Professor: Mercedes Oraison 

Resumo conceitual da aula
Quando falamos de participação comunitária, estamos nos referindo aos processos de organização, mobilização e gestão promovidos por organizações de base e líderes sociais localizados, geralmente, em bairros da classe trabalhadora.

Segundo Maritza Montero (2003, p. 72), no âmbito de tais processos, os membros de uma comunidade "desenvolvem conjuntamente capacidades e recursos para controlar a sua situação de vida, agindo de forma comprometida, consciente e crítica, para alcançar a transformação do seu ambiente de acordo com as suas necessidades e aspirações, transformando-se ao mesmo tempo".

O que distingue a participação comunitária de outras formas de participação é o envolvimento de atores locais que mantêm relações de cooperação na busca de um objetivo comum. As discussões em torno da participação comunitária, entre outras questões, estão ligadas à capacidade dos protagonistas de gerar transformações reais por meio de sua influência nas agendas políticas locais. Nesse contexto, podemos perguntar: até que ponto os processos autogeridos são funcionais para o deslocamento do Estado ou podem contribuir para a construção da cidadania? A participação comunitária pode ser entendida como uma forma de consolidar, expandir ou aprofundar uma “democracia de proximidade”? (Annunziata, 2008; Schnapper, 2004). O uso indefinido do conceito, que o transforma em uma espécie de guarda-chuva sob o qual múltiplas formas de convergência social são abrigadas, levou à distinção de diferentes graus de participação (Arnstein, 1969; Hart, 1992; Novella e Trillas, 2001). A disciplina, portanto, está voltada para a discussão dos limites e potencialidades da participação comunitária, com base na análise de uma experiência de gestão participativa em um centro comunitário em um bairro popular da Argentina.

CLASSE 13:  A QUESTÃO DE GÊNERO IMPORTA PARA A DEMOCRACIA PARTICIPATIVA?

Professora: Uxue Zugaza

Resumo conceitual da aula
Nesta disciplina, analisamos como o gênero e outras estruturas de dominação (raça, classe social, idade, entre outras) influenciam de forma restritiva o projeto democratizador da participação cidadã.

A sessão começa com a análise da divergência existente, em nível normativo, entre a democracia participativa e uma perspectiva feminista da realidade. Até recentemente, existiam dois arcabouços teóricos que pouco dialogavam entre si: a teoria da democracia participativa e a teoria política feminista. Contudo, a práxis feminista e as experiências de democratização demonstraram, desde o início, a necessidade de se estabelecer um diálogo sobre a exclusão (mais ou menos naturalizada) de grupos oprimidos da esfera pública. Com base em nossa própria pesquisa prática, na análise crítica de experiências de democracia participativa e na análise da teoria política feminista, examinamos as maneiras pelas quais o gênero, em suas formas objetificadas e internalizadas, inibe a democratização buscada pela prática participativa.

Após essa análise inicial, conclui-se que a questão de saber se a democracia participativa se preocupa com o gênero é insuficiente se houver um desejo de análise crítica da democratização, e as contribuições sobre interseccionalidade em matéria de participação cidadã são analisadas.

CLASSE 14: DESLIBERAÇÃO: CRISE CLIMÁTICA-DEMOCRÁTICA NA AMÉRICA CENTRAL

Ensino Azucena Morán 

Resumo conceitual da aula
Este seminário propõe uma análise da participação cidadã e da transição deliberativa-participativa na América Central diante da atual crise democrática-climática. O foco será nas contradições e ambivalências que emergem, por exemplo, da institucionalização do direito à consulta prévia, livre e informada (Convenção 169 da OIT) e da transição ecológica. Por um lado, examinaremos a criminalização de defensores ambientais e líderes indígenas, as tentativas de minar os processos participativos autônomos e a transformação tecnocrática/profissionalização da governança coletiva. Por outro lado, consideraremos as implicações da extração de minerais críticos para a transição energética e a geração de energia renovável em zonas de sacrifício na América Central.

Embora a ênfase seja nas respostas atuais dos Estados-nação à crise climática e democrática da região, também dialogaremos com os sucessos dos movimentos sociais e da resistência coletiva, como a proibição da mineração metálica no Panamá. O seminário visa analisar criticamente as oportunidades, limitações e desafios envolvidos na implementação e replicação de processos participativos e deliberativos diante da atual crise climática e democrática, com base em experiências e histórias regionais. Investigaremos as crises climáticas e democráticas nos governos da Guatemala, Costa Rica e Panamá. A partir disso, os alunos desenvolverão as habilidades necessárias para situar diversas experiências de governança deliberativa na região dentro de seus contextos sociais, históricos e políticos.

CLASSE 15: FACILITADORES EM PROCESSOS TERRITORIAIS PARA O DESENVOLVIMENTO DE CAPACIDADES. APOIO DO IADT PARA A TRANSFORMAÇÃO DIALÓGICA DOS TERRITÓRIOS

Professores: Romina Rébola e Pablo Costamagna

Resumo conceitual da aula
Na perspectiva do desenvolvimento territorial, os processos de apoio baseados na pesquisa-ação para o desenvolvimento territorial são experiências de diálogo, facilitação e participação que possibilitam a construção de capacidades individuais e coletivas intangíveis para a transformação territorial. Por meio de processos de capacitação e diálogo político institucional em nível territorial, os atores desenvolvem capacidades para a sustentabilidade dos espaços de encontro, o que lhes permite abordar problemas territoriais e cocriar soluções coletivas, aprofundando a democratização dos territórios por meio do diálogo e da participação. Nesse contexto, o papel dos facilitadores estimula e conecta o processo territorial, gerando dinâmicas de ação que empoderam os atores territoriais a tomar decisões.

Na perspectiva do Desenvolvimento Territorial, é vital facilitar processos que possam ser realizados por diversos indivíduos ou equipes para a transformação e sustentabilidade dos processos sociais, políticos, culturais e ambientais no território.

Este seminário visa destacar o papel dos facilitadores nas comunidades locais, dentro da estrutura metodológica da nossa experiência em apoio ao desenvolvimento territorial baseado em pesquisa-ação. Propõe-se compartilhar experiências e reflexões locais sobre essas práticas, bem como a importância de certas capacidades individuais e coletivas para a democratização dos processos locais.

  • Igor Ahedo Gurrutxaga (Universidade do País Basco, Espanha) 
  • Rocío Annunziata (Universidade Nacional de San Martín, Argentina)
  • Rosa Ynés Alacio García (Universidade Autônoma da Cidade do México, México) 
  • Antônio Álvarez-Benavides (Faculdade de Justiça Criminal John Jay, Universidade da Cidade de Nova York) 
  • Luís Arnanz Monreal (Universidade Complutense de Madrid, Espanha) 
  • Pablo Costamagna (Instituto Praxis da Faculdade Regional de Rafaela da Universidade Tecnológica Nacional e da Universidade Nacional de Rafaela) 
  • Leonel Del Prado (Universidade da República, Uruguai) 
  • Victor Fernandez Gonzalez (Universidade Católica de Maule, Chile) 
  • Néstor Garcia (Universidade Complutense de Madrid, Espanha)
  • Imanol Telleria (Universidade do País Basco, Espanha) 
  • Alicia Lissidini (Faculdade de Política e Governo da Universidade Nacional de San Martín, Argentina)
  • Azucena Morán (Departamento de Democracia do Instituto de Pesquisa para a Sustentabilidade — Centro Helmholtz de Potsdam, Alemanha) 
  • Mercedes Oraison (Centro de Estudos Sociais – Universidade Nacional do Nordeste, Argentina) 
  • Jone Martinez-Palacios (Universidade do País Basco, Espanha) 
  • Uxue Zugaza Goyenechea (Universidade do País Basco, Espanha)
  • Romina Rébola (Instituto Praxis da Faculdade Regional de Rafaela, Universidade Tecnológica Nacional e Universidade Nacional de Rafaela, Argentina) 
  • Gisela Signorelli (Universidade Nacional de Rosário) 
  • Mariano Suárez Elías (Universidade da República, Uruguai) 
  • Alfonso Torres Carrillo (Universidade Pedagógica Nacional, Colômbia)
  • Tomás R. Villasante (Fundação CREASVI, Espanha) 
  • Mario Zubiaga (Universidade do País Basco, Espanha)
  Inscrições antecipadas (até 04/03) Inscrições gerais (6 a 30 de maio) Inscrições sem desconto (de 30 a 05 de maio) Pagamento em 3 parcelas
Centro de Membros Plenos ou Associados 150 USD 220 USD 300 USD USD 360 (3 x USD 120)
Sem link 300 USD 370 USD 420 USD USD 600 (3 x USD 200)
 
Em todos os casos, o pagamento pode ser feito por cartão de crédito ou transferência bancária.

* Os residentes da Argentina pagarão o equivalente em pesos argentinos de acordo com a taxa de câmbio oficial do Banco de la Nación Argentina (BNA) no dia do pagamento. 
 
*Ao se inscrever nesta atividade de treinamento, você receberá 3 meses de acesso gratuito ao Aula CLACSO. Acesso ilimitado a todo o conteúdo. 

Você precisa estar cadastrado no Sistema Único de Cadastro da CLACSO (SUIC) e inserir seu nome de usuário e senha. Se você não estiver cadastrado, clique aqui. aquiPara acessar o formulário de inscrição, você deve clicar no botão "Inscrever-se" na página do diploma de seu interesse.

Após a conclusão do processo de inscrição, você receberá uma confirmação por e-mail.

As aulas começarão em abril e terminarão em julho de 2026.

Todos os participantes inscritos receberão, no primeiro dia de atividades, as instruções necessárias para acessar as aulas, a bibliografia e os fóruns de discussão por meio do [inserir plataforma/plataforma]. Espaço de Treinamento Virtual CLACSO.

Acessar e navegar no Ambiente Virtual de Aprendizagem é muito simples e intuitivo. Em qualquer caso, uma equipe de suporte técnico e acadêmico estará sempre disponível. Para dúvidas, entre em contato pelo e-mail [inserir e-mail aqui]. [email protected]

 Você deve enviar um e-mail com a solicitação para [email protected] Enviaremos o certificado solicitado assim que possível.

Critérios excepcionais: Em casos excepcionais e nos primeiros 20 dias de início do Diploma Superior, o aluno poderá escrever para [email protected] O pedido de cancelamento de matrícula deve ser feito mediante justificativa. Após avaliação do caso, uma resposta será enviada. Se aprovado, o aluno poderá retomar o programa de Diploma Superior caso uma nova turma seja formada no ano seguinte. Após decorrido esse período desde o início do curso, nenhum pedido será aceito.

O valor pago só será reembolsado nos casos em que as instituições organizadoras decidirem cancelar a atividade. 

Sim, o diploma avançado é certificado pela CLACSO. O diploma será enviado digitalmente e é totalmente gratuito.

O pagamento pode ser feito em uma única parcela, por cartão de crédito ou transferência bancária. Também oferecemos a opção de pagamento em 3 parcelas.

Sim. Haverá descontos para estudantes pertencentes a Centros Membros da CLACSO e Centros Associados da CLACSO, para Pesquisadores Associados da CLACSO e para todos aqueles que pagarem dentro do período de desconto.

Você pode verificar se pertence a um centro de membros aqui: 

https://www.clacso.org/institucional/centros-asociados/

O programa de Diploma Avançado integra uma dinâmica de aulas assíncronas e síncronas. As aulas são predominantemente assíncronas. O cronograma das sessões síncronas será comunicado pelo coordenador do Diploma no início do programa, e a participação nessas sessões não é um pré-requisito para a aprovação.


Consultas: WhatsApp: +54 9 11 3880-1388

E-mail: [email protected]